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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cafeicultura do Paraná pede socorro

O custo de produção do café no Paraná é um dos mais altos do Brasil e o preço de venda um dos mais baixos. Aliada à falta da mão de obra e à dificuldade de crédito, a situação vem se agravando a cada ano e colocando a cafeicultura em risco no Estado. Para buscar soluções, representantes de diversos órgãos e entidades estão se mobilizando.

''O objetivo é estudar a reestruturação ou reconversão da cafeicultura no Paraná Com o modelo atual, o produtor dificilmente consegue lucro'', afirma Breno Pereira Mesquita, presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) Segundo ele, o custo de produção no Paraná é 25% superior ao do Sul de Minas Gerais.

Ele esteve em Londrina nesta semana participando de uma reunião, na sede do Sindicato Rural Patronal de Londrina, com representantes da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Secretaria de Estado da Agricultura (Seab/Deral) e sindicatos rurais da região.

A discussão passa por quatro pontos básicos: gestão, crédito, endividamento e modelo tecnológico Segundo Walter Ferreira Lima, presidente da Comissão Estadual de Café da Faep, os pontos levantados na discussão técnica devem ser levados, em dezembro, para Brasília e para a comissão de transição do governo do Estado.

A meta é obter recursos para a reestruturação da cafeicultura no Estado para investir, entre outro pontos, na mecanização O apoio do poder público é fundamental, já que a maior parte da produção está nas mãos de pequenos produtores, que não têm recursos para investir em máquinas e adaptação das lavouras ''Hoje a mecanização é muito importante, pois diminui o custo de produção'', diz Walter Lima, sem citar valores.

Segundo Paulo Franzini, responsável pela área de café da Seab/Deral, a preocupação do governo do Paraná é estancar a erradicação do café no Estado E a mecanização é um dos caminhos, já que a mão de obra é cara para o produtor e escassa ''É possível mecanizar lavouras adensadas e, hoje, sabemos que já existem empresas que produzem máquinas colheitadeiras adaptadas ao pequeno produtor'', observa Franzini.

Outros pontos observados por Franzini são o aumento de produtividade e o investimento em uma bebida de qualidade para que o produtor consiga maior renda ''Na safra 2010 o Paraná alcançou produtividade média de 28 sacas por hectare Um ponto de equilíbrio seria em torno de 35 sacas/ha'', destaca.

As dificuldades enfrentadas pelos produtores aliadas a problemas climáticos provocaram redução da área plantada de café no Estado nos últimos anos.
Fonte: Jornal Folha de Londrina

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Economia Capixaba

Proagro Mais
Agricultores familiares que contrataram empréstimos do Proagro Mais a partir de 1º de julho terão prazo maior (até 15 de janeiro) para incluir as operações do Proagro Mais. É um seguro, mas também cobre desembolsos com investimentos não financiados.

Valor da produção
O Valor Bruto da Produção, estudo feito pelo Ministério da Agricultura, aponta expressiva queda na renda da lavoura de café no Estado do Espírito Santo. Recuou de R$ 2,15 bilhões em setembro/2009 para R$ 1,69 bilhão em setembro/2010 (veja ilustração acima).

Repercussão
Entre um terço e 40% da renda que fica no meio rural do Espírito Santo é proveniente do café - notadamente do conilon, que representa cerca de 70% cafeeira capixaba. O recuo no valor dessa lavoura deve comprometer o resultado do Valor Bruto da Produção do Estado em 2010. É o que se admite no meio rural.

Preço
A queda da renda da cafeicutura reflete o preço. O conilon a R$ 160 a saca mal cobre custos de produção, dizem os responsáveis pelas lavouras.

Soluções
Há duas saídas para os cafeicultores, lembra o secretário de Estado da Agriculura, Enio Bergoli. Uma, é a busca de informações para elevar a produtividade e reduzir custos de produção. A outra, é a diversificação do uso da terra.
Fonte: Jornal A Gazeta

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mão de obra limita ganhos na cafeicultura

A escalada das cotações do café no mercado internacional abre boas perspectivas de remuneração para quem investe na commodity nesta safra 2011/12. Para muitos produtores, pode ser a chance de ampliar ganhos obtidos no ciclo passado, em parte já favorecida pela ascensão dos preços. Mas o quadro positivo não é generalizado, e o aumento de custos, este sim geral, tende a pressionar margens sobretudo para quem não investe em produto de melhor qualidade.

Apreciado no exterior, o café colombiano, por exemplo, está atualmente 45% mais valorizado do que na média dos últimos seis anos. Na mesma comparação, o grão brasileiro de boa qualidade aparece, em média, com cotações 21% superiores. Para as exportações dos dois países, a aquecida demanda externa e os problemas na oferta de concorrentes da América Central sustentam a tendência. Ontem, os preços voltaram a subir e atingiram o maior patamar nos últimos 13 anos. Os contratos para março fecharam o dia a US$ 2,0235 por libra-peso, valorização de 2%.

"Ainda que o preço tenha melhorado, o aumento dos custos consumiu boa parte da renda. De qualquer forma, o mundo se prepara para enfrentar um déficit na relação entre oferta e demanda, que tende a gerar uma alta maior que, aí sim, será revertida para o produtor", afirma Carlos Meles, presidente da Cooparaíso, cooperativa sediada em São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas.

Próximo dali, no município de Guaxupé, Carlos Paulino, presidente da Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, diz que o fato da maior parte dos cooperados ser de agricultores familiares permite que a renda seja maior. "Quando o cafeicultor é pequeno e usa a mão de obra familiar, o peso disso no custo é menor. Isso permite que ele aproveite melhor essa alta de preços que estamos vendo", afirma Paulino.

Mas o cenário para o café de qualidade inferior é distinto. Dados da Organização Internacional do Café (OIC) apontam que, em 2010, a média de US$ 0,7483 por libra-peso paga pelo café robusta, normalmente menos valorizado que a variedade arábica, é 2,3% inferior à média dos últimos seis anos.

"Houve uma valorização dos preços do café, mas isso vale para o produto fino, de alta qualidade. No caso brasileiro, da safra que colhemos em 2010 cerca de 30% foram de café robusta, 15% de café arábica de baixa qualidade e os 55% restantes de um produto melhor, capaz de aproveitar o bom momento de preços", diz o consultor Luiz Araripe, da Valorização Empresa de Café.

Se a elevação dos preços não favoreceu toda a safra de 2010 - estimada pela CONAB em 47,2 milhões de sacas - o aumento dos custos, especialmente da mão de obra, consumiram parcela significativa da rentabilidade da cultura. Em Guaxupé, onde predomina a colheita manual e a os grãos têm qualidade superior, o peso da mão de obra passaram a representar mais de 50% do custo total.

Já nos polos onde a mecanização pode ser introduzida, como no oeste da Bahia, a realidade é diferente. Se por um lado a operação e o aluguel de máquinas respondem por 26,5% dos custos, a parcela da mão de obra tem um peso de apenas 3,7%, conforme a CONAB.

"Os preços foram bons, mesmo durante o pico da colheita. Mas não podemos esquecer que existem diferenças de tecnologia em cada região produtora e que interferem diretamente na formação do custo. Nossos levantamentos apontam para oscilações entre R$ 250 e R$ 400 por saca", afirma Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).

Mesmo com a renda da última safra sendo comprometida em algumas regiões por conta dos custos, a expectativa para os próximos anos é de uma valorização ainda maior com melhor aproveitamento por parte dos cafeicultores. O ritmo de crescimento da oferta será inferior ao aumento da demanda. A dificuldade dos países da América Central em elevar a oferta e com a safra 2011/12 no Brasil sendo menor, devido ao ciclo de baixa da bienalidade do café, a expectativa é de alta mais expressivas a partir de 2011.

"Existe um otimismo grande em relação ao futuro dos preços e, de fato, teremos um período de bonança por algum tempo", diz Carlos Brando, diretor da P&A Consultoria. O consultor defende que diante do cenário atraente seria o ideal para promover mudanças necessárias à atividade. "É a chance que o Brasil tem para realizar mudanças estruturais no sentido de resolver o problema da rentabilidade da cultura", diz Brando, que aponta quatro pontos considerados essenciais.

O primeiro seria a criação de um movo modelo tecnológico para viabilizar a cafeicultura de montanha, uma das mais atingidas pelo custo da mão de obra. O segundo ponto é a necessidade de financiar a transferência e difusão das tecnologias já existentes. Outra mudança necessária é a alteração no sistema de financiamento, que tenha como base a produtividade e não apenas a área plantada, como ocorre hoje. Por mim, o quarto ponto envolve um plano de marketing efetivo, com objetivo de agregar valor ao café. "O problema é que o setor só se une para discutir assuntos importantes quando seus problemas estão prejudicando muita gente e nunca durante um período de bonança como o que se desenha agora", afirma Brando.

Diante das perspectivas positivas, a Cooxupé está colocando em prática um plano para ampliar sua capacidade de armazenagem e beneficiamento. São R$ 55 milhões para elevar em 40% sua estrutura e chegar a 4,5 milhões de sacas. A área para armazenamento começa a funcionar no mês que vem, enquanto a de beneficiamento entre em operação entre abril e maio de 2011. "A parte de beneficiamento é toda automatizada e será capaz de separar os cafés por cores e tamanhos, permitindo elevar a qualidade", afirma Paulino.
Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Processo de Reúso da água na cafeicultura permite economizar adubo

Em vez de descartar um líquido poluente na natureza, ele fertiliza os cafezais.

Além de consumir muita água, o processamento do café por via úmida cria outro problema ambiental, já que a água residuária é altamente poluente, a ponto de seu descarte ter de ser feito em lagoas de decantação, localizadas em áreas afastadas de cursos d'água.

Conforme o agrônomo e membro do corpo técnico da empresa italiana illycaffè, Sérgio D'Alessandro, após passar por alguns ciclos de lavagem, essa água se torna dez vezes mais poluente do que o esgoto doméstico. "O nível de demanda bioquímica de oxigênio (DBO) dessa água gira em torno de 5 mil mg/litro, e o limite máximo de DBO para que o resíduo possa ser jogado nos mananciais é de apenas 60 mg/litro." Não se trata, obviamente, dos mesmos poluentes encontrados no esgoto doméstico.

Mas, segundo D'Alessandro, além de acumular matéria orgânica, essa água fica enriquecida com macronutrientes como nitrogênio, potássio e fósforo. "Portanto, deixá-la parada em um lago, além de representar um risco de contaminação do solo no longo prazo é um desperdício", diz ele, que tem dado palestras visando a incentivar os produtores a usar esse resíduo como adubo, incorporando-o ao sistema de irrigação das propriedades.

Em Paula Cândido (MG), o cafeicultor Waldir Mol tem utilizado com êxito a água residuária para irrigar 34 hectares de café. Após ser reusada várias vezes, acumulando quantidade considerável de matéria orgânica, a água é bombeada para o alto de uma colina e, de lá, desce por valas abertas entre as fileiras do cafezal. "É uma destinação mais correta do ponto de vista ambiental e que traz economia em adubação química", destaca Mol.

Em Venda Nova do Imigrante (ES), o cafeicultor Pedro Carnielli também adota a mesma prática. Entretanto, no lugar de deixar a água infiltrar por valas, como Mol, ele faz a aspersão da água nas plantas e monitora constantemente os níveis de fixação dos nutrientes no solo. "Além de me livrar de um problema eu ainda consegui enriquecer minha área".

No fim, irrigação e fertilização da lavoura

O manejo das águas residuárias do café tem outras vantagens, além da economia de água no processo de lavagem e descascamento dos grãos cerejas. Ao fim do processo, a água pode ser utilizada uma última vez, desta vez na irrigação dos cafezais. A água é rica em nutrientes, que retornam à lavoura, via fertiirrigação. "Do ponto de vista da sustentabilidade é interessante, já que passa a ser cada vez menos necessário buscar nutrientes fora", diz o pesquisador da Embrapa Café, Sammy Soares.

Além disso, no futuro, a tendência é a de que os produtores passem a ter de pagar pela água que retiram na natureza, segundo explica o chefe da fazenda experimental do Incaper em Venda nova do Imigrante (ES), Aldemar Moreli.

De acordo com ele, já existem no Estado normas que preveem essa cobrança, mas que ainda não estão em prática. Em São Paulo, por exemplo, essa cobrança já começou em algumas regiões. Moreli destaca, ainda, que os órgãos responsáveis pelo licenciamento das unidades de processamento de café já estão exigindo também o manejo da água residuária.
Fonte: O Estado de S.Paulo

Reúso da água chega à cafeicultura

Sistema baseado em tanques de decantação permite que água volte pelo menos três vezes à lavagem dos grãos.

Você tem ideia de quanta água é usada na lavoura para garantir, lá na ponta, uma xícara de café de qualidade? Pois vai muita. De acordo com estimativas de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (MG), o processamento do café por via úmida, método utilizado para obtenção do café cereja descascado, considerado especial, consome, para cada litro de fruto processado, cerca de 3 a 5 litros de água limpa.

Trocando em miúdos, se para obter uma saca de 60 quilos de café é necessário um volume aproximado de 480 litros de frutos, a produção de uma única saca do grão beneficiado, pronto para ser torrado, pode consumir até 2.400 litros de água.

Ampliando a conta para o volume total de café cereja descascado produzido no Brasil (equivalente a cerca de 15% da safra de grãos, ou 7,05 milhões de sacas), o número ficaria próximo dos 17 bilhões de litros de água.

Mas uma técnica de manejo desenvolvida pelo pesquisador Sammy Soares, da Embrapa Café, em parceria com pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e com o Consórcio de Pesquisa do Café, vem sendo testada com sucesso por produtores da região de Viçosa (MG) e Venda Nova do Imigrante (ES) e promete reduzir drasticamente esse números.

Trata-se de um sistema com estrutura baseada em caixas d"água, peneiras e tubos de PVC, que permite o reúso, por várias vezes - e não apenas uma utilização, como acontece normalmente -, da água empregada na unidade de processamento do café para fazer a lavagem e descascamento dos grãos.

Por decantação. O funcionamento é relativamente simples, segundo explica Soares. Após lavar e descascar o café em equipamentos próprios, toda a água é bombeada para três caixas d"água, que funcionam, uma após a outra, como tanques de decantação. "Nessas caixas ficam depositados no fundo os resíduos sólidos maiores. Já livre desses resíduos, a água passa por uma peneira e está pronta para ser reutilizada na própria lavagem dos graõs."

Na fazenda do cafeicultor Waldir Mol, no município de Paula Cândido (MG), região de Viçosa, eram gastos por dia, no método convencional de lavagem e retirada da casca, entre 20 mil e 25 mil litros de água para processar 12 mil litros de fruto. Atualmente, após investir R$ 8 mil para instalar o sistema de reúso, esse consumo caiu para menos da metade. Para processar a mesma quantidade de café, Mol gasta agora entre 7 mil e 8 mil litros.

A média de gasto, que estava entre 3 litros de água para cada litro de fruto, baixou para 1,5 litro. De acordo com ele, após entrar na unidade de processamento, a água é reutilizada por mais três vezes.

E há quem acredite que essa economia pode ser maior. É o caso do chefe da fazenda experimental do Incaper em Venda Nova do Imigrante (ES) - onde o sistema foi testado pela primeira vez -, Aldemar Moreli. Ele está concluindo sua tese de mestrado sobre o assunto e afirma que é possível, por meio da reutilização, reduzir o consumo para um pouco mais de meio litro de água. Ou seja, quase um décimo da média atual.

Investimento. Em Venda Nova do Imigrante, o produtor Pedro Carnielli afirma ter atingido esse nível, mas com investimento de R$ 20 mil, maior do que o feito por Mol. Com a utilização de filtros industriais, Carnieri conta que conseguiu economizar em três quartos o consumo de água necessário para processar 20 mil litros de café por dia. Hoje, no lugar de gastar 40 mil litros diariamente, sua unidade de processamento consome 10 mil litros de água para o mesmo volume de café.

Apesar dos bons resultados, os pesquisadores envolvidos na pesquisa, iniciada há cinco anos, dizem que ainda são poucos os produtores que fazem o reúso da água no processamento do café. Para Moreli, mais do que a falta de costume, já que existe mesmo um intervalo de tempo entre a criação de uma nova tecnologia e sua efetiva aplicação, é preciso continuar investindo no aprimoramento do sistema para torná-lo cada vez mais eficiente e também de baixo custo.

"Este ponto é crucial, já que a maioria das unidades de processamento está nas mãos de pequenos e médios produtores." Entretanto, ele não ignora a importância de se baratear ainda mais o sistema para que grandes produtores também se interessem em adotá-lo.
Fonte: O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Novo alento para a cafeicultura nacional

Marca registrada do Brasil, como o futebol e a caipirinha, o café passou os últimos anos sem muito o que comemorar. Com preços muito reduzidos, os cafeicultores ficaram desestimulados a investir. Colocar dinheiro na plantação resultou em perdas em alguns casos, como no do mineiro Hugo Villas Boas. Com fazenda no sul de Minas Gerais, a principal região produtora do país, Villas Boas pagou R$ 338 para produzir cada uma das 1.529 sacas que colheu em 2009. Na ocasião, o maior preço para sua mercadoria que conseguiu encontrar em Guaxupé, onde fica, foi de R$ 280 por saca.

Este ano, no entanto, suas perspectivas são bem mais estimulantes. Com colheita maior, seu custo ficou em R$ 198 por saca. E hoje consegue vender o café por mais de R$ 300. Vai, assim, investir R$ 100 mil em um equipamento que tira a casca dos grãos, a fim de adicionar valor ao café. “O resultado desta safra compensatória me deu coragem de investir”, disse o cafeicultor ao repórter Luiz Silveira, que foi verificar as condições da safra do sul de Minas in loco.

A colheita do Brasil deste ano, de 47,2 milhões de sacas, 20% maior do que a de 2009, deve chegar perto do recorde da safra de 2002/03, de 48,48 milhões de sacas. O preço internacional do café, em alta por causa de problemas na produção de países como a Colômbia, fazem com que as exportações possam chegar a US$ 5 bilhões até o final do ano, tambémum recorde.

A fim de aproximar o café negociado em pregão daquele vendido ao mercado externo, a BM&FBovespa mudou o padrão de qualidade do grão, de café tipo 6 para 4-5. A produtora de defensivos e agrotóxicos Syngenta inaugurou uma modalidade para vender seus produtos e fidelizar os cafeicultores. Prática conhecida como barter, a empresa recebe o produto agrícola como pagamento do produtor. No caso do café, decidiu ela própria colocar grãos especiais no mercado internacional. Este ano, exportará 208 mil sacas.
Fonte: Brasil Econômico

Cafeicultura sai da crise e retoma investimentos

Alta na cotação e produção perto do recorde recuperam bolso do produtor e ciclo de investimentos, com foco na qualidade.

Duas semanas depois de encerrar a colheita em seus 100 hectares de café, o produtor mineiro Hugo Villas Boas já tomou a decisão: vai investir R$ 100 mil em um sistema de despolpa para agregar valor a seus grãos. "O resultado desta safra compensatória me deu coragem de investir", diz o cafeicultor, que tem propriedade entre Guaxupé e Guaranésia, principal região produtora do país.

O investimento de Villas Boas encontra eco entre os vizinhos e faz todo o sentido dentro do atual mercado mundial de café. A alta de preços na Bolsa de Nova York já beira os 50% sobre setembro de 2009, e foi puxada principalmente por quebras de produção na América Central e, em especial, na Colômbia.

São países que exportam cafés de alta qualidade, e por isso são os grãos de maior valor que estão fazendo mais falta no mercado. É o caso do café do tipo cereja descascado, que Villas Boas vai passar a produzir com o novo investimento. A saca desse café vale cerca de R$ 370 em Guaxupé, bem mais do que o café comum,chamado de bica corrida, que é vendido por R$ 312.

A conjunção de preços bons com a segunda maior safra da história do país, de 47,2 milhões de sacas, está funcionando não só como um sopro de esperança para a cafeicultura brasileira, mas como uma oportunidade de investimento no ganho de qualidade.

Fornecedor da torrefação italiana Illy, o cafeicultor Galdino Norberto de Paula, de Campo Verde (MG) decidiu investir na área de terreiro e secagem do grão, além do tratamento da água utilizada no descascador - equipamento necessário para a produção do cereja descascado. "O foco dos nossos investimentos é sempre melhorar a qualidade", disse o cafeicultor na sexta-feira dia 24, durante a última edição de 2010 do programa BM&FBovespa Vai ao Campo, em Guaxupé.

Essa recuperação da cafeicultura deve muito ao clima, uma vez que que em 2009 as chuvas no final do ano facilitaram a florada dos cafezais. Já o tempo seco deste ano colaborou com o processo de secagem de grãos. O resultado é uma produção próxima do recorde, e com alta qualidade. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de café beneficiado deve atingir 47,2 milhões de sacas, quase 20% acima do ano passado.

Não se pode esquecer que 2010 é um ano de "safra cheia", já que o café sempre oscila organicamente entre um ano de alta e outro de baixa produtividade. Mas a previsão da CONAB chega perto do recorde de 48,5 milhões de sacas colhidas em 2003.

Sustentação

A colheita é quase recorde e está praticamente concluída, mas nem com os armazéns cheios os preços dão sinal de ceder. "A colheita está maior do que no ano passado, mas não há disponibilidade para atender toda a necessidade do mercado", afirma o superintendente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Lúcio Araújo Dias.

Assim como Villas Boas, outros cafeicultores ficaram desestimulados de investir nos últimos anos. "Os preços de café ficaram baixos durante tanto tempo que agora devem subir", afirma Dias.

Soma-se a isso a quebra de um quarto da safra colombiana por conta das chuvas (cerca de 3 milhões de toneladas a menos) e está explicada a alta. "O mundo vem produzindo, de 2005 pra cá, abaixo do que o mercado precisa", explica o analista da Safras e Mercado, Gil Barabach.

O efeito começa a ser sentido no mercado de mudas de café, diz de Paula. "Já há uma movimentação de procura por mudas", afirma ele, Neste ano, de Paula chegou a vender café gourmet por R$ 460.
Fonte: Brasil Econômico

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Café amargo: produtor sofre com alto custo

Os elevados custos de produção do café, a cotação do produto inferior à de anos anteriores e a quebra na safra por conta da estiagem estão praticamente zerando o lucro dos produtores. E a cafeicultura, a principal atividade agrícola do Espírito Santo, até então responsável pela manutenção de inúmeras propriedades, já não está mais garantindo o sustento das famílias que se dedicam à atividade.

A pesquisa, realizada pelo Centro de Inteligência de Mercados (CIM) em três municípios capixabas e divulgada pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), mostra que os custos de produção estão acima do valor que os produtores recebem pela saca de café. "Estamos pagando para trabalhar", destaca o cafeicultor e presidente do Sindicato Rural de Jaguaré, Carlos Giovanni Sossai.

O levantamento feito no início do ano pelo CIM - que é ligado à Universidade de Lavras (MG) - em Vila Valério, Jaguaré (os dois maiores produtores de conilon) e em Iúna (grande produtor de arábica), e atualizados em julho deste ano, comprovam que a cafeicultura não está assegurando lucro para a grande parte dos produtores rurais.

O preço da saca de conilon, que no ano passado era vendida por preço que variava entre R$ 200 e R$ 220, hoje está custando R$ 150, em média. É menos que o custo total de produção de R$ 155,85 (apurado em Jaguaré) e de R$ 152,65 (apurado em Vila Valério). O levantamento foi feito com base na produtividade de 60 sacas por hectare. A mão de obra foi o que mais pesou nos custos.

No caso do arábica, o sistema de colheita é feito em parceria. No entanto, a situação dos produtores desse tipo de café não é diferente. De acordo com a pesquisa, o custo para produção, em lavoura com produtividade média de 25 sacas por hectare, é de R$ 311,62. A saca do produto está sendo comercializada por R$ 200, em média. Valor abaixo dos custos de produção. A situação desestimula o cafeicultor a investir em qualidade, argumenta o presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), José Umbelino de Castro.

Sossai lembra que os produtores de conilon estão enfrentando o terceiro ano consecutivo de seca, o que representa, para o produtor, queda do volume de produção e de qualidade do grão. Na safra de conilon deste ano, encerrada no começo de setembro, por exemplo, a previsão inicial era aumento de 30% do volume. Entretanto, os números finais apontaram queda de 3%.

No período de 2002 a 2008, a produção de conilon foi um bom negócio para os produtores. Mas, nos últimos anos, por conta do clima desfavorável e queda nos preços, a atividade não tem sido tão lucrativa. Sossai lembra que muitos produtores que nos últimos dois anos buscaram financiamento nos bancos, hoje estão com dificuldade para quitar as dívidas.

Custos de produção do café por saca de 60 kg

Jaguaré (conilon)
Custo total - R$ 152,65
Mão de obra - 39%
Insumos - 39%
Mecanização - 8%
Outros - 24%

Vila Valério (conilon)
Custo total - R$ 155,85
Mão de obra - 46%
Insumos - 18%
Outros - 36%

Iúna (arábica)
Custo total - R$ 311,62
Mão de obra - zero
Insumos - 54%
Outros - 46%
Fonte: Jornal A Gazeta

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Encontro de produtores em Aracruz discute cenário atual e futuro da cafeicultura

No próximo dia 6 de agosto, cerca de 300 cafeicultores de Aracruz e municípios vizinhos estarão reunidos no XIII Encontro de Produtores da Região de Aracruz para discutir aspectos técnicos e mercadológicos da cultura do café. O objetivo é analisar o cenário atual da atividade no Espírito Santo e, assim, traçar perspectivas e estratégias para o futuro. O encontro será em uma propriedade, localizada na comunidade de Três Irmãos de Jequitibá, distrito de Guaraná.

Três palestras darão base para a discussão entre os participantes: A importância das cooperativas no cenário econômico estadual; Perspectivas futuras do mercado de café Conilon com a abordagem da qualidade de café; e Custo da produção de café. O evento está sendo organizado pela Secretaria de Agricultura, da Prefeitura de Aracruz, em parceria com a Cooperativa Agrária dos Produtores da Região de Aracruz – Cafeicruz.

A cafeicultura é a principal atividade agrícola de Aracruz, com cerca de 800 produtores envolvidos em lavouras que ocupam uma área de 3,6 mil hectares. A importância da cultura cafeeira no município acompanha a grandeza da atividade no Espírito Santo, que já é o segundo maior produtor do Brasil, com estimativa de colher mais de 11 milhões de sacas este ano.
Fonte: Revista Cafeicultura

terça-feira, 8 de junho de 2010

Técnicos do Incaper participam de curso de cafeicultura em Minas Gerais

Aproximadamente 30 técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), participam, nesta terça (08) e quarta-feira (09), do 5º Curso de Atualização em Cafeicultura, no Centro de Treinamento da Heringer, no município de Martins Soares, em Minas Gerais.

O evento é uma realização do Incaper, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que tem por objetivo atualizar os técnicos do setor agrícola sobre as mais modernas tecnologias de cultivo do café. Ao todo, são 80 participantes, sendo 40 de Minhas Gerais e 40 do Espírito Santo.

Dentre os vários especialistas que ministrarão palestras técnicas sobre diversos aspectos ligados às práticas adequadas de manejo das lavouras, estão o diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, que falará sobre qualidade de café, e o pesquisador do Instituto, Maurício José Fornazier, que vai abordar o tema Manejo de Praga e doenças do café.

Segundo o pesquisador do Incaper e coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, Romário Gava Ferrão, o município mineiro apresenta condições de clima e solo similares às do Espírito Santo, sendo possível haver a troca de experiência entre os estados vizinhos sobre as tecnologias utilizadas nas lavouras de café arábica.

“Com o treinamento, o Instituto pretende atualizar os técnicos do Instituto com informações sobre as tecnologias de condução da lavoura, procedimento adotados na adubação, poda, adensamento, manejo de pragas e doenças, práticas de conservação do solo, colheita e pós colheita. Dessa forma, os extensionistas poderão orientar de forma mais acertada os agricultores familiares do Estado, melhorando assim as condições do setor cafeeiro capixaba”, afirma Ferrão.

Programação:

Terça-feira 8 de junho

9:00 – 9:30 Abertura - Gessy Gomes Pereira – Gerente Comercial - Fertilizantes Heringer Manhuaçu

9:30 – 10:00 - Linha de produtos diferenciados Fertilizantes Heringer” – Eng Agrônomo Henrique Maia Ribeiro – Gerente Unidade São João do Manhuaçu“

10:00 as 11:30 - “Renovação de cafezais e desafios no seu manejo” – Jose Brás Matiello – Eng. Agrônomo – Pesquisador MAPA Pró Café

12:00 – 13:00 - Almoço

13:00 – 14:30 - “Variedades de café arábica para a cafeicultura de montanha” – Saulo Roque de Almeida - Pesquisador MAPA Pró Café e Cesar Krohling – Eng Agronomo

14:30 – 14:45 - Intervalo

14;45 – 16:15 - “Adubação racional de cafezais e resultados de adubação na Zona da Mata” – Eng Agrônomo Antonio Wander - Pesquisador MAPA Pró Café e Sinesio Leite Filho – Supervisor de Pesquisas Fertilizantes Heringer

16:15 – 16:30 - Intervalo

16:30 – 17:30 – “Pragas no cafeeiro” – Mauricio Fornazier – Eng. Agrônomo Incaper

Quarta-feira 9 de junho

8:00 – 9:00 - “Principais doenças do cafeeiro e seu controle” - Saulo Roque de Almeida - Pesquisador MAPA Pró Café e Cesar Krohling – Eng Agronomo

9:00 – 9:15 - Intervalo

9:15 - 10:15 – “Sistemas de Poda em Cafeeiros” – Jose Brás Matiello – Eng. Agrônomo – Pesquisador MAPA Pró Café

10:15 – 10:30 Intervalo

10:30 11:30 – “Preparo e qualidade do café” – Evair Vieira de Melo – Administrador – Diretor Presidente Incaper

11:30 – 12:30 Almoço

12:30 – 15:00 - “Resultados de Pesquisa do Cepec” – Sinésio Leite Filho – Técnico Agricola e gestor do Agronegócio – Supervisor de Pesquisa – Cepec/Fertilizantes Heringer

15:00 – Encerramento – Adilson Scantanburlo da Cunha– Gerente Comercial - Fertilizantes Heringer Manhuaçu
Fonte: Incaper

terça-feira, 18 de maio de 2010

ES: Máquinas quebradas geram prejuízo na cafeicultura e no campo

A busca por qualidade no café está parada para duas associações que ficam na zona rural de Guaçuí. Há dois anos, eles receberam dois despolpadores vindos de uma doação do governo do estado em parceria com o município. Os equipamentos nunca funcionaram.

"Recebemos os equipamentos que faziam parte de um programa de qualidade do café, mas nunca conseguimos colocar tudo em prática. Os equipamentos estão parados e o pior, nem sabemos se funciona mais", afirma o agricultor, Gilson Vimercati.

Máquinas quebradas

Patrol, retro escavadeira, trator e pá mecânica. Em Muniz Freire, das 14 máquinas que existem no município, oito estão quebradas. A falta de equipamentos acaba atrasando o trabalho em algumas lavouras, e em outras, o agricultor precisa pagar o serviço para empresas terceirizadas que cobram, em média, R$120,00 a hora.

Promessas e prazos

Dos três municípios citados, as secretarias de agricultura sabem da situação dos equipamentos. Todas prometeram que o problema será resolvido aos poucos, mas aproveitaram para reclamar que a falta de recursos municipais dificulta o trabalho.

Segundo o secretário de agricultura de Muniz Freire, Edilson Oakes de Araújo, o problema deve ser resolvido o quanto antes. Quatro novas máquinas estão sendo licitadas e uma outra deve chegar ainda este mês. "Estamos esperando uma retro escavadeira, dois caminhões e um trator", conta o secretário.

Já em Ibatiba, a promessa é que dos nove despolpadores parados, dois devem voltar a funcionar em 10 dias. Os outros sete devem continuar sem funcionar até que a prefeitura consiga recursos. "Dois despolpadores vão para o a localidade de Cambraia e Pontal. Estamos tentando resolver o problema, mas cada instalação dessa custa em média R$ 30 mil", conta o secretário de agricultura, Edivaldo Alcantara.

Em Guaçuí, o prefeito Vagner Rodrigues, informou que a prefeitura não tem a responsabilidade de montar os equipamentos e argumentou que a obrigação é do Incaper. O chefe do Incaper local, Maxwel Assis, afirma que o instituto faz apenas o acompanhamento técnico do processo.

Estado sabe que os despolpadores estão parados

Comunicado sobre os equipamentos parados, a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), informou que num prazo de 60 dias vai junto com os municípios avaliar a real situação dos despolpadores que foram doados e nunca funcionaram. Existe até a possibilidade do recolhimento das máquinas.

A Seag informa ainda que o Caparaó é a principal região que produz o café arábica no estado e os equipamentos vão contribuir para a melhoria da qualidade dos grãos. As máquinas foram doadas como concessão, cabe a todos os municípios a instalação dos despolpadores. E a demora nas instalações pode estar relacionada a dificuldade de obter a licença ambiental.

Já o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo, Idaf, que é responsável por emitir a licença ambiental, adequando todo o processo às lei, afirma que para que as máquinas funcionem é preciso dar entrada em um processo junto ao órgão. Para isso, o produtor precisa comparecer a um escritório do Idaf na cidade onde mora com os seguintes documentos: formulário de requerimento, cópia do DUA pago, cópia do RG e CPF, cópia da anuência ou alvará da prefeitura municipal, permitindo o uso e ocupação do solo para a atividade.

Em um segundo momento, o instituto vai analisar todos os documentos e efetivar uma vistoria técnica. Se nada estiver errado, a licença é permitida. Vale lembrar que o documento tem prazo de validade e precisa sempre ser renovado pelo Idaf.
Fonte: Campo Vivo

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Avançam pesquisas biotecnológicas para cafeicultura

Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Café (Brasília, DF), Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (Unesp) e Instituto Agronômico (IAC), instituições integrantes do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, isolou dois promotores de plantas de café que permitem direcionar e controlar a expressão de genes a eles associados: o Promotor CalsoR, que atua nas folhas, e o Promotor Caperox, que age nas raízes. Essa é uma das tecnologias prontas das atrações da VII Exposição de Tecnologia Agropecuária - Ciência para a Vida, que ocorre até o próximo dia 2 de maio, em Brasília/DF.

O objetivo é desenvolver plantas geneticamente modificadas de forma segura e eficiente. Segundo a pesquisadora da Embrapa Café, Miriam Maluf, o diferencial da pesquisa, que a torna inédita no universo dos transgênicos, é que os promotores atuam de forma específica na região da planta que necessita de proteção, no caso as folhas e as raízes, e sempre em resposta a um estímulo externo, oferecendo um controle do tipo de OGM (Organismo Geneticamente Modificado). Além disso, há o controle da intensidade da expressão do gene durante o desenvolvimento da planta, ao longo de sua vida.

"É acoplado ao promotor um gene determinado para o que se pretende melhorar na planta, não afetando as demais partes, muito menos o fruto do café. E esse mecanismo só é ativado em caso de necessidade, ou seja, em resposta a um estímulo externo, o que representa mais segurança para os consumidores". Em outras palavras, o gene só será ativado se tiver algum ataque de agente biótico, que no café é o nematóide da raiz e o fungo das folhas. Outra vantagem é que a técnica também pode ser usada para o melhoramento de várias espécies vegetais de interesse econômico, além do café.

Hoje em dia a engenharia genética é uma grande ferramenta usada pela ciência para o melhoramento de plantas perenes, como o café. No entanto, somente são utilizados promotores constitutivos, que agem em toda a planta, inclusive no fruto, e ao longo do desenvolvimento da planta, mesmo que a necessidade exija proteção contra um único agente externo e num determinado momento. "Essa técnica é a mais convencional, por ser economicamente mais viável, apesar de haverem tentativas de identificar promotores específicos em várias culturas. Mas na concretização prática da pesquisa somos pioneiros", orgulha-se a pesquisadora.

Na Planície de Tecnologias do Ciência para a Vida, a tecnologia aguarda proposta de empresa que possa comprar a ideia e vendê-la em escala comercial. "A tecnologia tem grande potencial de geração de novos negócios. Estamos otimistas de que, em breve, essa tecnologia vai contribuir muito para a cadeia produtiva do café", diz a supervisora de Negócios da Unidade, Maria Isabel Penteado. O pedido de patente já foi depositado e aguarda aprovação.

Conheça os promotores

O emprego de técnicas biotecnológicas possibilita, com bastante eficiência, a inclusão de características desejáveis à planta, tais como precocidade e resistência aos fatores bióticos e abióticos. O sucesso dessa operação depende do uso de um bom promotor que garanta uma expressão do gene efetiva e regulada tanto no espaço quanto no tempo. O promotor CalsoR, que age exclusivamente em tecido foliar, controla a expressão de um gene pertencente à família das isoflavonas, que são ativadas por mecanismos de resposta de defesa em plantas superiores submetidas a situações de estresse biótico e/ou abiótico. Já o Caperox, que atua nas raízes, controla a expressão de um gene pertencente à família das peroxidases, que são ativadas por mecanismos de resposta a estresse biótico e/ou abiótico.
Fonte: Sincafé