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terça-feira, 11 de maio de 2010

Em briga com o Brasil, Argentina sai perdendo

Se insistir em um conflito com o Brasil, a Argentina tem mais a perder do que a ganhar. No primeiro trimestre do ano, o país vizinho importou US$ 81 milhões em alimentos processados dos produtores brasileiros, quase metade do total que adquiriu do mundo. Em contrapartida, vendeu US$ 190 milhões para o País, um quinto de suas vendas totais desse grupo de produtos.

Na sexta-feira passada, o secretário de Comércio da Argentina, Guillermo Moreno, avisou aos supermercadistas que, a partir de primeiro de junho, estará proibida a importação de alimentos processados que também sejam feitos localmente, conforme noticiou o Estado na edição de ontem. Em 10 de junho, fiscais da secretaria prometem percorrer as gôndolas dos supermercados em busca de infrações.

Se a medida realmente entrar em vigor, uma alta fonte do governo brasileiro já avisou que vai retaliar a Argentina em alimentos similares aos que forem atingidos. Oficialmente, ministério do Desenvolvimento e Itamaraty informaram que não foram notificados sobre o assunto. As estimativas de impacto no comércio bilateral foram feitas pela consultoria Abeceb.com, sediada em Buenos Aires. Os produtos mais afetados são cacau e chocolate, preparações alimentícias diversas (molho de tomate, entre outros), café ou chá, e preparações de hortaliças e frutas. O Brasil fornece 82% do cacau e chocolate e 74% do café e chá importados pelos argentinos.

Esses dados ainda são preliminares porque o governo da presidente Cristina Kirchner não divulgou oficialmente a lista de produtos que serão barrados. O aviso feito por Moreno foi apenas verbal. Os supermercadistas pedem ao governo informações mais precisas para se planejar.

Ainda há muita confusão sobre o que teria motivado o governo argentino a tomar essa medida, que vai impedir os consumidores de terem acesso a alimentos importados. Segundo fontes argentinas, Cristina Kirchner estaria tentando agradar os produtores de alimentos e, em contrapartida, garantir uma maior oferta de produtos no mercado interno e segurar os preços. Com o peso desvalorizado, o incentivo para a exportação de alimentos é significativo no país, o que está impulsionando a inflação e elevando o custo de vida para as famílias argentinas.

"Dificilmente o governo conseguirá mobilizar os produtores argentinos, porque essa medida não os beneficia. Uma grande quantidade de empresas de alimentos estão situadas no Brasil e na Argentina, com produtos complementares para atender os dois países", avaliou o economista da consultoria Abeceb.com, Maurício Claverí.

Reação. No Brasil, o setor de alimentos está preocupado e pede uma reação do governo. "É um atentado contra as regras do Mercosul. O setor de alimentos é o principal gerador de superávit para a balança comercial brasileira e merece uma atenção especial do governo", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Edmundo Klotz.

Ele disse que informou o Ministério do Desenvolvimento do problema na última sexta-feira, e está confiante que o assunto será resolvido por meio de negociação ou que o governo tomará uma atitude enérgica.

"Nós estamos espalhados pelo mundo, vendemos para mais de 120 países. A Argentina é que precisa aumentar suas vendas para o Brasil para sair da crise", completou.

Para o diretor de relações internacionais da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto, "se a Argentina seguir em frente com essa medida, será uma aberração no Mercosul". Ele também acredita que, se o Brasil retaliar, o impacto é muito maior para os argentinos que para os brasileiros.

"A Argentina vende trigo e milho para o Brasil na mesma época em que nossos produtores estão colhendo a safra. Temos trigo estocado aqui e continuamos importando deles", disse Sperotto, que também é presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

Para Lembrar

Antes desse novo conflito, Brasil e Argentina atravessavam um período de calmaria nas relações comerciais. A Argentina agilizou a liberação das licenças de importação, um procedimento burocrático que atormenta os empresários. Adotadas após a crise para conter as importações, as licenças demoravam mais de 120 dias e prejudicavam a venda de produtos brasileiros como calçados, têxteis e eletrodomésticos. Os argentinos só cederam depois que o Brasil retaliou.
Fonte: O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Suspensa importação de 2 milhões de sacas de café do Vietnã

Uma tentativa de produtores de café solúvel do Brasil de importar do Vietnã 2 milhões de sacas de um café conilon de qualidade e preço inferior ao brasileiro, e exportá-lo pelo regime de drawback (compra, beneficiamento e exportação) foi denunciada ontem no Senado porque prejudica o Brasil e principalmente a economia capixaba.

Segundo o senador Gerson Camata (PMDB), que ocupou a tribuna da Casa para fazer a denúncia, um pedido de exportação feito a Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Indústria e Comércio chegou a ser votado mas teve seus efeitos suspensos devido a reação política. O pedido foi feito pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

"Essa medida quase perpetrada ameaça a produção e a rentabilidade de milhares de agricultores e dezenas de municípios: só no ES são mais de 120 mil familias que vivem da atividade, disse Camata.

O senador lembrou ainda que a tentativa foi feita numa época critica, quando o preço do café no Brasil está R$ 146 reais a saca, e o custo de produção em torno de R$ 180 reis.

A tarde Camata conseguiu falar com o ministro Alexandre Padilha, (Relações Institucionais) que ficou de pedir ao ministro da Indútria e Comércio, João Jorge Filho, para mudar o voto que deu a favor da importação, na próxima reunião da Camex dia 18 de maiodia 18 de maio.
Fonte: Jornal A Tribuna

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bertone reafirma que importação de café conilon não vai acontecer

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) vetou, nesta semana, o pedido para a autorização de importação de café robusta pelo regime de drawback. O pleito do setor industrial era importar o correspondente a 20% da exportação brasileira anual da variedade, o que corresponde a aproximadamente 600 mil sacas de 60 kg ao ano.

Na quarta-feira (07), o secretário de produção de agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, falou sobre o assunto, em entrevista concedida à Rádio Globo Linhares. Confira abaixo o trecho da entrevista sobre o drawback do café.

“O Brasil não possui excedentes exportáveis de café conilon, exceto pela forma de café solúvel. Esse procedimento de importação de café foi proposto à Camex e nós solicitamos a retirada dessa discussão na última reunião que aconteceu na segunda-feira (05). Foi uma grande vitória do Ministério da Agricultura, uma vez que nós não estávamos confortáveis com a importação do produto.

Na realidade, eu mesmo havia me comprometido na reunião que participei recentemente na Assembléia Legislativa do Espírito Santo de que não haveria a importação do café. No entanto esse assunto foi colocado em discussão, e o ministro da agricultura, Wagner Rossi, solicitou a retirada deste assunto da pauta de discussão neste momento e teve o apoio dos demais ministros do governo federal. Assim, o ‘drawback’ ainda não foi autorizado pelo governo federal e muito menos pelo Ministério da Agricultura.

É importante lembrar que se um dia a importação for autorizada haverá a necessidade de análise de risco de pragas no país de origem desse café, de modo que nós possamos estabelecer mecanismos de defesa do produtor nacional, a respeito da concorrência, eventualmente predatória de outros países produtores”
Fonte: Campo Vivo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Produtores e autoridades se reúnem para discutir importação de café

Está marcada para o dia 16 de março uma audiência pública com o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Manuel Bertone, que virá ao Espírito Santo para discutir sobre o drawback do café. Os cafeicultores capixabas temem a importação do produto, por não conseguirem concorrer com países como o Vietnã, que não possui leis de amparo trabalhista, o que influencia na queda do preço da mão de obra, e consequentemente, nos custos de produção e no valor final do café. Além disso, as leis ambientais brasileiras contribuem para o encarecimento da produção.

A reunião acontecerá às 10 horas na Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo e contará com a presença da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo - Faes, do deputado estadual e presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, Atayde Armani e de outras autoridades do setor cafeeiro capixaba.

No ano passado, a Faes, os sindicatos rurais, a Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES), a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo (Fetaes) assinaram um documento reforçando posição contrária à importação de café pelo Brasil, que foi encaminhado ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.

O documento continha ainda posição conjunta favorável à construção de políticas públicas eficientes para todos os elos da cadeia produtiva do café brasileiro. As sugeridas no documento foram: a exportação do produto com maior valor agregado, a formação de estoques reguladores públicos e incentivos pactuados com o segmento industrial à estocagem, a produção de estudos aprofundados sobre toda a cadeia produtiva do café (oportunidades, riscos e legalidade) e o desenvolvimento de uma marca para o produto brasileiro industrializado.

O drawback é a importação de matéria-prima para reexportação de produto industrializado com maior valor agregado.
Fonte: FAES (Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Capixabas dizem não à importação de café

Foi assinado no último dia 30 um documento técnico que reforça posição contrária sobre a importação de café no Brasil. A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES), Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo (Fetaes) assinaram o documento que reforça ainda a posição conjunta favorável à construção de políticas públicas eficientes para todos os elos da cadeia produtiva do café brasileiro.

Na solenidade estiveram presentes o senador Renato Casagrande, os deputados estaduais os deputados estaduais Eustáquio Freitas, César Colnago e Athayde Armani, que é presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, além do deputado federal Lelo Coimbra, do secretário de agricultura do Espírito Santo, Ênio Bergoli e dos prefeitos de São Mateus e João Neiva, Amadeu Boroto e Luiz Carlos Peruchi, respectivamente. Cerca de 130 pessoas também participaram da reunião, dentre elas produtores e presidentes de Sindicatos Rurais.

Frente ao preço do café em queda desde março de 2009, o setor cafeeiro capixaba acredita que importar o produto sem uma regulamentação pode se tornar um risco. O Espírito Santo, que possui 16% da sua economia agrícola baseada no café, pode ser prejudicado por não conseguir concorrer com países como o Vietnã, por exemplo. Lá não existem leis de amparo trabalhista, o que influencia na queda do preço da mão de obra, e consequentemente, nos custos de produção e no valor final do produto.

Algumas políticas públicas sugeridas no documento para fomentar a produção cafeeira no Brasil são a exportação de café com maior valor agregado, a formação de estoques reguladores públicos e incentivos pactuados com o segmento industrial à estocagem, a produção de estudos aprofundados sobre toda a cadeia produtiva do café (oportunidades, riscos e legalidade) e o desenvolvimento de uma marca para o produto brasileiro industrializado.

Quilombolas no norte

Na reunião foi discutido também o lançamento, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, de uma portaria que reconhece e declara 1.219.549 hectares de terras de São Mateus como pertencentes à Comunidade Quilombola de Serraria e São Cristóvão. Os proprietários rurais da região estão revoltados com a medida e alegam que as terras indicadas são em sua maioria de pequeno porte, produtivas e estão devidamente escrituradas.

O INCRA notificou os proprietários, que tiveram suas defesas indeferidas. O órgão então aprovou um relatório de demarcação do território e irá anular as escrituras já existentes.

A questão gera insegurança e preocupação na região norte do Estado. A população rural vive em constante instabilidade, temendo a invasão de terras pelos quilombolas e a desapropriação. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo, Júlio Rocha, acredita que os interesses vão além das comunidades de Serraria e São Cristóvão. "Eles querem esses 1.219.549 hectares como ensaio para abocanharem, na mesma região, mais 14 mil hectares em São Jorge e 11 mil em Linharinho", declara.
Fonte: Sincafé