terça-feira, 18 de maio de 2010

Café brasileiro na Bolsa de Nova York: conjunturas favoráveis à inserção

Desde que foi anunciada a possibilidade de adicionar o café arábica brasileiro de padrão lavado à lista de origens para entrega do contrato futuro na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), representantes do setor produtivo, lideranças e especialistas têm fomentado o debate como oportunidade para conquistar uma nova imagem no cenário internacional. Discutida há mais de uma década, ainda sem sucesso, a possibilidade de inserção do arábica brasileiro nos contratos de Nova York reflete um momento oportuno e justificado.

A reavaliação respalda-se no aumento do volume do café brasileiro de qualidade e de sua ampla aceitação no mercado. O volume de café brasileiro produzido por via úmida gira em torno de quatro milhões de sacas. Acrescenta-se a este cenário a escassez de lavados dos países da América Central e Colômbia, com risco de haver uma intensa especulação, com volume negociado desproporcional ao café passível de entrega. A escassez se deve tanto pela quebra de safra de tradicionais países produtores, em especial a produção colombiana que impacta o mercado, quanto pela expansão do mercado de cafés especiais, com uma segmentação de canais que progressivamente tem reduzido o volume negociado em bolsa.

Na avaliação do pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Luis Vegro, essa é uma oportunidade de ‘diamante’. “Talvez seja o fato mais importante para o agronegócio café brasileiro a ocorrer em 2010”, enfatiza, convocando as representações da cafeicultura a se mobilizarem para acelerar o processo e o aceite do café brasileiro para o contrato C em Nova Iorque. “Todo o agronegócio café deveria se mostrar coeso na aceleração desse processo, pois somente gera melhor precificação para essa qualidade que é crescente no Brasil, algo que deve variar entre R$40,00/sc a R$ 50,00/sc”, complementa.

A campanha para inserção dos cafés brasileiros processados por via úmida teve como marco importante um estudo técnico realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em 2004, que incluiu uma série de verificações da qualidade do café produzido em diversas regiões. As provas de qualidade, realizadas em Nova York por provadores de diferentes países, resultou na superação das barreiras de natureza técnica. Faltava superar outros fatores de natureza política e burocrática, que afastaram o Brasil por todos estes anos de participar destes contratos. Agora, mais uma vez, está sendo avaliada a oportunidade do Brasil se tornar origem em contratos que hoje já são negociados por 19 países.

Na avaliação do diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga Abreu Pires Filho, ter a cotação regida pela Bolsa facilita a formação do preço negociado, resultando em uma melhor precificação para os cafés que se adequem à qualidade exigida pelo contrato. Neste caso, a cotação na bolsa reduziria a volatilidade de preços com base em fatores internos, como o tamanho da safra ou estoques. Para este especialista em mercado de café, a opinião que mais vai pesar nesta consulta da ICE Futures será a dos grandes compradores, que já sinalizaram a necessidade de novos contratos. A mobilização interna também será importante no decorrer deste processo.

Como tradição para novos entrantes, considerando os padrões de qualidade e as cotações nos últimos cinco anos, a ICE Futures avalia que um diferencial de preço apropriado para o arábica do Brasil estaria dentro de um intervalo entre 7 a 9 centavos de dólar abaixo da paridade. De acordo com Guilherme Braga, de modo geral, o café lavado brasileiro já é negociado diretamente a compradores deste nicho, a preços superiores até mesmo ao referencial colombiano. Ele explica ainda que o diferencial do preço do café acompanha a oferta do mercado, sendo maior em anos em que a commodity apresenta qualidade média inferior. “Quando o café brasileiro estiver em NY, a tendência é que haja um diferencial de valorização”, destaca.

Para entender o assunto

Em debate na Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, da rede virtual Peabirus, onde o tema tem rendido grande participação, o professor de Economia da Universidade Federal de Lavras, Luiz Gonzaga de Castro Júnior, explicou que o contrato de café tipo C é o padrão mundial do café arábica. Os preços dos cafés verdes para a entrega física do produto, a partir dos 19 países de origem, são formados a partir da qualidade do produto perante uma base diferencial, o que resulta em prêmios ou descontos de acordo com os portos de entrega e origens.

Atualmente são 19 países certificados para emissão dos contratos: México, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, Quênia, Nova Guiné, Panamá, Tanzânia, Uganda, Honduras, e Peru, no valor do contrato, Colômbia com prêmio de 200 pontos, Burundi, Venezuela e Índia com100 pontos de desconto, Ruanda com 300 pontos de desconto, e a República Dominicana e o Equador com 400 pontos de desconto. A Bolsa de NY tem armazéns licenciados no porto de Nova York (valor nominal do contrato), no Porto de New Orleans, no Porto de Houston, no porto de Bremen/Hamburgo, no porto de Antuérpia, no Porto de Miami e no porto de Barcelona (com desconto de 1,25 cents/lb).

De acordo com o professor Gonzaga, para o café brasileiro e, consequentemente para o Brasil, é uma das melhores alternativas de marketing do produto. “A inclusão do Brasil como origem para entrega de café na ICE Futures deverá ampliar a visibilidade e a credibilidade do produto e, desta forma, a sua competitividade no mercado externo”, considera.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo

A produção mundial de café em 2010 deverá ficar por volta de 124milhões de sacas de 60 quilos, sendo que segundo estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) o Brasil será responsável por 47 milhões (38%) deste total. Destes 47 milhões da produção nacional estamos somando os 35,3 milhões de sacas de café arábica e 11,7 milhões de sacas do tipo robusta, sendo assim, o café tipo arábica representa cerca de 75% da produção total do país.

Veja através do gráfico algumas informações importantes sobre a produção mundial de café com dados de 2009



O Brasil e a Exportação
O Brasil tem participação em 32% das exportações de café no mundo, sendo que dois terços do total de café produzido no Brasil é exportado.

No exterior o café brasileiro que atualmente tem a saca cotada por volta de R$ 280,00possui valores bem superiores. Na Europa o Kg de café solúvel custa em média R$ 32,00no varejo e no Brasil apenas R$ 8,00.

Setor cafeeiro precisa aproveitar atual situação do mercado internacional
“A cafeicultura brasileira precisa aproveitar as oportunidades colocadas diante da atual situação do mercado internacional”, afirmou na manhã desta quinta-feira (13) o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi. O ministro participa de uma reunião, em Brasília/DF, com representantes da cafeicultura, incluindo parlamentares, produtores, cooperativas, exportadores, associações, além de membros da indústria e de entidades, como o Conselho Nacional do Café (CNC) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Atualmente, explicou Rossi, o mundo está com baixos estoques do grão, com queda na safra dos principais países produtores e há boa inserção do café nacional usado em blends (resultado da composição de grãos de diferentes espécies) nas regiões do planeta onde a bebida é mais consumida.

Produzir com eficiência
Para maximizar seus lucros o produtor deve ter foco na comercialização internacional de café e na qualidade do produto, sempre em busca de novas oportunidades. Seja eficiente, saia na frente e estreite sua relação com o sucesso: produza com qualidade!
Fonte: Revista Cafeicultura

Qualidade deve ser o foco da colheita de café

A colheita do café se inicia nas principais regiões cafeeiras, com estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para uma safra em torno de 47 milhões de sacas. Muitos produtores estão atentos aos cuidados essenciais para a manutenção da qualidade no período de colheita e pós-colheita. No entanto, a qualidade final da bebida, segundo especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), reflete um cuidado que abrange toda a atividade, desde a formação da lavoura ao manejo adotado seguindo boas práticas agrícolas. Na prática, para a obtenção de cafés de boa qualidade, torna-se fundamental a elaboração de um planejamento adequado que envolva todo o processo produtivo do café.

Na avaliação da pesquisadora da EPAMIG, Sara Maria Chalfoun, especialista na área de fitopatologia e microbiologia, a qualidade do café é construída durante todo o processo produtivo, resultando em um produto com histórico carregado de valores tangíveis e também intangíveis. Além de apresentar características sensoriais e físicas desejadas, o café deve estar livre de resíduos de qualquer natureza, sejam químicos ou metabólicos tóxicos produzidos por microorganismos.

Chalfoun argumenta que um produto final com características preservadas deve incluir o respeito ao ambiente e ao ser humano. Assim, a qualidade sinaliza também a adoção de boas práticas agrícolas, como a seleção de produtos menos agressivos, a otimização de sua aplicação e a observação dos períodos de carência. “É o sistema passível de rastreabilidade que vai conquistar cada vez mais a apreciação dos consumidores”, destaca.

A pesquisadora explica que ao amadurecer na planta, os fruto já iniciam a quebra de resistência natural contra microorganismos. Deve-se, portanto, ser adotado um manejo adequado para que não ocorra a fermentação indesejada nos frutos e nos grãos já colhidos. Ela orienta ainda que em regiões de elevada umidade de ar, deve haver uma integração de medidas de controle, não sendo, neste caso, recomendado o adensamento. Além destes cuidados, a colheita deve ser preferencialmente no pano, evitando-se o contato com o chão.

Ao longo da observação destes microorganismos, Sara Chalfoun e sua equipe de pesquisa, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Carlos José Pimenta e Marcelo Cláudio Pereira, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), identificaram que o microorganismo Cladosporium cladosporioides estava associado ao café de boa qualidade. Apelidado de “fungo do bem”, o produto tem potencial para preservar os frutos presentes nos cafeeiros e que secam na planta antes da colheita, para que não sejam comprometidos por fungos prejudiciais.

A reincorporação deste fungo saprófito à lavoura inibe a ação nociva de outros fungos, como agente bioprotetor da qualidade do produto final. A tecnologia está em fase de transferência para produção em larga escala. O fungo do bem já é produzido em uma biofábrica na Universidade, construída com o apoio articulador do Polo de Excelência do Café (PEC/Café).

Fatores relevantes

De acordo com o pesquisador da EPAMIG na área de colheita, pós-colheita e qualidade do Café, Marcelo Ribeiro Malta, a produção de cafés de qualidade vai depender de uma série de fatores, que somados vão exprimir o potencial de qualidade de determinado lote de café. Esses fatores já se iniciam com a escolha da região de cultivo, devido as condições edafoclimáticas que contribuem de maneira significativa na obtenção de cafés de qualidade diferenciada. Normalmente, regiões de maiores altitudes contribuem para a obtenção de cafés de melhor qualidade. Além disso, a escolha da cultivar que possua aptidão para região poderá influir no potencial de qualidade final do produto.

Atenção deve ser redobrada nos processos de colheita e pós-colheita do café (processamento, secagem e armazenamento), pois mesmo que a condução da lavoura cafeeira no campo tenha sido adequada, a qualidade pode se perder se as etapas posteriores não forem bem realizadas. Marcelo Malta reforça que a colheita deve ser realizada com o máximo de frutos maduros e o processamento ser o mais rápido possível, sem deixar os frutos amontoados na lavoura ou mesmo na unidade de processamento, seja por via seca ou úmida. O especialista comenta que muitos produtores expandem a área de produção sem o cuidado de redimensionar toda a estrutura da pós-colheita do café (processamento, secagem e armazenamento), perdendo assim a qualidade do café obtida na fase de campo.

Polo de Excelência do Café - http://excelenciacafe.simi.org.br/
Fonte: Revista Cafeicultura

Exportação de Café Gourmet, bom para o exportador e ótimo para o Brasil.

Por Diogo Freitas

Atualmente os consumidores de forma geral estão cada vez mais dispostos a buscar e consumir produtos visando à qualidade e o prazer que eles podem proporcionar. O Café Gourmet é um produto com alto valor agregado e com pouco reconhecimento no Brasil, já que o habito do brasileiro ainda não é consumir um café com características gustativas apuradas, mas sim utilizar um café feito com grãos que passam por um processo de seleção bem menos rigoroso do que os grãos utilizados no processo de fabricação de um café gourmet.

Em uma análise feita pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) , o café gourmet vem crescendo de forma significativa em seu volume de exportações, de forma a aumentar o seu crescimento em 15% a 20% da sua produção ao ano, sendo 90% destinada ao mercado externo. Esse dado comprova a grande oportunidade que os empresários do ramo têm em mãos, já que diferentemente da cultura brasileira a cultura internacional existente perante o consumo desse produto é forte e tradicional.

O mercado norte americano é referencia de consumo desse produto, e surpreendentemente o Mercado Asiático representado pela explosão de consumo da China com suas províncias, que até pouco tempo não demonstrava interesse no consumo de café em seus momentos de prazer e descontração.

Além do volume de vendas que representa esse produto, outro fator que faz com que os empresários do ramo observem o café gourmet com olhos de investidor é o valor agregado embutido, tanto pela qualidade quanto pela forte cultura positiva que acompanha o marketing de “produto brasileiro”.

Dessa forma a exportação de café gourmet representa a possibilidade de aumento do lucro. Já para os empresários com visão estratégica de mercado, é mais do que o aumento do lucro, a exportação de Café Gourmet representa a possibilidade de internacionalização da sua empresa, possibilitando, inclusive, um melhor posicionamento do composto de produtos destinados ao mercado interno.

O produtor de café que entrar nesse vantajoso mercado contribuirá também para que o Brasil saia do status de exportador de matéria prima ou commodities. Esse é o passo que todos os exportadores hoje deveriam buscar, afinal, porque só exportar matéria prima sendo que é possível também exportar valor agregado? Essa é uma pergunta que o governo brasileiro vem buscando incessantemente fazer aos produtores brasileiros, afinal, poderia elevar os lucros com a segunda opção.

Essa discussão entra no âmbito econômico, aonde é possível escutar de tempos em tempos nos jornais de maior abrangência nacional, chamadas como: “O Brasil fecha o primeiro trimestre do ano com superávit ou déficit de x %”. A busca do governo para implantação de uma cultura exportadora, não só de insumo como também para produtos de alto valor agregado, é justificada em uma de suas vertentes na Balança Comercial Brasileira que obviamente deixa claro que para o Brasil é mais interessante exportar café gourmet do que commodities de café negociadas em bolsa. Existem outras vertentes que ressaltam que além de adicionar valor monetário, a estratégia de agregar valor ao produto gera emprego e eleva a renda, estimulando o consumo, e conseqüentemente aquece e gira a economia brasileira.

O movimento que está se iniciando com o café gourmet serve de alerta para os empresários e produtores de outros segmentos, pois essa é uma grande saída para o crescimento da concorrência mundial, afinal é necessário se preocupar com o futuro, uma vez que a China e a Índia já estão tomando o mercado brasileiro com seus produtos e preços encantadores. Nesse sentido é necessário buscar estratégias como essa, para diferenciar-se das empresas asiáticas que muitas vezes não se preocupam em agregar valor, mas sim elevar o seu volume de vendas com produção em escala.

*Diogo Freitas, graduado em Administração com Habilitação em Comércio Exterior, MBA em Gestão Estratégica de Projetos e Diretor Executivo da empresa Atus Negócios Internacionais e Consultoria.
Fonte: Revista Cafeicultura

Cafeicultores de Nova Venécia apostam no terreiro de asfalto

Os produtores rurais de Nova Venécia já celebram mais uma grande conquista no setor agrícola. A Secretaria Municipal de Agricultura, em parceria com os próprios produtores, já construiu 60 terreiros de asfalto para a secagem de café. Os cafeicultores se mostram satisfeitos com os resultados.

A Prefeitura de Nova Venécia vem tratando o projeto como uma das principais prioridades do governo. A iniciativa surgiu com base no aumento da demanda do café que é produzido no município. Este ano a previsão é de que a produção chegue à casa das 450 mil sacas.

De acordo com o Secretário de Agricultura de Nova Venécia, José Elias Gava, os benefícios proporcionados pelo terreiro de asfalto são inúmeros. “O grão seca mais rápido e ainda não aglomera fungos no produto. Esta é a maneira ambientalmente correta de se trabalhar, já que elimina qualquer possibilidade de emissão de poluentes no meio ambiente e a queima irregular de madeiras. No final o grão sai mais valorizado se comparado com o café que passa pelo secador ou terreiro de chão. O produtor que opta pela construção do terreiro de asfalto economiza até 10% do valor total que seria gasto em toda a produção,” enfatiza.

Além de diminuir no custo e na mão-de-obra, o produtor ainda ganha no preço final. Os compradores de café pagam em média R$ 5,00 a mais em cada saca. “O mercado está cada vez mais exigente. Quando começamos a trabalhar com o novo terreiro, nosso produto ganhou mais valor e aceitação no comércio. Depois que vi os resultados fiquei mais empenhado para trabalhar”, comemora o produtor rural Elias Menon Selvatico.

Cada remessa de café leva cerca de cinco dias para chegar ao ponto ideal de pilagem no terreiro de asfalto, o que é praticamente impossível no terreiro de chão. O agricultor Pedro Vialeto foi um dos que procuraram a Secretaria Municipal de Agricultura para firmar uma parceria e garante: “antes era preciso alugar secadores para dar conta da produção, mas o produto saía danificado. Agora a realidade é outra”.

A iniciativa tem o objetivo de atender principalmente a Agricultura Familiar. Na parceria, os proprietários entram com os produtos e mão-de-obra e a Secretaria se encarrega de disponibilizar todo o maquinário necessário e ainda auxilia na maneira correta de construir.
Fonte: Campo Vivo

Super safra de café, bolso vazio para o produtor

Embora a Conab tenha anunciado estimativa positiva para a próxima safra, cafeicultores capixabas enfrentam baixos preços na venda do café. Queda dos valores do produto não chega ao bolso do consumidor

De um lado, o anúncio de que a estimativa da safra capixaba de café para este ano vai superar todas as expectativas de mercado. De outro, um dos momentos mais difíceis para o cafeicultor, que amarga preços achatados e crescimento dos custos de produção. Diferença que não chega às prateleiras dos supermercados.

Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes) os bons números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) mascaram a verdadeira realidade da cafeicultura capixaba, que enfrenta crise de preços de venda e custos de produção, que abocanham grande parte do valor de comercialização.

Segundo a Conab, espera-se que o Espírito Santo produza 11.031 sacas de café este ano, número considerado expressivo, levando-se em conta que o estado enfrentou forte estiagem no início de 2010. O presidente da Faes, Júlio Rocha Jr., defende que o aumento da produção aconteceu principalmente em decorrência de altos investimentos dos cafeicultores.

“Existem hoje no Estado, principalmente em Linhares e Jaguaré, lavouras altamente tecnológicas, que receberam grandes investimentos e por isso conseguem responder melhor à crise que a estiagem causou. Esse não é o caso da maior parte dos cafezais do Espírito Santo. Temos que exponenciar os feitos das pesquisas, mas precisamos apontar também que a cafeicultura enfrenta um momento muito difícil, que é o de queda nos preços. O produtor está gastando mais para produzir e ganhando menos com a venda. E de outro lado, o consumidor não sentiu diferença nos supermercados”, explica Júlio Rocha.

O último levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o custo de produção do café de Santa Tereza, por exemplo, responde por 84,9% do valor de vendo do produto. Ou seja, o produtor lucra apenas R$ 41,44 por saca de café comercializada.

As sacas de café capixaba estão sendo vendidas a preços muito inferiores ao valor do ano passado. Em 2009, a saca do Conilon tipo 7 chegou a custar, em média, R$ 215. Este ano não passou dos R$ 167. Valor que não cobre os gastos do produtor rural, com insumos e mão de obra. Houve acréscimo de aproximadamente 30% no custo da colheita do café. Valor decorrente da elevação do preço da mão de obra, dos produtos e dos investimentos em tecnologias para a melhoria da produção.

“O valor que recebemos pela saca de café não é suficiente para cobrir os gastos de nossa produção e não rende capital de giro para trabalharmos uma próxima colheita”, conta o cafeicultor, Antônio José Baratela.

Segundo Baratela, a seca reduziu a qualidade do café produzido, o que significa perda de produção. “O volume da produção pode ser atingido, mas o peso da saca não será alcançado como antes. O produtor vai ter que colocar mais grãos em uma mesma sacaria para atingir os 60 kg”.
Fonte: Iá! Comunicação.

Futuros de café caíram na bolsa de Nova York na sexta-feira

Os futuros de café caíram na bolsa de Nova York na sexta-feira pressionados pela alta do dólar e pela preocupação de que a crise da dívida na Grécia poderá se estender. Os papéis com vencimento em julho encerraram o pregão em US$ 1,343 a libra-peso, forte recuo de 280 pontos. O mercado de commodities caiu diante do receio de que a crise na Grécia poderia trazer repercussões diretas em outros países da zona do euro, como Espanha e Portugal, segundo a Dow Jones Newswires. A condição levou os traders a buscarem segurança no dólar. Fundos especulativos venderam commodities na tentativa de reduzir o volume desses papéis de suas carteiras. No mercado interno, a saca de 60 quilos do arábica teve queda de 1,2% cotado a R$ 288,50, segundo o Cepea/Esalq.
Fonte: Valor Econômico