terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Capixabas dizem não à importação de café

Foi assinado no último dia 30 um documento técnico que reforça posição contrária sobre a importação de café no Brasil. A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES), Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo (Fetaes) assinaram o documento que reforça ainda a posição conjunta favorável à construção de políticas públicas eficientes para todos os elos da cadeia produtiva do café brasileiro.

Na solenidade estiveram presentes o senador Renato Casagrande, os deputados estaduais os deputados estaduais Eustáquio Freitas, César Colnago e Athayde Armani, que é presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, além do deputado federal Lelo Coimbra, do secretário de agricultura do Espírito Santo, Ênio Bergoli e dos prefeitos de São Mateus e João Neiva, Amadeu Boroto e Luiz Carlos Peruchi, respectivamente. Cerca de 130 pessoas também participaram da reunião, dentre elas produtores e presidentes de Sindicatos Rurais.

Frente ao preço do café em queda desde março de 2009, o setor cafeeiro capixaba acredita que importar o produto sem uma regulamentação pode se tornar um risco. O Espírito Santo, que possui 16% da sua economia agrícola baseada no café, pode ser prejudicado por não conseguir concorrer com países como o Vietnã, por exemplo. Lá não existem leis de amparo trabalhista, o que influencia na queda do preço da mão de obra, e consequentemente, nos custos de produção e no valor final do produto.

Algumas políticas públicas sugeridas no documento para fomentar a produção cafeeira no Brasil são a exportação de café com maior valor agregado, a formação de estoques reguladores públicos e incentivos pactuados com o segmento industrial à estocagem, a produção de estudos aprofundados sobre toda a cadeia produtiva do café (oportunidades, riscos e legalidade) e o desenvolvimento de uma marca para o produto brasileiro industrializado.

Quilombolas no norte

Na reunião foi discutido também o lançamento, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, de uma portaria que reconhece e declara 1.219.549 hectares de terras de São Mateus como pertencentes à Comunidade Quilombola de Serraria e São Cristóvão. Os proprietários rurais da região estão revoltados com a medida e alegam que as terras indicadas são em sua maioria de pequeno porte, produtivas e estão devidamente escrituradas.

O INCRA notificou os proprietários, que tiveram suas defesas indeferidas. O órgão então aprovou um relatório de demarcação do território e irá anular as escrituras já existentes.

A questão gera insegurança e preocupação na região norte do Estado. A população rural vive em constante instabilidade, temendo a invasão de terras pelos quilombolas e a desapropriação. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo, Júlio Rocha, acredita que os interesses vão além das comunidades de Serraria e São Cristóvão. "Eles querem esses 1.219.549 hectares como ensaio para abocanharem, na mesma região, mais 14 mil hectares em São Jorge e 11 mil em Linharinho", declara.
Fonte: Sincafé

ES: instituições buscam consolidação da cadeia de café

Nesta segunda-feira (30), o Governo do Estado e as organizações que representam os cafeicultores capixabas formalizaram um documento técnico que será entregue aos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Planejamento, da Fazenda e de Desenvolvimento Agrário (MDA), para reforçar a contrariedade às operações de importação de café verde pelo Brasil e posição conjunta favorável à construção de políticas públicas que sejam eficientes para todos os elos da cadeia produtiva do café brasileiro.

Intitulado 'Não à importação e sim à construção de políticas públicas eficientes para todos os elos da cadeia produtiva do café brasileiro', o documento foi assinado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES), Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo (Fetaes).

As instituições que produziram o documento consideram que as ameaças que pairam sobre a cadeia produtiva do café, como rumores de importação e preços abaixo dos custos de produção, afetam fortemente o segmento da produção. Elas afirmam ainda que os ciclos de oferta mundial do café e os movimentos especulativos que se apropriam das falhas de mercado distribuem desigualmente os riscos da atividade, em desfavor dos produtores rurais, principalmente em períodos de baixa.

O presidente da Fetaes, Joel de Abreu, destacou que esse é o momento ideal de luta em prol dos produtores. "Nós temos um produto de excelente qualidade e diversas pessoas envolvidas nessa cadeia produtiva, por isso temos uma grande preocupação com os trabalhadores, já que pode voltar a ocorrer com mais intensidade o êxodo rural", avaliou.

Propostas para a consolidação da cadeia agroindustrial de café brasileiro

- Formação de estoques reguladores públicos e incentivos pactuados com o segmento industrial à estocagem, visando à regularidade de oferta e à garantia de preços mínimos compatíveis para os cafeicultores, para manter no longo prazo a posição de liderança brasileira no mercado mundial de café;

- Promoção de estudos aprofundados (ambiental, trabalhista, sanitários) sobre a oportunidade, legalidade e riscos, para todos os agentes da cadeia produtiva do café, da adoção do regime drawback, com as indicações de medidas de salvaguarda, ou até mesmo compensatórias, necessárias à abertura das importações de café verde, em especial os riscos de pragas e os desequilíbrios de custos;

- Exportação do café com maior valor agregado. Nossa condição de exportador de café verde, historicamente dominante, amplia as vulnerabilidades do setor, principalmente em períodos de escassez de oferta, que afetam mais o segmento industrial, ou de abundância de safras, que prejudicam mais os cafeicultores;

- Estabelecimento de uma nova política industrial para o café. Com foco numa plataforma para a exportação de industrializados, incentivos ao setor privado e equacionamento de gargalos de logística, especialmente no transporte e na infraestrutura portuária;

- Desenvolvimento de uma marca para o café brasileiro industrializado, com pesados investimentos, públicos e privados, em marketing no exterior, visando principalmente ao mercado de torrado e moído, para consolidar a posição do País como exportador de café de qualidade, em igualdade com outros países produtores e exportadores de café industrializado.

Promover o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor cafeeiro é uma das metas do Novo Plano Estratégico de Desenvolvimento do Estado da Agricultura Capixaba (Novo Pedeag).

O documento está disponível na íntegra, para a consulta nos sites www.seag.es.gov.br e www.redeagricultura.com.br.
Fonte: Sincafé

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Preço do Conilon está baixo e pode cair ainda mais

Nesta semana, o preço do café Conilon tipo 7 no Espírito Santo atingiu o menor índice desde agosto de 2006: R$ 143. A cotação do produto está sofrendo queda desde março de 2009. Até fevereiro a saca do café Conilon tipo 7 custava em média R$ 215. Já a saca do tipo 8, que era vendida a R$ 200, hoje custa cerca de R$ 175.

Como se não bastasse, a Associação Brasileira da Indústria do Café – Abic está pressionando o Governo para que seja permitido o Drawback do café, ou seja, a importação do produto de outros países para atender o mercado interno. Mais uma vez o principal prejudicado será o produtor de Conilon, que não conseguirá concorrer com café produzido no Vietnã, por exemplo. O país não possui leis de amparo trabalhista, o que influencia na queda do preço de mão de obra, e consequentemente nos custos de produção e no preço final do produto.

Já está tramitando no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a solicitação sobre o Drawback do café. Cerca de 40 mil propriedades rurais capixabas estão sendo afetadas pela queda no preço do Conilon. O que incita a indignação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo – Faes, Júlio Rocha.

“Ao invés de se fazer tanto esforço para sepultar vivos os nossos produtores, deveriam devolver um pouco do muito que têm feito para a nossa sociedade e nossa economia, oferecendo-lhes um realinhamento para quitarem suas dívidas, por exemplo”, destaca Júlio.

No próximo dia 30, a Faes reunirá seus representantes, presidentes de sindicatos rurais e autoridades do estado em uma reunião para tratar sobre os a importação do café e a queda nos preços, às 10h30.
Fonte: Faes (Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Chuvas deixam contentes produtores de café do Espírito Santo

Produtores de café do Espírito Santo estão contentes com as chuvas das últimas semanas. Em anos anteriores, a cultura sofreu muito com a seca. Agora, os reservatórios usados para a irrigação estão cheios e a perspectiva é de uma boa safra.

O verde escuro dos cafezais mostra o quanto a chuva foi bem-vinda para os agricultores de Jaguaré, no norte do Espírito Santo. As lavouras estão vigorosas. “Agora a expectativa é para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Se ela continuar vindo normalmente, a previsão é de ter uma boa safra”, disse o agricultor Alison Thomazelli.

Graças às chuvas, os reservatórios de água estão cheios. Isso para o produtor rural é muito importante porque a seca na região prejudicou muito as últimas safras de café. Por isso, a água representa mais esperança pela região. A expectativa é colher 30% a mais na próxima safra e ainda ter um preço melhor. “Está difícil manter o custo principalmente de energia e os insumos", completou seu Alison.

O produtor refere-se ao consumo de energia porque boa parte das lavouras de café do Espírito Santo é irrigada
Fonte: Globo Rural

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Consumo nacional de café cresceu 8% até setembro

Contrariando as expectativas das indústrias, que estimavam um tímido crescimento de, no máximo, 3% em 2009, o consumo nacional de café segue firme este ano. De janeiro a setembro, as vendas internas de torrado e moído subiram 8% sobre o mesmo período de 2008. "Acreditamos que o fechamento do ano será surpreendente", afirmou Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café).

No ano passado, o consumo total fechou em 17,2 milhões de sacas de 60 quilos. Para este ano, a expectativa é de que os volumes vendidos atinjam até 18,5 milhões de sacas. O levantamento da Abic foi realizado junto a 60 empresas torrefadoras do país, de pequeno a grande porte.

Com a crise financeira que atingiu diversos setores de economia, as torrefadoras revisaram para baixo suas projeções para o encerramento do ano. No café, não foi diferente. "Ficamos surpresos com o resultado [crescimento]", disse Herszkowicz.

De acordo com o diretor da Abic, os volumes vendidos fora do lar continuam aquecidos, mas as vendas do varejo também ajudaram a fazer a diferença.

A Abic começou a mapear a produção de cafés especiais no país, em 18 regiões mais tradicionais. A primeira edição do guia Abic de Cafés de Qualidade do Brasil será lançado oficialmente durante a semana do 17º Encafé (Encontro Nacional da Indústria do Café), que ocorre entre os dias 18 e 22 de novembro, na Bahia. Durante esta semana será discutida também a expansão dos grãos certificados.
Fonte: Faes (Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo)

Consumo nacional de café cresceu 8% até setembro

Contrariando as expectativas das indústrias, que estimavam um tímido crescimento de, no máximo, 3% em 2009, o consumo nacional de café segue firme este ano. De janeiro a setembro, as vendas internas de torrado e moído subiram 8% sobre o mesmo período de 2008. "Acreditamos que o fechamento do ano será surpreendente", afirmou Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café).

No ano passado, o consumo total fechou em 17,2 milhões de sacas de 60 quilos. Para este ano, a expectativa é de que os volumes vendidos atinjam até 18,5 milhões de sacas. O levantamento da Abic foi realizado junto a 60 empresas torrefadoras do país, de pequeno a grande porte.

Com a crise financeira que atingiu diversos setores de economia, as torrefadoras revisaram para baixo suas projeções para o encerramento do ano. No café, não foi diferente. "Ficamos surpresos com o resultado [crescimento]", disse Herszkowicz.

De acordo com o diretor da Abic, os volumes vendidos fora do lar continuam aquecidos, mas as vendas do varejo também ajudaram a fazer a diferença.

A Abic começou a mapear a produção de cafés especiais no país, em 18 regiões mais tradicionais. A primeira edição do guia Abic de Cafés de Qualidade do Brasil será lançado oficialmente durante a semana do 17º Encafé (Encontro Nacional da Indústria do Café), que ocorre entre os dias 18 e 22 de novembro, na Bahia. Durante esta semana será discutida também a expansão dos grãos certificados.
Fonte: Faes (Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Agronegócio: Indústria quer importar para ter novos blends, mas produtores não aceitam

O movimento das indústrias de torrefação pela liberação da importação de café de outros países, para a formação de novos blends (misturas), está preocupando os representantes das várias cadeias produtivas da cafeicultura capixaba. Eles temem que as articulações que estão sendo feitas junto à Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) ganhem corpo e as importações sejam liberadas sem uma ampla discussão do tema e sem a definição de regras claras.

Na próxima quinta-feira,às 16h, representantes de oito cooperativas de produtores de café ligadas à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB-ES) e dirigentes das federações da Agricultura (Faes) e dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaes) reúnem-se com o secretário estadual da Agricultura, Enio Bergoli,para discutir os impactos da medida e as ações que deverão ser desenvolvidas junto ao governo federal.

A justificativa das torrefadoras para reivindicar a liberação da importação de café é a necessidade de ampliar o mercado externo e conquistar novos espaços. Para isso, alegam, é preciso a formação de novos blends, de acordo com as demandas dos diferentes mercados. Na França, por exemplo, os blends com cafés brasileiros precisam de 10% de café da Etiópia.Nos Estados Unidos, 15% a 20% do café colombiano.

Para Bergoli a importação de café é um fato que acontecerá no futuro e não há como fugir dessa realidade. Mas ele alerta que a liberação da importação não pode acontecer agora e sem a definição dos critérios que deverão ser observados. “Isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde, mas quando acontecer temos que estar certos de quem nenhum elo da cadeia da cafeicultura será colocado em risco”, salienta.

O Espírito Santo e o Brasil, reconhece o secretário, precisam desenvolver estratégias de marketing para os cafés industrializados. Ele lembra também que o Brasil, maior produtor e maior exportador de café, precisa aumentar o valor agregado dos cafés exportados. Em 2008, por exemplo, as exportações brasileiras de café torrado e moído foram de apenas US$ 38 milhões.

Uma das preocupações com a liberação da importação de café é com a questão fitossanitária. O outro ponto é o custo de produção do café brasileiro, qué é bem superior ao dos países concorrentes, por razões diversas.As três principais são a valorização da moeda nacional frente ao dólar que repercute nos insumos, o alto custo da mão de obra e a pesada carga tributária.

Por esses e outros motivos, o Brasil não pode liberar a importação do produto, sem a definição do marco regulatório, pondera Bergoli, embora ele reconheça que, pelas regras do mercado globalizado, não há como evitar que isso acabe acontecendo.

Mas a liberação da importação sem prejudicar todas as cadeias da cafeicultura brasileira, pondera, só deve ser aprovada depois de uma ampla discussão das regras que estarão regendo as operações de importação.

"Não temos medo de concorrer com o mundo, desde que as regras sejam claras"
Enio Bergoli Secretário Estadual de Agricultura
Fonte: Jornal A Gazeta