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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Medo da estiagem faz café subir 8,25% na BM&F

Assim como nos Estados Unidos, o clima foi o principal responsável pelos desempenho dos preços das commodities agrícolas na BM&FBovespa. O mercado, no entanto, teve dois momentos bem determinados: a expectativa de uma estiagem prolongada, resultado da transição do El Niño para a La Niña, e o início efetivo da temporada de chuvas, que foi registrado a partir da segunda metade do mês passado.

Na bolsa brasileira, o milho foi o produto que mais foi influenciado pelo mercado climático. Os preços do grão acumularam uma valorização de 17,5% em setembro, diante da expectativa que a falta de chuvas pudesse atrasar o plantio da próxima safra no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. O preço médio do milho da BM&F em setembro foi de R$ 26,55 por saca, o valor mais alto desde julho de 2008.

"Apesar da chegada das chuvas, os fundos continuam acreditando na valorização dos grãos no mercado internacional, incluindo o Brasil, mas com forte enfoque para o milho", diz Eduardo Tang, analista da Gradual Investimentos.

O analista lembra que apesar de o mercado do milho na BM&F ter uma certa independência da bolsa de Chicago, em setembro, as duas bolsas seguiram as mesmas tendências. Isso porque, existia no mercado doméstico a expectativa que o Brasil fosse agressivo nas exportações no mês passado, devido aos leilões para escoamento da produção realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

"Com o início das chuvas, outubro será diferente do ponto de vista climático. Dependendo do Estado, o plantio do milho será feito dentro da janela determinada para o cultivo", afirma Tang.

Assim como o milho, os preços do café foram bastante influenciados pela demora na chegada das chuvas e pelas perspectivas de perdas de floradas. Ao longo do mês, os preços do café atingiram um pico, iniciaram um movimento de realização de lucro no meio do mês, para voltar a reagir nos últimos dias. Com isso, as cotações do café acumularam uma valorização de 8,25% no mês passado sobre agosto.

"O mercado ficou bastante sensível ao clima, mas com a melhora das condições houve uma realização de lucros na segunda metade do mês", afirma Maurício Penteado, analista da Icap. O analista lembrou, no entanto, que a desvalorização do dólar no mercado internacional, estimulou uma procura maior por commodities, inclusive pelo café da BM&F. "Apesar das chuvas e alguns fundamentos, acredito que o mercado continuará exposto às especulações, que agora estarão ligadas mais a aspectos macroeconômicos", afirma Penteado.

Nos demais mercados da bolsa brasileira, o mês de setembro foi de ganhos, seguindo a tendência das demais commodities. Os preços médios do boi gordo ficaram em R$ 92,73 por arroba, valorização de 4% sobre agosto. No acumulado de 2010, as cotações do boi gordo registram ganhos de 25,5% e de 15,17% nos últimos doze meses até setembro.

A soja, que seguiu a mesma trajetória de preços da bolsa de Chicago, fechou setembro com um preço médio de US$ 24,82 por saca, alta de 3,7% sobre o mês anterior. Em 2010 o grão acumula valorização de 6,8%, e de 15,16% em doze meses.
Fonte: Valor Econômico

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Café: Danos da estiagem à safra 2011/12 já são irreversíveis

Apesar de a maioria das regiões brasileiras já ter registrado chuvas nesta semana, agentes consultados pelo Cepea ainda mostram-se preocupados com a produção da próxima safra (2011/12). Colaboradores do Cepea comentam que a longa estiagem que atingiu as praças cafeeiras já ocasionou danos irreversíveis, que deverão ser amenizados apenas na temporada seguinte (2012/13). Segundo agentes consultados pelo Cepea, as expectativas para a safra 2011/12 já não eram de produção elevada, visto que a bienalidade será negativa. Além disso, como a atual temporada (2010/11) foi marcada por um grande volume produzido – acima da maioria dos anos de bienalidade positiva – a próxima temporada pode ser menor em relação a outros anos de bienalidade negativa.
Fonte: Cepea

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Estiagem pode agravar danos nas lavouras

Cafeicultores estão preocupados com a estiagem. Segundo colaboradores do Cepea, se não chover até o final de setembro, os danos já causados aos cafezais podem ser agravados. Além disso, as pequenas floradas ocorridas em meados de julho podem ser perdidas devido ao déficit hídrico do solo, conforme pesquisas do Cepea. Quanto aos preços, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, foi de R$ 333,07/saca de 60 kg na quinta-feira, 16, alta de 0,44% em relação ao de quarta. O Indicador CEPEA/ESALQ do café robusta tipo 6 peneira 13 acima fechou a R$ 169,04/saca de 60 kg, praticamente estável em relação ao de quarta-feira.
Fonte: Cepea

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O drama da estiagem prolongada no Estado

Safra do café comprometida
Júlio Rocha

Em plena época das chuvas, o Espírito Santo passa por uma situação crítica para a sua agricultura e pecuária, pela ausência quase total de ocorrência de chuvas em período superior a 90 dias em todo o seu território, chegando a 120 dias, em alguns municípios. O registro a menor entre 50% e 70% de chuvas no período já compromete 45%do café conilon não-irrigado do Estado para a próxima safra, comprometendo também a safra 2010/2011, porque as lavouras não emitirão ramos novos suficientes para se garantir as produções tradicionais.

As elevações das temperaturas máximas registradas no período superam entre 1,7ºC e 3,6ºC as máximas diárias de considerável período histórico. O decréscimo da produção de leite está sendo ainda de 30% (300.000l/dia), porque está sendo consumida a ração que seria usada no período de entressafra.

Os prejuízos da agricultura e pecuária até o momento são da ordem de R$ 700 milhões. Ainda que as culturas irrigadas possam garantir significativo volume da produção, a situação é muito grave porque a maioria dos produtores, que não dispõem de irrigação, terão lamentavelmente as maiores perdas percentuais de suas lavouras.

Constantes reuniões têm sido realizadas com os órgãos envolvidos para a discussão das possíveis soluções para se atenuar tão grave realidade. Questões emergenciais, como a renegociação das dívidas, têm merecido atenção especial, com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, Aquicultura e Pesca, junto aos organismos financeiros e demais órgãos representativos dos produtores.

A descapitalização do segmento e a imperiosa necessidade de se planejar e implementar ações estruturantes, que envolvem investimentos, merecem atenção especial, como a definição de uma sólida iniciativa de captação e reserva de água. A facilitação dos organismos de controle, na desburocratização possível dos pedidos de licenciamento e outorga, bem como da atenuação ou abolição das taxas cobradas devem ser tratadas como prioridade absoluta.

O período crítico, comprovado pelas estações meteorológicas, tem que ser descontados de eventuais vistorias dos imóveis rurais. O esforço conjugado de órgãos governamentais, da sociedade civil, de prefeituras e bancos para se alcançar o mais rápido possível a decretação de Estado de Emergência nos municípios facilitará muito a renegociação das dívidas. Disponibilizamos a Federação de Agricultura, os sindicatos rurais e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para prestarmos com os demais parceiros as orientações e a capacitação de que nossos produtores tanto necessitam e merecem nessa situação de imensas dificuldades.

Júlio Rocha é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes).

Perdas são de até 80%
Enio Bergoli

Nos últimos meses, vivenciamos uma intensa anomalia climática no nosso Estado. Neste que deveria ser o tradicional período das águas, as precipitações foram poucas e muito irregulares, chamadas "chuvas de manga". Na média, de novembro até o momento, choveu por aqui menos da metade do esperado para o período, na maioria de nossas regiões. Para agravar o quadro, no mês de janeiro, a média das temperaturas máximas ficou entre 2º e 4º C acima da média histórica.

A falta e a irregularidade das chuvas, aliadas às elevadas temperaturas, provocam a redução da produção agropecuária, com prejuízos nas propriedades rurais que variam de 10% a 80%, conforme o produto, e o sistema de produção empregado. Vale lembrar que a agricultura é a atividade econômica mais sensível às adversidades climáticas.

Neste momento, duas ações emergenciais para o enfrentamento da seca estão em andamento. Os municípios mais afetados devem iniciar o processo para a decretação de situação de emergência, o que facilita e acelera procedimentos públicos para aquisições e contratações. A outra ação emergencial é a prorrogação ou negociação de dívidas de crédito rural. O governo do Estado já pactuou essa medida com os agentes financiadores. Os agricultores afetados devem procurar as agências onde o crédito foi contraído, contando com o apoio dos escritórios do Incaper e dos sindicatos que atuam no rural. Para os agricultores familiares há ainda a possibilidade de acionar o seguro Proagro.

Contudo são as ações estruturantes que possibilitam a convivência com essa e com as inúmeras secas que, infelizmente, ainda estão por vir. Em resumo, devemos ter em mente que não há produção agrícola sem água e que solos muito expostos, com pouca cobertura vegetal, não conseguem boa armazenagem. E o solo é o nosso grande reservatório de água.

Armazenar água, por meio da construção de barragens individuais e coletivas, utilizar métodos mais econômicos de irrigação, usar variedades que toleram o déficit hídrico, priorizar sistemas agroflorestais e plantios mais adensados ou sombreados são exemplos de ações estruturantes para conciliar a falta de chuvas com a produção agrícola.

Hoje há uma parcela de agricultores que já adotam essas e outras medidas estruturantes, boa parte advinda de programas conduzidos pelo governo do Estado, com uso de recursos próprios ou de crédito rural. E são justamente esses produtores rurais que têm os menores percentuais de perdas de safras, em épocas como essa.

Precisamos, definitivamente, conciliar a geração de renda no campo, via adoção de tecnologias que usem menos água e energia, com a recuperação e preservação dos recursos naturais. A solução dessa equação será uma vitória de todos e um legado que deixaremos.

Enio Bergoli é secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca.
Fonte: Jornal A Gazeta