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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Logística impede crescimento do agronegócio brasileiro, diz ex-ministro

Para Roberto Rodrigues, país precisa melhorar questão da infraestrutura. Potencial de crescimento é enorme, mas faltam acordos comerciais, diz.

O grande gargalo que impede o crescimento do agronegócio brasileiro é a logística, na opinião de Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Agricultura . “A principal barreira é logística. O grande dilema do Brasil é logística, a falta de portos, estradas, ferrovias, armazéns.”

A declaração foi feita na quarta-feira (1º), durante evento de lançamento das feiras Induspec Animal Expo&Business e Agrinsumos Expo&Business, previstas para ocorrerem em julho do próximo ano.

Apesar deste entrave, Rodrigues garante que o cenário à frente é positivo. “Hoje, na área de logística, a gente tem um projeto, que é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Se ele sair do papel, muda de figura completamente a questão da infraestrutura no Brasil. Mas é um tema lento demais”, admitiu.

Produção

Durante palestra para lançamento dos eventos, Rodrigues destacou números que reforçam o potencial de crescimento do agronegócio brasileiro. “A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) imagina que, em dez anos, de hoje a 2020, a oferta mundial de alimentos tem que crescer 20% para atender à demanda dos países emergentes. Ela mesma reconhece a contribuição de cada região do planeta da seguinte maneira: Europa: 4%; Austrália: 7%; Estados Unidos e Canadá: de 10% a 15%; Rússia, Ucrânia, China, Índia: em torno de 25%; e o Brasil tem que ser 40%. (...) Não podemos perder esta oportunidade. É um desafio monumental só para alimentos.”

Segundo ele, nos últimos 20 anos, a área plantada com grãos no Brasil cresceu 26% e, no mesmo período, a produção de grãos cresceu 155%. “A produção cresceu seis vezes mais que a área plantada.”

Ainda com foco no potencial de crescimento da produção agropecuária no país, Rodrigues destacou que, dos 850 milhões de hectares que o Brasil tem, só 8,5% são cultivados, cerca de 70 milhões de hectares. “E pouco menos de 200 milhões de hectares de pasto. Nós não ocupamos hoje nem 30% da área com pastagem e agricultura. E ficam aí nos acusando de destruidores do meio-ambiente, de trabalho escravo.”

Ele destaca que o país tem hoje cerca de 96 milhões de hectares de pastagens que são aptos para a agricultura. “Só 96, mas é mais do que o setor tem hoje em dia plantados”, diz.

Na opinião do ex-ministro da Agricultura, esta enorme capacidade de crescer e atender à demanda mundial por alimentos e energia vinda da agricultura é parte do que impede o progresso da Rodada de Doha. “É isso aqui que bloqueia Doha. Vem um americano e vê isso, vem um australiano e vê isso, vem um alemão e vê isso... ‘temos que segurar esses caras, senão, eles vão comer a gente’. E vamos mesmo. Estamos ganhando mercados sem nenhum acordo comercial, estamos ganhando mercado pela pura eficiência competitiva do produtor rural brasileiro”, fala.

Empregos

Sobre a crítica de alguns setores da economia que dizem que o agronegócio emprega pouco e que matéria-prima tem baixo valor agregado no momento da exportação, Rodrigues usa dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para defender o setor. “Os dados oficiais do IBGE dizem que o agronegócio é o setor que mais emprega no país: 37% dos empregos diretos e indiretos vêm do agronegócio, portanto, mais de 1/3. Não é verdade que seja um setor que emprega pouco. Nós representamos 27% do PIB nacional. De modo que tem um peso social no nível de emprego e no nível econômico muito significativo. O saldo comercial do agronegócio é o dobro do saldo comercial do país”, defende.

“O agricultor, o pecuarista, quem produz o produto agrícola precisa de adubo, de semente, fertilizante, defensivo, de corretivo, de tratores, de colheitadeira, de arados, grades, carretas, caminhão, insumos que são produzidos pela indústria. O agronegócio é poderoso porque gera uma cadeia de empregos ampla”, argumenta.

Mas o ex-ministro da Agricultura reconhece que seria importante – e é interesse do setor – exportar itens com maior valor agregado, mas, o problema, neste caso, é a falta de acordos comerciais. “O Brasil exporta 1/3 do café verde do mundo e menos de 3% do café torrado e moído. A Alemanha e a Itália exportam 60% do café torrado e moído e não tem um pé de café. Não adianta a gente querer torrar e moer, porque se não tiver um acordo comercial com os distribuidores lá fora, você não exporta o seu produto. O café chega no porto e morre no porto”, diz. “Se não houver acordo comercial, que implica em ação de governo, e também do setor privado, não vai a lugar nenhum.”
Fonte: Fabíola Glenia Do G1, em São Paulo

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Itamaraty quer novamente um brasileiro à frente da OIC

Após uma década afastada do comando da Organização Internacional do Café (OIC), o Brasil quer voltar a controlar os rumos da outrora poderosa associação de 77 países produtores e consumidores do grão no planeta.

O mais cotado para ocupar a diretoria-executiva do organismo a partir de 2011 é o economista Robério Oliveira Silva, atual diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura. O ex-diretor Néstor Osório será embaixador da Colômbia nas Nações Unidas - hoje, a direção está a cargo do interino brasileiro José Sette. A OIC voltará a ganhar peso com o retorno dos Estados Unidos após 21 anos afastado da associação.

A indicação de Robério Silva, que já presidiu a Associação dos Países Produtores de Café (APPC), tem aval da bancada ruralista do Congresso e da cúpula do Ministério da Agricultura e do Itamaraty. Mas há uma parte do setor privado que prefere ver na cadeira o atual presidente da Câmara Setorial do Café e diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Nathan Herszkowicz.

A indicação de um nome forte do Brasil dependerá, porém, da ratificação do novo Acordo Internacional do Café pelo Congresso Nacional. Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil está atrasado nos procedimentos. "Esse novo acordo será elemento importante para transformar a OIC. Ela precisa de mudanças na estrutura", disse Robério na Câmara.

Aprovado pelo governo brasileiro em maio de 2008, o acordo foi fechado em 2007 na OIC, mas vinha enfrentando oposição interna na Câmara. Alguns deputados queriam aumentar o controle sobre a indicação do novo diretor. Mas uma reunião conjunta das comissões de Agricultura e de Relações Exteriores serviu, na terça-feira, para acelerar o processo e selar uma trégua política na Câmara.

Como resultado, as comissões de Agricultura e de Constituição e Justiça aprovaram ontem, por unanimidade, o novo acordo da OIC. "Só podemos lançar candidato se aprovarmos o relatório", diz o deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), um dos relatores da proposta que será enviada ao Senado. "A participação do Brasil na OIC é essencial. Isso nos permitirá lançar candidatura no próximo ano. A OIC terá o rumo que ajudarmos a conformar", disse o subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Evandro Didonet.

O acordo tem alguns avanços considerados importantes pelo setor cafeeiro. Prevê, entre outras medidas, a alavancagem de recursos para países produtores em dificuldades financeiras, uma espécie de seguro contra épocas de "vacas magras". O dinheiro para ajudar pequenos e médios produtores sairia de um fundo comum operado pelo Banco Mundial. O acordo da OIC também prega a produção dentro de padrões de "sustentabilidade" ambiental, social e econômica.

O texto também projeta melhoria nas estatísticas de oferta e consumo, além de "intenso trabalho" de promoção comercial do café. "O acordo não é suficiente. Precisa de uma atuação firme, de maior e melhor coordenação entre países produtores", alertou Didonet. Os produtores concordam: "A OIC virou estrutura burocrática, desinteressante. Se Brasil não fizer [reforma], ninguém fará porque EUA e países consumidores são contra", disse o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes.
Fonte: Valor Econômico

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Por um mercado ‘robusto’

Há muito tempo o café encanta os brasileiros. A planta da família botânica Rubiaceae, teve sua primeira descrição datada do século 18 e hoje estima-se que existam cerca de 25 espécies principais, algumas oriundas da África e outras de algumas ilhas do Oceano Índico.

Dentre tantas espécies, as mais importantes para a economia do Brasil, atualmente o maior produtor de café do mundo, são o Arábica (Coffea Arábica), que representa mais de 70% da produção nacional e o Robusta (Coffea Canephora), que começa a ganhar maior destaque na economia cafeeira.

A espécie Robusta é mais precoce, mais resistente e mais produtiva que a Arábica. Ela é cultivada em terrenos baixos, com plantas de maior envergadura e a quantidade de cafeína presente também é maior (fica entre 2% e 4,5%). O termo Robusta provém de uma variedade cuja árvore tem frutos arredondados e que demoram até 11 meses para amadurecer.As sementes desta espécie são ovais e menores que a da espécie Arábica.

O café Robusta é encontrado na África Ocidental e Central, no Sudeste Asiático e em algumas extensões do Brasil, onde é conhecido como Conilon (nome dado a uma das variáveis da espécie). No Brasil, o maior produtor deste tipo de grão é o Estado do Espírito Santo, que este ano deve produzir 7.330 sacas, o que equivale a 73,83% da produção cafeeira do estado, o que indica um crescimento de 7,13% na produção do Conilon com relação ao ano passado.

Os dados são da terceira estimativa de safra do café, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em setembro deste ano.

Dando continuidade ao ranking nacional de produção do Café Robusta, segue o Estado de Rôndonia no segundo lugar, com produção para este ano estimada em 2.338 sacas de café desta espécie e por Bahia, que este ano deve produzir 2.295,9 sacas de café, das quais 544,8 são de Conillon.

Panorama – Embora ganhe cada vez mais força no cenário econômico nacional e internacional, o café Robusta ainda é menos valorizado que o Arábica. As vantagens do Conilon não são poucas, como explica o Diretor Executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e Presidente do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé), Nathan Herszkowicz.

“Esta é uma variedade que vem ganhando muito espaço no Brasil e no mundo atualmente. De todo o café produzido no Brasil e no mundo, 35% é de café Robusta. É uma variedade que traz muitos ganhos aos produtores. No Espírito Santo, por exemplo, os produtores de café robusta vem obtendo mais lucros que os de café Arábica, ou seja, é um produto mais barato, que dá mais lucros. Tem um mercado muito bom”, afirma.

Herszkowicz explica ainda porque o café Robusta é menos valorizado economicamente que o Arábica. “Isso se deve a um parâmetro estabelecido pelo mercado mundial. Nas bolsas onde são negociados (o arábica na de NY e o Robusta na de Londres), os preços praticados com relação ao café Robusta são menores. Além disso, os custos de produção do café arábica são maiores”, destaca.

Para o diretor da Abic, um grande passo para o crescimento econômico do café Robusta seria sua chegada ao Estado de São Paulo, o maior pólo econômico do Brasil. No entanto, tudo o que existe hoje são alguns testes no oeste paulista.

“O que está se fazendo são experiências pequenas, mas nada de chegada com força ainda. Seria importante que essa experiência desse certo, já que o Estado de São Paulo possui a maior indústria de torrefação de café do Brasil”, conclui Herszkowicz.
Fonte: Revista Panorama Rural – Edição de Outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras apresenta em Guarapari novidades para o setor

As mais modernas tecnologias na área de café disponíveis no Brasil serão apresentadas, desta terça (26) até sexta-feira (29), no Sesc de Guarapari. Trata-se da 36° edição do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras. O evento, que é uma realização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com a participação do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura (Seag), reunirá no Espírito Santo as maiores autoridades do País na área.

Os pesquisadores do Incaper, Maurício José Fornazier, Maria Amélia Gava Ferrão e Luiz Carlos Prezotti, participam como palestrantes do seminário. Os especialistas falarão sobre os seguintes temas, na mesma ordem: 40 anos de convivência com a ferrugem do cafeeiro – as doenças mais importantes no Brasil; Renovação de cafezais nas montanhas – Renovar Arábica; e Adubação racional da lavoura cafeeira – café Conilon no Espírito Santo.

De acordo com o pesquisador do Incaper, José Maurício Fornazier, toda a programação do congresso, assim como os temas escolhidos dos seminários, são de grande importância para os participantes. “No período da manhã, vamos apresentar os principais trabalhos e pesquisas da área cafeeira do Brasil, e, a partir das 17 horas, durante os três primeiros dias de evento, realizaremos palestras que contém informações importantes a respeito da cafeicultura no País”, afirmou o pesquisador.

Na sexta-feira (29), último dia do evento, os congressistas irão participar do Dia de Campo sobre Café Conilon, na propriedade do Sr. Antônio Herzog e da visita técnica, ao Centro de Pesquisas da Heringer.

Os interessados em participar podem se inscrever na recepção do evento, a partir das 8 horas. A taxa é R$ 80,00 (inteira) e estudantes poderão pagar R$ 40,00 (meia). Mais informações no site: www.maiscafe.com.br
Fonte: Incaper

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Café brasileiro ganhou o 2º lugar na prova internacional

Em uma disputa acirrada, o café brasileiro blendado pela exportadora Bourbon Specialty Coffees ganhou o segundo lugar, dentre outros 19 cafés, na prova internacional promovida pelo Let`s Talk Coffee, em Tarapoto, Peru.

O primeiro lugar ficou com o café da Etiópia, em terceiro, Tanzânia, em quarto, El Salvador e, em quinto, Nicarágua. Outros cinco países também participaram: Honduras, Guatemala, Colômbia, Costa Rica e Peru. O café brasileiro é um blend das fazendas Recreio (89 pontos pelo método SCAA) e Rainha (84 pontos), ambas de São Sebastião da Grama (SP), e do Sítio Boa Vista (85 pontos), de Caconde (SP).

De acordo com os juízes e o provador Calixto Peliciari, que junto com Mário Cesar Simão Filho fizeram o blend para a competição, o café no espresso apresentou acidez cítrica e doce, corpo cremoso, final prolongado, textura fina e sabor de limão, cravo e delicado vinho. A torra foi realizada em cada lote de forma separada pelos profissionais da Bourbon Specialty Coffee e foi provado por oito juízes de diferentes países, a maioria deles certificados pelo QGrader e Specialty Coffee Association of America (SCAA). A vitória foi comemorada pelos brasileiros presentes no evento e também elogiada pelos baristas finalistas do mundial, que aprovaram os sabores do expresso.
Fonte: Revista Cafeicultura

terça-feira, 19 de outubro de 2010

36º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras: de 26 a 29 de outubro

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Fundação Procafé promoverão o 36º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, nos dias 26 a 29 de outubro, em Guarapari, no Espírito Santo.

O evento contará com a apresentação de trabalhos de pesquisas de todas as regiões do País e seminários sobre os temas mais atuais da cafeicultura, além de stands de empresas ligadas ao setor cafeeiro e uma exposição Café com Arte, da artista plástica Valéria Vidigal.

Os trabalhos devem ser enviados até o dia 10 de setembro para o e-mail: trabalhos@fundacaoprocafe.com.br

Programação:

Dia 26/10/2010 - Terça-feira
09h - 12h Abertura oficial e debate sobre a conjuntura cafeeira
14h - 17h Apresentação de 22 trabalhos de pesquisa
09h - 12h Seminário: 40 anos de convivência com a Ferrugem do cafeeiro

Dia 27/10/2010 - Quarta-feira
Manhã Livre
13h - 17h30 Apresentação de 28 trabalhos de pesquisa
17h30 - 19h Seminário: Renovação de cafezais na cafeicultura de montanha

Dia 28/10/2010 - Quinta-feira
Manhã Livre
14h - 17h Apresentação de 28 trabalhos de pesquisa
09h - 12h Seminário: Adubação racional de cafezais

Dia 29/10/2010 - Sexta-feira
08h - 12h Dia de Campo
No recinto do evento:
- Stands de empresas ligadas ao setor cafeeiro
- Exposição de Pintura "Café com Arte" - artista plástica Valéria Vidigal

Serviço:
Local: Sesc Guarapari - Rodovia do sol, 01, Muquiçaba - Guarapari (ES)
Data: de 26 a 29 de outubro de 2010
Fonte: Revista Cafeicultura

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Agronegócio brasileiro registrou superavit de US$ 6,189 bilhões

Na análise de setembro, divulgada na quarta-feira (13), a arrecadação com as vendas externas foi de US$ 7,363 bilhões, aumento de 28,1% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O resultado é recorde para o nono mês do ano. As importações subiram 32,6%, alcançando o valor de US$ 1,174 bilhão.

A balança comercial do agronegócio registrou superavit de US$ 6,189 bilhões. Os setores que mais contribuíram para o incremento das exportações foram café (44,3%), carnes (14,2%), cereais, farinhas e preparações (151,5%), sucos de frutas (117,3%), produtos florestais (18,3%), complexo soja (6,7%), e fibras e produtos têxteis (58,7%).

As vendas do complexo soja cresceram 6,7%, com arrecadação de US$ 1,445 bilhões.

O valor exportado de soja em grãos aumentou 0,7% em relação ao valor registrado em setembro de 2009 (de US$ 817 milhões para US$ 823 milhões). A quantidade exportada aumentou 9,7% e os preços foram 8,2% inferiores.

A receita de exportações de carnes aumentou 14,2%, passando de US$ 1,023 bilhão em setembro de 2009, para US$ 1,169 bilhão em setembro de 2010.

Os ganhos obtidos com os embarques da carne bovina in natura foram 15,9% superiores, os da carne de frango in natura, 26,7% maiores e os da carne suína in natura, 8,5% mais altos em relação a setembro de 2009.

O faturamento do complexo sucroalcooleiro aumentou 47,2% (passando de US$ 1,051 bilhão para US$ 1,546 bilhão), o que resultou do aumento dos preços do açúcar (23,4%) e do álcool (20,5%), além do aumento da quantidade exportada de açúcar e da redução do etanol.

De janeiro a setembro, as vendas de açúcar atingiram o valor de US$ 8,9 bilhões, quase US$ 1 bilhão por mês.

Na análise por País, destacaram-se as taxas de crescimento das exportações para Argélia (337%), Egito (113,4%), Arábia Saudita (68,0%), Irã (63%), Itália (62%), Japão (55,9%), China (50,8%), e Coréia do Sul (46,7%).
Fonte: Ministério da Agricultura

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Café: melhora no clima brasileiro pressiona preços em Nova York

Pregão de indecisão para o café nesta quarta-feira na BMF, com o vencimento dezembro/10 fechando no 0x0. Em NY o fechamento foi com baixa de 0,82% e em Londres com baixa de 0,54%.

Desde o início do dia NY andou no campo negativo, sentindo ainda o efeito do bom clima no Brasil e também em movimento de repique após a boa alta de ontem. Graficamente o mercado brigou o dia todo na zona de 176,60, alguns momentos trabalhando acima, ensaiando uma alta e outros momentos trabalhando abaixo, querendo mostrar fraqueza. No fim das contas não se definiu e fechou muito próximo deste preço, em 175,55.

Na BMF o sinal positivo foi a confirmação de 207,00 como bom suporte, mas o fechamento do gráfico diário, com um candle de indecisão, deixa uma pontinha de dúvida no ar para os próximos dias. Pelos fundamentos não tivemos nada de novidades. O clima segue favorável no Brasil e isso ainda assusta. Tenho conversado bastante com o pessoal do sul de Minas e eles, dia após dia, falam de clima bom para o café. Amanhã publicarei fotos de floradas.
Fonte: XP Agro

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Chuva no Sudeste brasileiro derruba café em NY

Os preços do café iniciaram na semana passada um movimento de queda que ainda não chegou ao fim. Segundo levantamento do Valor Data, os contratos futuros de segunda posição de entrega (geralmente os de maior liquidez) desceram ontem ao nível mais baixo desde agosto deste ano na bolsa de Nova York, depois de cinco dias consecutivos de quedas. As entregas para março de 2011 terminaram o dia valendo US$ 1,743 por libra-peso, retração de 850 pontos (4,65%) em apenas um dia de negócios.

A recente desvalorização dos preços é atribuída à melhora nas condições climáticas no Brasil. O longo período de seca abriu espaço para as chuvas que chegaram às principais regiões produtoras do país na semana passada e já estão garantindo a formação das primeiras floradas. Além disso, o pico da entressafra mundial ficou para trás e os cafés da América Central já começam a chegar no mercado.

"Acredito que ainda exista espaço para quedas. Se o mercado continuar caindo e for abaixo de US$ 1,70 pode haver um novo movimento de vendas mantendo as cotações em uma faixa entre US$ 1,60 e US$ 1,65 por libra-peso", afirma Rodrigo Costa, analista da Newedge em Nova York.

Mesmo com a queda acumulada nos últimos dias, os fundamentos para o mercado do café ainda são fortes o suficiente para justificar uma valorização de 26,7% em 2010. No acumulado dos últimos 12 meses, os preços em Nova York têm alta de 31,4%, entre outros fatores porque a demanda por café no mundo cresce acima da produção global.

Um exemplo é o próprio Brasil. No ciclo 2010/11, que acabou de ser colhida, foram produzidas, segundo a (Conab), 47,04 milhões de sacas, para atender a um consumo interno de quase 20 milhões e exportações superiores a 27 milhões de sacas. Para 2011/12, a demanda pelo café brasileiro tende a crescer, mas a oferta pode cair de 15% a 20% devido ao ciclo de baixa da bienalidade da cultura.
Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Café brasileiro pode virar referência em contratos internacionais

Produtores e exportadores do Brasil negociam incluir o grão no contrato da Bolsa de Nova York.

Setor de café quer que o produto brasileiro faça parte de contratos internacionais. Uma alternativa seria a inclusão no chamado Contrato C, na Bolsa de Nova York. Porém, representantes do setor discutem a possibilidade de haver um contrato específico para o café do Brasil.

O café brasileiro pode virar referência nos contratos negociados em bolsas internacionais. Produtores e exportadores do Brasil vêm negociando duas alternativas: uma delas seria incluir o café do Brasil no contrato c da Bolsa de Nova York; outra seria criar um modelo especifico para o grão nacional na Bolsa de Chicago.

Para se proteger contra as oscilações no preço, os brasileiros negociam na Bolsa de Nova York. O problema é que lá fora não existe um contrato especifico para o café brasileiro, a referencia são outros paises produtores, como a Colômbia. O setor acredita que a situação acaba distorcendo os preços.

Uma das propostas em debate há cinco anos é a inclusão do café brasileiro no contrato de Nova York. A iniciativa foi do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé). Na época, a pressão dos concorrentes, principalmente os colombianos, foi mais forte e o projeto foi arquivado. Agora, a situação é diferente: a própria bolsa retomou a discussão.

– A bolsa parece mais interessada em ter o café brasileiro no seu rol de origens, na medida em que as quedas de produção de café na Colômbia e a estabilidade em outros países estão dando um perfil não muito favorável na relação entre o grande movimento que a bolsa tem e o nível de produção – explica o diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga.

De acordo com a entidade, o Brasil produz cerca de 3,5 milhões sacas de café despolpado, a referência para Nova York. Há seis anos, esse volume não passava de 500 mil sacas. Por isso, na opinião do diretor do conselho, a situação atual dá mais condições ao Brasil de ser incluído no contrato C.

O superintendente da Cooxupé, a maior cooperativa produtora de café do mundo, com sede em Minas Gerais, Lúcio Dias, avalia que a mudança seria mais uma alternativa de mercado.

– No momento, ele não é vantajoso porque os diferenciais que a gente está trabalhando para esse produto estão acima do preço de Nova York, mas para o futuro é uma garantia a mais, é um mercado a mais que o produtor passa a ter.

Produtores e exportadores reconhecem que o simples fato de estar no contrato de Nova York não é uma garantia de lucro. Mas consideram que ter uma opção a mais para negociar faz muita diferença.

– O produtor terá uma condição muito mais precisa para a precificação do seu café. Ele vai estar acompanhando a bolsa. Ele vai poder comparar o comportamento do mercado interno aos preços do mercado internacional e, portanto, ter uma noção mais precisa do valor da sua mercadoria – afirma Guilherme Braga, do Cecafé.

No entanto, nem todos os produtores apoiam a inclusão do Brasil em Nova York. Representantes do setor avaliam que o contrato C não corresponde à realidade da produção brasileira, dominada pelo café natural e não pelo despolpado. A idéia, então, seria ter um contrato para esse tipo produzido no Brasil na bolsa de Chicago. A avaliação é a de que, como a instituição é sócia da BM&F Bovespa, as negociações ficariam mais fáceis. Mas ainda não foi feita uma proposta oficial para a bolsa americana.
Fonte: Revista Cafeicultura

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Qualidade do café brasileiro deve cair na safra 2010

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alertou nesta quinta-feira (05/08) que, apesar da expectativa de “safra cheia” na produção de café, a qualidade pode ser prejudicada pela mão de obra escassa e período curto de colheita nas maiores regiões produtoras. O gerente de agricultura do instituto, Mauro Andreazzi, explicou que as constantes chuvas durante o inverno em 2009 acarretaram várias florações.

“Agora, na colheita, que é feita predominantemente por mão de obra braçal, encontramos frutos maduros e frutos verdes. Como a mão de obra é escassa e cara, e o tempo de colheita é muito curto, esses frutos acabam se misturando, e em alguns casos a mistura chega a 50%, comprometendo a qualidade do produto”, acrescentou Andreazzi.

Segundo o IBGE, o fato é agravado pelas informações de que os estoques de café de qualidade já são raros em todo o país. A boa notícia para o consumidor é que os preços não devem aumentar.

Dados divulgados para julho pelo instituto, nesta quinta-feira, mostram que a produção estimada no auge da safra 2010 é de 2.753.091 toneladas, ou 45,8 milhões de sacas de 60 quilos em grãos beneficiados. A produção deve crescer 13,2% em relação a 2009, quando o número de sacas produzidas foi de 40,5 milhões.
Fonte: Campo Vivo

terça-feira, 13 de julho de 2010

Café arábica brasileiro pode ser negociado na Bolsa de Nova York

Maior obstáculo para que o Brasil entre na lista que tem 19 países é a resistência dos concorrentes.

O café arábica brasileiro disputa uma chance de ser negociado na Bolsa de commodities de Nova York, a ICE Futures US.

A participação do país, o maior produtor do mundo, está sendo avaliada -a consulta pública foi encerrada em meados de junho-, mas a decisão, que tem boas chances de ser favorável, não tem prazo para sair.

Caso a proposta, apresentada pela Bolsa em maio, seja aprovada por um comitê da ICE, ela pode entrar em vigor em até três anos.

O principal obstáculo para que o Brasil seja incluído em uma lista que hoje tem outros 19 países com cafés certificados é a resistência dos concorrentes -nenhum deles, no entanto, tem poder de vetar a decisão.

Para países como Colômbia e México (contrários à mudança), a qualidade do café brasileiro é inferior e a grande quantidade de grãos que entrariam no mercado depreciaria os preços e prejudicaria seus produtores.

Reportagem do "Financial Times" do mês passado chegou a dizer, ouvindo fontes colombianas e mexicanas, que a entrada do café brasileiro na Bolsa faria crescer o cultivo de drogas.

Juan Esteban Orduz, presidente da Federação de Cafeeiros Colombianos, disse ao jornal que pequenos produtores de café são vulneráveis ao mercado externo.

"Se eles não puderem se sustentar com o café, procurarão outra coisa. E não é segredo que a Colômbia tem problemas com cultivo e colheita ilegais", disse Orduz.

REFÉM DAS DROGAS

"Essa é mais uma forma espúria de tentar deslocar a discussão do tema do plano comercial para o político e explorar a sensibilidade das autoridades americanas para o problema", reage Guilherme Braga, diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

"[Esse argumento] foi usado há cinco anos e, agora, com mais veemência. É de perguntar até quando o café brasileiro será refém da droga", afirmou Braga, em entrevista à Folha, por e-mail.

Braga refere-se à última vez em que o Brasil tentou conquistar o certificado da Bolsa para os seus estoques, em 2004, sem sucesso.

A diferença, agora, é que o país tem a seu favor o apoio de tradings que operam na ICE -e que, após recuo na produção de países participantes, inclusive da Colômbia, veem no café lavado e semilavado brasileiro a chance de recompor os estoques.

"Desde a última vez, o volume de arábicas brasileiros entrando no mercado e a aceitação do café cresceram. Com base nisso, nos parece o momento apropriado para revisitar o assunto", escreveu Tim Barry, vice-presidente de desenvolvimento de produto da ICE, na proposta divulgada em maio.

De acordo com Braga, o volume de produção de cafés despolpados no Brasil era de cerca de 500 mil sacas anuais em 2004; hoje, está em torno de 4 milhões.

A expansão é a principal razão pela qual a questão voltou a ser avaliada -e, pela primeira vez, por iniciativa da própria ICE.

Para Braga, esse fator, aliado ao empenho do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, por uma solução favorável, aumenta as chances de êxito do país.
Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 15 de junho de 2010

Acaba hoje avaliação do café brasileiro em NY

Encerram-se hoje(15) as manifestações dos participantes da Bolsa de commodities de Nova York -a ICE- para definir a participação ou não do café brasileiro nas negociações da entidade.

Pelo menos 19 países entregam café na Bolsa nova-iorquina. O Brasil está fora da lista. Primeiro, porque Colômbia e países da América Central nunca quiseram a participação do país.

Segundo, porque o próprio Brasil só agora começa a elevar a produção de café lavado, o negociado na Bolsa.

O café recebido desses países é certificado pela Bolsa e passa a fazer parte dos estoques, sendo utilizado nas liquidações físicas dos contratos futuros.

Guilherme Braga, do Cecafé, diz que a Bolsa voltou a reestudar a participação de café brasileiro nas negociações futuras porque há uma redução de café lavado da Colômbia e dos países da América Central.

Além disso, os preços do mercado físico estão acima dos praticados na Bolsa. Com isso, não há entrada de café para a formação de estoques.

Silvio Leite, da Agricafé, diz que a possível participação do Brasil na Bolsa agora se dá em contexto diferente do das tentativas anteriores.

Desta vez, a movimentação parte das principais tradings que operam em Nova York. Sem café, a Bolsa perde importância, diminui liquidez e dificulta as operações de hedge dos investidores.

Braga lembra que, mesmo que a Bolsa venha a certificar o café brasileiro, as entregas do produto só ocorreriam nos contratos futuros a serem criados. Ou seja, demoraria pelo menos dois anos.

Má notícia Uma excelente notícia para os norte-americanos, mas que pode ser muito ruim para os brasileiros. O Usda mostrou ontem que 73% da safra de soja dos EUA se encontra em bom e excelente estados, um recorde. A média das últimas cinco safras é de 63%.

Mais uma As lavouras de milho também estão bem: 77% registram de boa a excelente condições, acima da média de 66% das últimas cinco safras. Os norte-americanos estão tão felizes que, na avaliação de alguns, "dá para ouvir a plantar crescer", informa a Agência Rural.

De olho Diante desse cenário, Anderson Galvão, da Céleres, diz que este é um momento delicado para o produtor brasileiro permanecer com grandes estoques da oleaginosa. Lembra que as negociações por insumos começam a aumentar.
Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Café brasileiro terá mais qualidade

O cafezinho de todos os dias terá mais sabor. Uma Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, assinada nesta segunda-feira (24) pelo ministro Wagner Rossi, estabelece critérios rígidos para garantir a qualidade do produto oferecido ao consumidor. As novas regras são válidas para o café torrado em grão e para o café torrado e moído. A medida, que será publicada amanhã no Diário Oficial da União e começará a vigorar em nove meses (270 dias), define exigências de percentual máximo de impurezas, além de um padrão básico de sabor, aroma e fragrância da segunda bebida mais consumida do País, atrás apenas da água.

“Considero a norma um marco na cafeicultura nacional. É uma forma de respeito ao brasileiro que aprecia e tem o hábito de tomar café, como também a valorização deste mercado que tem crescido, em média, 5% ao ano no País, tornando-o o segundo maior consumidor do mundo”, destaca Rossi.

A nova legislação foi construída durante três anos com a participação de técnicos do governo e representantes do setor privado, como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Esta é a primeira norma publicada com esta finalidade e inédita em todo o mundo, como exemplo de política publica de valorização do café e de defesa dos consumidores.

Com a medida, o consumidor terá a segurança, atestada pelo governo, de saborear um café mais puro e com um nível mínimo de qualidade. Isso porque, o café produzido no Brasil ou o importado só poderá ter, no máximo, 1% de impurezas. A presença de umidade no grão torrado ou moído também não poderá ultrapassar 5%. Serão observados, ainda, o estado de conservação do produto, aparência, odor e informações de rotulagem, como nome de fabricante, lote, prazo de validade e país de origem, quando for o caso.

A norma determina, também, critérios para características sensoriais do café: aroma, sabor, fragrância e sabor residual. O nível de acidez, amargor ou adstringência e até se a bebida é encorpada serão avaliados por um classificador credenciado pelo Ministério da Agricultura. O profissional técnico agrícola ou engenheiro agrônomo especializado em café fará a prova da xícara, que consiste na degustação do produto, de acordo com especificações da Instrução Normativa. O teste deverá ser realizado dentro uma empresa também credenciada pelo Ministério. O classificador irá emitir um laudo técnico e, a empresa em questão, fornecerá um certificado de que o produto está dentro ou não do padrão estabelecido.

Conforme a legislação, o cumprimento desses critérios resultará na “Qualidade Global da Bebida” e, para ser comercializado, o produto deverá ter, no mínimo, nota igual ou superior a quatro pontos em uma escala que vai de zero a dez.

Fiscalização - Quando a Instrução Normativa entrar em vigor, os fiscais do Ministério darão início à fiscalização sobre o cumprimento do regulamento. Para isso, equipe espalhada por todo o País irá coletar amostras (embalagens fechadas) de diversas marcas presentes no comércio varejista ou na indústria que serão encaminhadas a um laboratório oficial ou credenciado para análises da presença de impurezas. Outras amostras serão utilizadas para prova da xícara. Os lotes dos produtos que não atenderem as exigências serão recolhidos do comércio.

Preferência nacional – Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) revela que esta é a segunda bebida mais consumida no Brasil, atrás apenas da água e a frente de sucos, refrigerantes, energéticos e achocolatados. O estudo mostra, ainda, que 97% da população acima de 15 anos toma café diariamente. Além disso, a qualidade é apontada como o segundo critério mais importante na hora da compra, superando a embalagem e o preço.

Liderança – O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. O grão negro está em quinto lugar no ranking dos embarques do agronegócio. O produto rendeu, em 2009, US$ 4,27 bilhões com as vendas externas realizadas principalmente para Alemanha, Estados Unidos, Itália e Japão. A demanda maior é pelo café verde seguido do solúvel e do torrado e moído. A safra 2010, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deve atingir 47 milhões de sacas de 60 quilos, 19,2% a mais que o produzido em 2009.

Dia do Café – 24 de maio é o Dia Nacional do Café.
Fonte: Revista Cafeicultura

terça-feira, 18 de maio de 2010

Café brasileiro na Bolsa de Nova York: conjunturas favoráveis à inserção

Desde que foi anunciada a possibilidade de adicionar o café arábica brasileiro de padrão lavado à lista de origens para entrega do contrato futuro na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), representantes do setor produtivo, lideranças e especialistas têm fomentado o debate como oportunidade para conquistar uma nova imagem no cenário internacional. Discutida há mais de uma década, ainda sem sucesso, a possibilidade de inserção do arábica brasileiro nos contratos de Nova York reflete um momento oportuno e justificado.

A reavaliação respalda-se no aumento do volume do café brasileiro de qualidade e de sua ampla aceitação no mercado. O volume de café brasileiro produzido por via úmida gira em torno de quatro milhões de sacas. Acrescenta-se a este cenário a escassez de lavados dos países da América Central e Colômbia, com risco de haver uma intensa especulação, com volume negociado desproporcional ao café passível de entrega. A escassez se deve tanto pela quebra de safra de tradicionais países produtores, em especial a produção colombiana que impacta o mercado, quanto pela expansão do mercado de cafés especiais, com uma segmentação de canais que progressivamente tem reduzido o volume negociado em bolsa.

Na avaliação do pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Luis Vegro, essa é uma oportunidade de ‘diamante’. “Talvez seja o fato mais importante para o agronegócio café brasileiro a ocorrer em 2010”, enfatiza, convocando as representações da cafeicultura a se mobilizarem para acelerar o processo e o aceite do café brasileiro para o contrato C em Nova Iorque. “Todo o agronegócio café deveria se mostrar coeso na aceleração desse processo, pois somente gera melhor precificação para essa qualidade que é crescente no Brasil, algo que deve variar entre R$40,00/sc a R$ 50,00/sc”, complementa.

A campanha para inserção dos cafés brasileiros processados por via úmida teve como marco importante um estudo técnico realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em 2004, que incluiu uma série de verificações da qualidade do café produzido em diversas regiões. As provas de qualidade, realizadas em Nova York por provadores de diferentes países, resultou na superação das barreiras de natureza técnica. Faltava superar outros fatores de natureza política e burocrática, que afastaram o Brasil por todos estes anos de participar destes contratos. Agora, mais uma vez, está sendo avaliada a oportunidade do Brasil se tornar origem em contratos que hoje já são negociados por 19 países.

Na avaliação do diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga Abreu Pires Filho, ter a cotação regida pela Bolsa facilita a formação do preço negociado, resultando em uma melhor precificação para os cafés que se adequem à qualidade exigida pelo contrato. Neste caso, a cotação na bolsa reduziria a volatilidade de preços com base em fatores internos, como o tamanho da safra ou estoques. Para este especialista em mercado de café, a opinião que mais vai pesar nesta consulta da ICE Futures será a dos grandes compradores, que já sinalizaram a necessidade de novos contratos. A mobilização interna também será importante no decorrer deste processo.

Como tradição para novos entrantes, considerando os padrões de qualidade e as cotações nos últimos cinco anos, a ICE Futures avalia que um diferencial de preço apropriado para o arábica do Brasil estaria dentro de um intervalo entre 7 a 9 centavos de dólar abaixo da paridade. De acordo com Guilherme Braga, de modo geral, o café lavado brasileiro já é negociado diretamente a compradores deste nicho, a preços superiores até mesmo ao referencial colombiano. Ele explica ainda que o diferencial do preço do café acompanha a oferta do mercado, sendo maior em anos em que a commodity apresenta qualidade média inferior. “Quando o café brasileiro estiver em NY, a tendência é que haja um diferencial de valorização”, destaca.

Para entender o assunto

Em debate na Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, da rede virtual Peabirus, onde o tema tem rendido grande participação, o professor de Economia da Universidade Federal de Lavras, Luiz Gonzaga de Castro Júnior, explicou que o contrato de café tipo C é o padrão mundial do café arábica. Os preços dos cafés verdes para a entrega física do produto, a partir dos 19 países de origem, são formados a partir da qualidade do produto perante uma base diferencial, o que resulta em prêmios ou descontos de acordo com os portos de entrega e origens.

Atualmente são 19 países certificados para emissão dos contratos: México, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, Quênia, Nova Guiné, Panamá, Tanzânia, Uganda, Honduras, e Peru, no valor do contrato, Colômbia com prêmio de 200 pontos, Burundi, Venezuela e Índia com100 pontos de desconto, Ruanda com 300 pontos de desconto, e a República Dominicana e o Equador com 400 pontos de desconto. A Bolsa de NY tem armazéns licenciados no porto de Nova York (valor nominal do contrato), no Porto de New Orleans, no Porto de Houston, no porto de Bremen/Hamburgo, no porto de Antuérpia, no Porto de Miami e no porto de Barcelona (com desconto de 1,25 cents/lb).

De acordo com o professor Gonzaga, para o café brasileiro e, consequentemente para o Brasil, é uma das melhores alternativas de marketing do produto. “A inclusão do Brasil como origem para entrega de café na ICE Futures deverá ampliar a visibilidade e a credibilidade do produto e, desta forma, a sua competitividade no mercado externo”, considera.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Norma de qualidade do café brasileiro

O Ministério da Agricultura está finalizando uma norma para regular a qualidade do café vendido no Brasil. Mesmo sendo a segunda bebida mais vendida no País, o café nunca teve uma regulamentação oficial. Só um selo de pureza e dos fabricantes.
Fonte: Revista Cafeicultura

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Café brasileiro poderá ser negociado na Bolsa de Nova York

O diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Robério Oliveira Silva, disse nessa quinta-feira que o produto brasileiro passa por um processo de consulta para ter sua negociação feita também na Bolsa de Nova York.

“A discussão em torno da entrada do café arábica cereja descascado, mais fino [na Bolsa de Nova York] se dá há uns dez anos. Agora, no entanto, houve interesse do comitê da Bolsa de Nova York, que percebe que o Brasil tem participação importante nesse mercado”, afirmou Silva durante a apresentação da estimativa de safra do produto, de 47 milhões de sacas de 60 quilos.

A queda da produção na Colômbia e na América Central, concorrentes do Brasil no mercado de café, está levando ao aumento da procura do produto brasileiro pelos importadores. Para o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, essa é uma oportunidade que o país deve aproveitar agora, que terá a maior safra de café dos últimos dez anos.

“Colher uma safra de ciclo alto num momento em que o mercado internacional se ressente da falta de bons cafés arábicas é uma oportunidade para ocupar maior espaço nos blends [produtos que resultam da composição de diferentes tipos de café]”, afirmou o ministro.

Segundo Rossi, o governo será capaz de apoiar toda a comercialização de café. Na próxima semana, representantes de toda a cadeia produtiva se reúnem para elaborar um conjunto de ações a serem implementadas. Entre as medidas avaliadas, está o apoio à comercialização de até 5 milhões de sacas de café, por meio de leilões para formação de estoque ou contratos de opção de venda.
Fonte: Exame

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Café brasileiro ganha mais espaço

A menor disponibilidade do café colombiano no mercado internacional está fazendo com que os importadores venham ao Brasil buscar os cafés finos nacionais. Esse aumento da demanda fez com que o produto brasileiro passasse a receber um bônus sobre as cotações praticadas na bolsa de Nova York, além de ter ajudado a elevar a fatia das vendas totais do país nas exportações mundiais de café para 32%.

Enquanto o café tradicional tipo exportação ainda tem um deságio sobre o preço da bolsa, o café fino (cereja descascado) brasileiro tem recebido de 8 a 10 centavos de dólar a mais sobre o valor de referência da bolsa americana. Tradicionalmente, mesmo o café fino exportado pelo Brasil tem um deságio de até 10 centavos em relação aos preços da bolsa.

"A indústria está procurando café de qualidade e existe demanda pelo produto brasileiro em substituição ao colombiano", afirma Rodrigo Costa, analista da Newedge.

E quando a demanda não é atendida com um aumento rápido na oferta, o resultado são preços mais altos. Com um projeto idealizado para produção de cafés finos, a Ipanema Coffees produziu junto com seus parceiros 145 mil sacas desse tipo de produto no ano passado. Para 2010, a expectativa é de que essa produção tenha um aumento marginal de apenas 5 mil sacas, o que elevaria a oferta de uma das principais fazendas produtoras de cafés especiais do país para 150 mil sacas.

"Sentimos que nosso café está sendo melhor remunerado pelos importadores. Essa é a primeira vez na história que um importante fornecedor tem problemas no abastecimento e o Brasil pode se beneficiar por não ter nenhum tipo de controle por parte do governo", afirma o diretor presidente da Ipanema, Washington Rodrigues. "Não podemos perder essa oportunidade", diz ele.

Durante a vigência do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), entre 1952 e 1989, os investimentos em qualidade deixaram de existir, já que não havia nenhum tipo de bonificação para os cafés especiais. "Os primeiros cafés cereja surgiram em 1990, que ganharam promoção com as compras que a Illy passou a fazer do produto brasileiro para produzir seus expressos mais encorpados", explicada Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, em Santos.

Com o aumento do consumo de expresso nas últimas duas décadas, a procura pelo café fino brasileiro cresceu em um ritmo superior ao do café fino colombiano (lavados suaves). Aliado a esse fator, a capacidade de abastecimento do Brasil é superior à colombiana devido ao tamanho de sua produção. "Essa reversão ficou mais evidente em 2009 quando houve o primeiro problema de fornecimento da Colômbia e se confirmou com uma repetição neste ano", diz Rodrigues, da Ipanema.

Em 2007, os colombianos colheram 12,5 milhões de sacas, se mantendo na média dos quatro anos anteriores. A partir de 2008, no entanto, uma série de fatores como clima, renovação do parque cafeeiro e baixa remuneração dos produtores derrubaram a produção para 8,66 milhões de sacas. No ano passado, a oferta cresceu 9,5% para 9,5 milhões de sacas, mas ainda assim muito abaixo da média superior a 12 milhões que vinham sendo produzidas de 2004 a 2007.

Sem oferta, as exportações colombianas foram bastante prejudicadas. No ano passado, foram embarcadas apenas 7,9 milhões de sacas, uma queda de quase 30% em comparação a 2008. Essa situação fez com que a participação colombiana no mercado internacional recuasse para apenas 8,3%, uma das baixas da sua história.

Com o aumento da demanda, as exportações brasileiras ocuparam o espaço deixado pela Colômbia. Dados da Organização Internacional do Café (OIC), mostram que a participação de 32% do café brasileiro no mercado internacional é a maior em pelo menos 30 anos, com embarque de 30,3 milhões de sacas.
Fonte: Sincafé