Mostrando postagens com marcador mão de obra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mão de obra. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Café: mão de obra, além de escassa, está perdendo qualidade.

Café. O que já era difícil para os cafeicultores está ficando ainda pior. A mão de obra, além de escassa, está perdendo qualidade. Isso ocorre em um momento em que a qualidade é fundamental para o produto nos mercados interno e externo.

De longe. Os trabalhadores que se apresentam na colheita de café são oriundos de outros setores, como laranja e cana-de-açúcar -esta última, uma atividade que emprega cada vez menos. Essa mão de obra acaba onerando os custos e prejudicando a qualidade do produto.
Fonte: Revista Cafeicultura

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mão de obra limita ganhos na cafeicultura

A escalada das cotações do café no mercado internacional abre boas perspectivas de remuneração para quem investe na commodity nesta safra 2011/12. Para muitos produtores, pode ser a chance de ampliar ganhos obtidos no ciclo passado, em parte já favorecida pela ascensão dos preços. Mas o quadro positivo não é generalizado, e o aumento de custos, este sim geral, tende a pressionar margens sobretudo para quem não investe em produto de melhor qualidade.

Apreciado no exterior, o café colombiano, por exemplo, está atualmente 45% mais valorizado do que na média dos últimos seis anos. Na mesma comparação, o grão brasileiro de boa qualidade aparece, em média, com cotações 21% superiores. Para as exportações dos dois países, a aquecida demanda externa e os problemas na oferta de concorrentes da América Central sustentam a tendência. Ontem, os preços voltaram a subir e atingiram o maior patamar nos últimos 13 anos. Os contratos para março fecharam o dia a US$ 2,0235 por libra-peso, valorização de 2%.

"Ainda que o preço tenha melhorado, o aumento dos custos consumiu boa parte da renda. De qualquer forma, o mundo se prepara para enfrentar um déficit na relação entre oferta e demanda, que tende a gerar uma alta maior que, aí sim, será revertida para o produtor", afirma Carlos Meles, presidente da Cooparaíso, cooperativa sediada em São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas.

Próximo dali, no município de Guaxupé, Carlos Paulino, presidente da Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, diz que o fato da maior parte dos cooperados ser de agricultores familiares permite que a renda seja maior. "Quando o cafeicultor é pequeno e usa a mão de obra familiar, o peso disso no custo é menor. Isso permite que ele aproveite melhor essa alta de preços que estamos vendo", afirma Paulino.

Mas o cenário para o café de qualidade inferior é distinto. Dados da Organização Internacional do Café (OIC) apontam que, em 2010, a média de US$ 0,7483 por libra-peso paga pelo café robusta, normalmente menos valorizado que a variedade arábica, é 2,3% inferior à média dos últimos seis anos.

"Houve uma valorização dos preços do café, mas isso vale para o produto fino, de alta qualidade. No caso brasileiro, da safra que colhemos em 2010 cerca de 30% foram de café robusta, 15% de café arábica de baixa qualidade e os 55% restantes de um produto melhor, capaz de aproveitar o bom momento de preços", diz o consultor Luiz Araripe, da Valorização Empresa de Café.

Se a elevação dos preços não favoreceu toda a safra de 2010 - estimada pela CONAB em 47,2 milhões de sacas - o aumento dos custos, especialmente da mão de obra, consumiram parcela significativa da rentabilidade da cultura. Em Guaxupé, onde predomina a colheita manual e a os grãos têm qualidade superior, o peso da mão de obra passaram a representar mais de 50% do custo total.

Já nos polos onde a mecanização pode ser introduzida, como no oeste da Bahia, a realidade é diferente. Se por um lado a operação e o aluguel de máquinas respondem por 26,5% dos custos, a parcela da mão de obra tem um peso de apenas 3,7%, conforme a CONAB.

"Os preços foram bons, mesmo durante o pico da colheita. Mas não podemos esquecer que existem diferenças de tecnologia em cada região produtora e que interferem diretamente na formação do custo. Nossos levantamentos apontam para oscilações entre R$ 250 e R$ 400 por saca", afirma Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).

Mesmo com a renda da última safra sendo comprometida em algumas regiões por conta dos custos, a expectativa para os próximos anos é de uma valorização ainda maior com melhor aproveitamento por parte dos cafeicultores. O ritmo de crescimento da oferta será inferior ao aumento da demanda. A dificuldade dos países da América Central em elevar a oferta e com a safra 2011/12 no Brasil sendo menor, devido ao ciclo de baixa da bienalidade do café, a expectativa é de alta mais expressivas a partir de 2011.

"Existe um otimismo grande em relação ao futuro dos preços e, de fato, teremos um período de bonança por algum tempo", diz Carlos Brando, diretor da P&A Consultoria. O consultor defende que diante do cenário atraente seria o ideal para promover mudanças necessárias à atividade. "É a chance que o Brasil tem para realizar mudanças estruturais no sentido de resolver o problema da rentabilidade da cultura", diz Brando, que aponta quatro pontos considerados essenciais.

O primeiro seria a criação de um movo modelo tecnológico para viabilizar a cafeicultura de montanha, uma das mais atingidas pelo custo da mão de obra. O segundo ponto é a necessidade de financiar a transferência e difusão das tecnologias já existentes. Outra mudança necessária é a alteração no sistema de financiamento, que tenha como base a produtividade e não apenas a área plantada, como ocorre hoje. Por mim, o quarto ponto envolve um plano de marketing efetivo, com objetivo de agregar valor ao café. "O problema é que o setor só se une para discutir assuntos importantes quando seus problemas estão prejudicando muita gente e nunca durante um período de bonança como o que se desenha agora", afirma Brando.

Diante das perspectivas positivas, a Cooxupé está colocando em prática um plano para ampliar sua capacidade de armazenagem e beneficiamento. São R$ 55 milhões para elevar em 40% sua estrutura e chegar a 4,5 milhões de sacas. A área para armazenamento começa a funcionar no mês que vem, enquanto a de beneficiamento entre em operação entre abril e maio de 2011. "A parte de beneficiamento é toda automatizada e será capaz de separar os cafés por cores e tamanhos, permitindo elevar a qualidade", afirma Paulino.
Fonte: Valor Econômico

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mão de obra escassa e curto tempo de colheita podem prejudicar café

A perspectiva é de “safra cheia” para 2010 em todo o país para os produtores de café. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para julho, divulgados nesta quinta-feira (5), a produção estimada no auge da safra 2010 é de 2.753.091 toneladas, ou 45,8 milhões de sacas de 60 quilos em grãos beneficiados. A produção deve crescer 13,2% em relação a 2009, quando o número de sacas produzidas foi de 40,5 milhões.

O IBGE alertou, no entanto, que, apesar de a produção ser grande, a qualidade pode ser prejudicada pela de mão de obra nas maiores regiões produtoras. O gerente de agricultura do instituto, Mauro Andreazzi, explicou que as constantes chuvas durante o inverno em 2009 acarretaram várias florações.

“Agora, na colheita, que é feita predominantemente por mão de obra braçal, encontramos frutos maduros e frutos verdes. Como a mão de obra é escassa e cara, e o tempo de colheita é muito curto, esses frutos acabam se misturando, e em alguns casos a mistura chega a 50%, comprometendo a qualidade do produto.”

Ainda segundo o IBGE, esse fato é agravado pelas informações de que os estoques de café de qualidade já são raros em todo o país. A boa notícia para o consumidor é que os preços não devem aumentar.
Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 20 de abril de 2010

Estudo aponta redução no custo da mão de obra do café

O aumento da rentabilidade da cafeicultura no Brasil e no mundo e o futuro da atividade passam necessariamente por mudanças no sistema de colheita do café. Por ser uma cultura perene, o processo de colheita representa pelo menos 50% dos custos de produção do café. A outra metade do custo fica dividida entre fertilizantes (30%) e demais despesas como água, energia, entre outros custos.

A conclusão de que a colheita é a peça-chave para a rentabilidade da cafeicultura é de um estudo elaborado pela P&A Consultoria, especializada no setor cafeeiro. Segundo o levantamento, a colheita seletiva dos grãos - processo em que os trabalhadores retiram dos pés apenas os grãos maduros - permite um elevado grau de seleção. Esse, porém, é o sistema de maior custo para os cafeicultores.

Levando-se em consideração uma mesma área, com a mesma quantidade de cafeeiros e dentro de um mesmo período de tempo, o sistema de derriça manual - em que o trabalhador retira todos os grãos de café do pé com as mãos - permite a colheita de um volume de três a cinco vezes maior do que no processo seletivo dos grãos.

"Diferentemente do que foi colocado historicamente pelos colombianos, a colheita seletiva do café não interfere na qualidade do produto final. Para se ter um café de alta qualidade na xícara você precisa de grãos 100% maduros, mas não que tenham sido 100% colhidos de forma seletiva", afirma Carlos Brando, diretor-presidente da P&A.

Há outras desvantagens no sistema de colheita seletiva, segundo ele. Quando se leva em consideração a chamada derriça mecânica - sistema que utiliza um instrumento em forma de garras para realizar a colheita - , além de haver uma substituição da mão humana pela "mão" mecânica, os volumes colhidos superam em 20 vezes o sistema seletivo e em até quatro vezes a derriça manual.

Quando a avaliação da consultoria leva em conta a colheita feita com colheitadeiras mecânicas as diferenças são maiores. Além de ser um trabalho menos desgastante para o agricultor, permitir uma colheita seletiva e ter um baixo custo, a máquina colhe um volume 500 vezes maior que o sistema seletivo, 100 vezes superior à derriça manual e 25 vezes maior que a derriça mecânica.

Hoje, no Brasil, apenas 1% da colheita do café é feita de forma seletiva. Na maior parte dos casos, o processo é feito por meio da derriça, seja ela mecânica (15%) ou manual (61%), sendo que aproximadamente 18% é feito por meio de colheitadeiras. "Essa sempre foi a vantagem competitiva que o Brasil teve. O café chegava mais barato porque o sistema de colheita utilizado era mais eficiente, só que isso está mudando", afirma Brando.

O consultor avalia que a vantagem brasileira está sendo consumida pelo desvalorização do real em comparação com o dólar. Por esse motivo, Brando defende que haja uma migração da colheita por derriça manual para a derriça mecânica e, quando possível, para a colheita mecanizada com um sistema de irrigação.

As alterações no sistema de colheita podem fazer bastante diferença. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que na Bahia, onde predomina a colheita mecanizada e o uso de irrigação, os custos de mão de obra representam apenas 9%, enquanto defensivos e fertilizantes somam 41%. Já em Guaxupé, no sul de Minas Gerais, onde as colheitadeiras são raras, o gasto com mão de obra, fixa e temporária, representa quase 50% do custo de produção.

Na Colômbia, praticamente toda a colheita do café é feita de forma seletiva, o que consequentemente exige um elevado volume de mão de obra. Apesar disso, Brando afirma que é possível identificar cerca de 3% de grãos verdes no café colombiano, quando não deveria existir nenhum. "O que é preciso ficar claro é que existe mercado para todos os tipos de café, tanto para os grãos maduros quanto para os verdes", afirma o consultor.

Geralmente, os grãos maduros são utilizados para a produção dos cafés finos e especiais, consumidos nos expressos. Já os grãos verdes, que não atingiram o ponto ideal de maturação e, por isso, não absorveram as melhores características da planta, são utilizados para a produção de bebidas tradicionais, consumidas em casa, com coador e também para café solúvel.

Especialistas consideram que mudanças são realmente necessárias. Dados da Conab mencionados em um estudo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Banco Brasdesco mostram que o setor, especialmente o de café arábica, enfrenta problemas de rentabilidade. Em Guaxupé, por exemplo, o setor fechou 2009 com um prejuízo operacional de 9%, considerando um custo médio de R$ 281,10 por saca e um valor médio recebido pelo produtor de R$ 256,18 por saca.
Fonte: Sincafé