sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Para reduzir perdas, exportador deixa mais receitas no exterior

Com a queda no dólar, os exportadores têm deixado suas receitas fora do país de forma a não perder com as cotações deprimidas. Só trazem os recursos para dentro quando veem alguma alta, mesmo que momentânea, da cotação, ou quando precisam para pagar as contas em reais no mercado interno, como acontece no final do ano. No final de agosto, último dado divulgado pelo Banco Central, a diferença em 12 meses entre o que foi efetivamente exportado e o câmbio contratado para exportação estava em US$ 17,3 bilhões, a mais alta desde abril do passado. Ou seja, as vendas externas foram superiores em US$ 17,3 bilhões aos dólares que entraram no país com origem nas exportações. É um número aproximado do que os exportadores mantém fora do país.

E o que os exportadores têm feito com esse dinheiro lá fora? Em primeiro lugar, pago suas crescentes importações e à vista. Em geral, os grandes exportadores brasileiros também são os que mais importam. "Os importadores estão aproveitando o câmbio baixo para pagar suas compras nos mercados externos e à vista, sem financiamento", diz Marlene Milan, diretora do Departamento de Câmbio do Bradesco. Os mesmos exportadores usam seus recursos que ficam no caixa no exterior para pagar dívidas externas de uma forma geral. O dólar baixo favorece o pagamento, até mesmo antecipado, de dívidas na moeda americana.

Somente em agosto, o câmbio contratado para exportação foi US$ 4,2 bilhões inferior às exportações efetivamente realizadas. O curioso foi o que aconteceu com os importadores, que compraram no mercado interno de câmbio US$ 71 milhões a mais em agosto do que necessitavam para pagar as importações. Em setembro, essa diferença foi ainda maior: nas três primeiras semanas, segundo os números parciais divulgados pelo Banco Central e pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic), o câmbio contratado para importação superou em US$ 3,9 bilhões as importações efetivamente realizadas. O câmbio contratado para esse fim foi de US$ 13,7 bilhões, enquanto as importações foram de US$ 9,8 bilhões até o dia 24. Os importadores estão aproveitando a queda no dólar americano e comprando com tudo, inclusive para pagar importações já feitas, e, com isso, ajudam o Banco Central e o Tesouro na tarefa de manter o real um pouco menos forte. O saldo do câmbio comercial contratado me setembro até o dia 24 foi negativo em US$ 2,6 bilhões, acumulando um déficit total de US$ 4 bilhões no ano.

No Bradesco, segundo conta Marlene Milan, o câmbio à vista contratado para importação cresceu 40% neste ano, em sintonia com o crescimento real das importações. Já o financiamento para as importações cresceu menos, cerca de 15% no mesmo período, de acordo com a executiva.

Enquanto as importações e o câmbio contratado para este fim tendem a crescer com a proximidade do final de ano, também se observa uma tendência sazonal de os exportadores trazerem mais dólares para o país neste período, de forma a fazer frente a pagamentos de tributos e do décimo terceiro salário em reais. Em setembro, até o dia 24, o total de dólares de exportações que ingressou no país até o dia 24 chegou a US$ 11,12 bilhões, segundo o Banco Central, um número US$ 472 milhões superior aos US$ 10,648 bilhões que foram exportados no período, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento.

Segundo os bancos que detém contas dos exportadores no exterior, a maior parte deles mantém o dinheiro no mercado internacional investido em transações de curto prazo, para quitar dívidas que estão vencendo. Muitas empresas usam o caixa no exterior para comprar eurobônus de empresas brasileiras e algumas, mais ousadas, fazem aplicações em reais no mercado externo. Há bancos que oferecem até fundos em reais no exterior para as companhias.

O exportador acaba trazendo para o país o caixa que vai ser usado mais no longo prazo para investir em reais, devido aos juros atraentes. Ele tende, porém, a esperar que o dólar se fortaleça para ganhar mais reais na entrada. Transações com derivativos para proteger as receitas em dólares dos exportadores têm acontecido, mas de forma bem mais rara e sem alavancagem do que em 2007 e 2008.
Fonte: Valor Econômico

Medo da estiagem faz café subir 8,25% na BM&F

Assim como nos Estados Unidos, o clima foi o principal responsável pelos desempenho dos preços das commodities agrícolas na BM&FBovespa. O mercado, no entanto, teve dois momentos bem determinados: a expectativa de uma estiagem prolongada, resultado da transição do El Niño para a La Niña, e o início efetivo da temporada de chuvas, que foi registrado a partir da segunda metade do mês passado.

Na bolsa brasileira, o milho foi o produto que mais foi influenciado pelo mercado climático. Os preços do grão acumularam uma valorização de 17,5% em setembro, diante da expectativa que a falta de chuvas pudesse atrasar o plantio da próxima safra no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. O preço médio do milho da BM&F em setembro foi de R$ 26,55 por saca, o valor mais alto desde julho de 2008.

"Apesar da chegada das chuvas, os fundos continuam acreditando na valorização dos grãos no mercado internacional, incluindo o Brasil, mas com forte enfoque para o milho", diz Eduardo Tang, analista da Gradual Investimentos.

O analista lembra que apesar de o mercado do milho na BM&F ter uma certa independência da bolsa de Chicago, em setembro, as duas bolsas seguiram as mesmas tendências. Isso porque, existia no mercado doméstico a expectativa que o Brasil fosse agressivo nas exportações no mês passado, devido aos leilões para escoamento da produção realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

"Com o início das chuvas, outubro será diferente do ponto de vista climático. Dependendo do Estado, o plantio do milho será feito dentro da janela determinada para o cultivo", afirma Tang.

Assim como o milho, os preços do café foram bastante influenciados pela demora na chegada das chuvas e pelas perspectivas de perdas de floradas. Ao longo do mês, os preços do café atingiram um pico, iniciaram um movimento de realização de lucro no meio do mês, para voltar a reagir nos últimos dias. Com isso, as cotações do café acumularam uma valorização de 8,25% no mês passado sobre agosto.

"O mercado ficou bastante sensível ao clima, mas com a melhora das condições houve uma realização de lucros na segunda metade do mês", afirma Maurício Penteado, analista da Icap. O analista lembrou, no entanto, que a desvalorização do dólar no mercado internacional, estimulou uma procura maior por commodities, inclusive pelo café da BM&F. "Apesar das chuvas e alguns fundamentos, acredito que o mercado continuará exposto às especulações, que agora estarão ligadas mais a aspectos macroeconômicos", afirma Penteado.

Nos demais mercados da bolsa brasileira, o mês de setembro foi de ganhos, seguindo a tendência das demais commodities. Os preços médios do boi gordo ficaram em R$ 92,73 por arroba, valorização de 4% sobre agosto. No acumulado de 2010, as cotações do boi gordo registram ganhos de 25,5% e de 15,17% nos últimos doze meses até setembro.

A soja, que seguiu a mesma trajetória de preços da bolsa de Chicago, fechou setembro com um preço médio de US$ 24,82 por saca, alta de 3,7% sobre o mês anterior. Em 2010 o grão acumula valorização de 6,8%, e de 15,16% em doze meses.
Fonte: Valor Econômico

Aumentam os recursos para aquisição de estoques de café e estocagem

Elevação do limite atualmente é de R$ 20 milhões para até R$ 30 milhões para cada empresário

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira, 30, o remanejamento da sobra dos recursos de custeio previstos neste ano para o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Os recursos poderão ser contratados pela indústria para aquisição de estoques de café e estocagem.

Dos R$ 522 milhões reservados para a colheita deste ano, foram utilizados somente R$ 262 milhões. A disponibilidade de recursos na conta do Financiamento para Aquisição de Café (FAC) permitiu também a elevação do limite de contratação, atualmente de R$ 20 milhões para até R$ 30 milhões para cada empresário.

O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bitencourt, informou que o redirecionamento dos recursos atendeu a pedido do Ministério da Agricultura, que vai aproveitar para colocar no mercado um estoque de 480 mil sacas de café guardadas de 1987 até 1999. Esse estoque poderá ser vendido até o final de dezembro, em leilões públicos. Bittencourt disse que o momento é propício porque há demanda de mercado e os preços estão convidativos.

O CMN aprovou também a extensão do prazo final de contratação de FAC para aquisição de café da safra 2010/2011, de 30 de setembro deste ano para até 3 de janeiro de 2011. Os recursos dessa modalidade de crédito vão poder ser utilizados pela indústria para compra do produto nos leilões públicos da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB).

O CMN atualizou os recursos previstos para estocagem de café neste ano de R$ 940 milhões para R$ 1,05 bilhão. O caixa do FAC subiu de R$ 313 milhões para R$ 463 milhões depois que a colheita envolveu despesas de R$ 262 milhões, contra a reserva aprovada no início do ano de R$ 522 milhões para essa destinação.
Fonte: Revista Cafeicultura

Mercado de cafés especiais procura baristas

Segundo a Associação Brasileira de Café e Barista (ACBB), o Brasil deve se tornar até o ano que vem o maior mercado consumidor de café do mundo, superando os Estados Unidos. Boa parte desse crescimento pode ser atribuída ao mercado de cafés especiais, que, de acordo com a ACBB, cresce 20% ao ano no País.

A associação aponta que esse interesse pode ser medido pela grande quantia de empresas da área que estão vindo para o Brasil, entre elas fabricantes de máquinas e lojas especializadas, como a americana Starbucks. ”Está havendo crescimento do mercado de cafés especiais em todo o mundo. É uma moda entre os jovens”, diz Geórgia Franco, diretora da ACBB e barista.

Nesse cenário, aumenta também a demanda por baristas, os mestres em preparar bebidas cujo ingrediente principal é o café. Esses profissionais não são apenas operadores de máquinas de café: altamente capacitados, eles preparam opções cada vez mais especializadas e refinadas para o freguês.

”A partir do momento em que o consumidor diferencia o café bem tirado, o mercado vai valorizar cada vez mais os bons profissionais”, aponta Geórgia. Ela é organizadora da etapa paranaense do Campeonato Brasileiro de Barista, realizada no Mercado Municipal de Curitiba entre quinta-feira da semana passada e o último domingo.

Cléia Junqueira, também diretora da ACBB, destaca que essas competições refletem o interesse crescente pela carreira de barista. ”Os campeonatos brasileiros e as regionais ajudam muito a divulgar a profissão”, afirma a diretora, que estima que o Brasil tem atualmente cerca de seis mil baristas realmente qualificados e especializados. ”Há mercado no Brasil inteiro”, diz Cléia.

Há possibilidade de bons salários na profissão: as diretoras descrevem que os profissionais começam geralmente recebendo salário mínimo, mas os ganhos podem passar dos R$ 3 mil. ”Para ser barista, é necessário, em primeiro lugar, gostar de café, obviamente. Segundo, ter um pouco de aptidão”, explica Geórgia. ”Aptidão, no sentido de ser detalhista, organizado”, complementa Cléia.

Tramita atualmente no Congresso Nacional um projeto de lei para a regulamentação da profissão de barista no Brasil. A matéria propõe que o profissional deve possuir diploma de curso, em nível técnico ou equivalente, expedido por estabelecimento devidamente registrado no órgão competente, e submeter-se a cursos de especialização reconhecidos por órgãos de notório conhecimento na técnica e que estejam devidamente cadastrados junto a órgãos de fiscalização estatal. ”O profissional terá que passar por provas teóricas, práticas e sensoriais”, explica Geórgia.
Fonte: Revista Cafeicultura

Linhas de crédito do Funcafé terão mais recursos de R$ 260 milhões para estocagem e aquisição de café na safra 2010/2011

Conselho Monetário aprovou a redistribuição de R$ 260 milhões para estocagem e aquisição de café na safra 2010/2011

Duas linhas de crédito do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) terão mais recursos durante a safra 2010/2011. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira, 30 de setembro, a redistribuição de R$ 260 milhões para financiamento da estocagem (R$ 110 milhões) e aquisição de café (R$ 150 milhões). Com a medida, o valor destinado a essas linhas de crédito passa de R$ 1,25 bilhão para R$ 1,51 bilhão.

Os R$ 260 milhões faziam parte de recursos não aplicados pelos agentes de crédito para financiamento da colheita. “Como a demanda de empréstimos para colheita foi menor que a esperada, redirecionamos esse valor para apoiar a armazenagem do café pelo produtor rural e o abastecimento de matéria-prima pela indústria”, informa Robério Silva, diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura.

O CMN autorizou também a prorrogação do prazo de contratação do Financiamento para Aquisição de Café (FAC), que se encerraria hoje. Os interessados poderão buscar o financiamento até 3 de janeiro de 2011. O Conselho decidiu ainda que os recursos do FAC poderão ser utilizados para compra de café leiloado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até 31 de janeiro do próximo ano.

O diretor do Ministério da Agricultura afirma que as medidas do CMN são importantes, já que a comercialização da safra atual deve ser mais prolongada em decorrência do alto volume colhido - 47 milhões de sacas.
Fonte: Revista Cafeicultura

Governo vai vender 480 mil sacas de café do estoque oficial

O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, afirmou hoje que o governo vai vender 480 mil sacas de café de safras antigas do estoque oficial. O café guardado nos estoques públicos é de 1987 a 1999 e é o que resta nas mãos do governo, sem contar o volume referente aos contratos de opção lançados no ano passado. Segundo ele, a intenção é a de desovar os estoques até janeiro do próximo ano.

O secretário enfatizou que as vendas, que devem ter como destino as indústrias interessadas em formar blends, devem ser realizadas de forma espaçada porque o governo não tem a intenção de reduzir os preços que estão no mercado. O dinheiro das vendas será revertido para o Funcafé.
Fonte: Revista Cafeicultura

Café: Chuva deve induzir florada no sul de MG

O retorno das chuvas nas lavouras do sul de Minas Gerais deve induzir a florada dos cafezais locais. Segundo colaboradores do Cepea, boa parte das plantas já está abotoada, estágio que antecede o aparecimento das flores. Dessa forma, a expectativa é de que as florações apareçam neste final de semana. É necessário, contudo, que as chuvas sejam constantes, para que haja o “pegamento” das flores. Quanto ao mercado, a forte queda nos preços internacionais de arábica reduziu os negócios no Brasil nessa quinta-feira, 30, conforme levantamentos do Cepea. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, foi de R$ 318,81/saca de 60 kg na quinta, recuo de 1,5% em relação ao dia anterior.
Fonte: Cepea