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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dólar baixo ameaça renda do produtor rural, diz Faeg

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, fez um apelo ao governo federal para que adote medidas que estanque a valorização do real frente ao dólar. Segundo ele, o desequilíbrio cambial reduz drasticamente a competitividade da agricultura brasileira nos mercados internacionais e traz de volta a expectativa de nova queda na renda do produtor.

José Mário admite que a valorização do real tem importante impacto nos custos de produção, com redução significativa dos preços dos insumos importados, principalmente fertilizantes. Ele pondera, entretanto, que em condições normais de mercado, toda essa redução nos custos de produção é anulada com folga pelos efeitos da sobrevalorização da moeda nacional nos preços das commodities agrícolas nacionais.

Para o presidente da Faeg, o setor agrícola vive um momento de preços relativamente bons, graças a uma conjuntura internacional favorável. Entre outros fatores, ele cita os baixos estoques mundiais das principais commodities, aumento da demanda em países com a China e problemas climáticos, com estiagens ou excesso de chuvas em diversos países.

"Mas não temos dúvidas de que tudo isso é uma bolha de mercado e mais cedo ou mais tarde o equilíbrio terá de ser restabelecido", diz José Mário. E segundo ele, se essa normalização das cotações internacionais ocorrer sem que a relação cambial no Brasil também se ajuste, o cenário para o produtor nacional será dos mais preocupantes.

Custos

Estudo técnico da Faeg não deixa dúvida de que os custos de produção caem significativamente em função do desarranjo cambial. De janeiro a dezembro de 2009, por exemplo, quando o real valorizou-se 26,24% frente ao dólar, os preços médios dos fertilizantes formulados caíram 30,54%, passando de R$ 1.035,57 a tonelada para R$ 719,29.

No mesmo período, as matéria-primas para fertilizantes registraram redução de preços de 28,68%, caindo de R$ 999,00 a tonelada para R$ 707,63. Mas de janeiro a dezembro de 2009 os custos totais de produção caíram apenas 8,81%, o que demonstra que as reduções foram mais acentuadas nos insumos importados, como resultado da desvalorização do dólar.

Merece destacar que os principais insumos, como sementes, fertilizantes, herbicidas, fungicidas e inseticidas chegam a representar 53% dos custos de produção, no caso do milho, 48% no da soja e 44% no do feijão. O estudo da Faeg conclui que para cada 10% de valorização do real, reduziu-se em 11,64% os custos dos fertilizantes formulados e em 11,12% as matérias-primas para produção dos fertilizantes.

Impacto

Para se ter uma idéia do impacto da desvalorização do dólar nos custos da produção agrícola, basta dizer que os preços médios da tonelada de fertilizante formulado que em 2009 foi de R$ 848,61, sem os efeitos da valorização do real teria chegado a R$ 947,39 a tonelada, ou 11,64% a mais.

Da mesma forma, sem o impacto da valorização do real, o custo médio de produção do arroz de R$ 43,67 a saca em 2010, teria chegado a R$ 45,97; o do algodão, de R$ 46,18 a arroba teria ficado em R$ 81,57e apenas o da soja teria caído de R$ 31,19 a saca para R$ 30,48.

Impacto anula menor custo de produção

Para o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, as consequências da desvalorização do dólar sobre os custos da produção agrícola não podem ser consideradas isoladamente. "Do contrário, seremos tentados a considerar o desequilíbrio cambial como um benefício, quando na verdade é fenômeno que trás grandes preocupações para o setor."

Com base em estudo técnico da Faeg, ele cita que em 2009, quando a desvalorização do dólar chegou a 26,24%, os preços dos principais produtos agrícolas caíram acentuadamente em Goiás. O milho caiu 15,03%; soja, 10,75%; arroz, 19,11%; algodão, 2,94%; e feijão, 42,67%. Este ano, até setembro, como o dólar desvalorizou-se em apenas 3,06%, os preços ao produtor reagiram de forma acentuada, com aumento de 24,64% para o milho; 4,43% a soja; algodão 88,79%; arroz 17,49%; e feijão 120,87%.

Variação

Sem o impacto da variação cambial, o preço médio do arroz, que foi de R$ 36,64 em 2009, teria chegado a R$ 39,31; a soja, de R$ 40,44 teria ido para R$ 42,09; o do milho, de R$ 16,05 para R$ 16,94 e a arroba do algodão, de R$ 38,16 para R$ 39,07.

Considerado em cinco principais produtos da agricultura goiana, o Valor Bruto da Produção (VBP) de 2009, que foi de R$ 15,07 bilhões, sem o impacto da desvalorização do dólar poderia ter chegado a R$ 15,39 bilhões, ou mais 2,12%.

O estudo da Faeg explicita, também, as consequências do desequilíbrio cambial sobre as exportações do agronegócio goiano. O economista Edson Novaes, gerente de Estudos Técnicos e Econômicos da entidade, explica que, entre setembro de 2009 e setembro passado, o dólar caiu 5,08%, passando de R$ 1,8087 para R$ 1,7169, período em que também as exportações goianas caíram 8,48%, passando de US$ 272,53 milhões para US$ 249,43 milhões.

Perdas

Conclui o estudo da Faeg que, como para cada 10% de valorização do real observa-se uma queda de 16,7% nas exportações do agronegócio, o valor acumulado das vendas goianas para o exterior de janeiro a setembro de 2009 poderia ter sido US$ 39,6 milhões a mais que os US$ 2,37 bilhões efetivamente faturados.

Em síntese, consideradas as vantagens da desvalorização do dólar sobre os custos de produção e as desvantagens com a redução dos preços dos produtos, apenas o algodão apresenta uma relação favorável ao produtor em 2009. A queda nos custos médios da cotonicultura foi de 4,57%, enquanto a redução de preços ficou em 1,12%. No arroz, a queda dos custos de produção foi de 2,90%, enquanto a dos preços chegou a 7,28%. No feijão, a disparidade foi maior ainda, com redução de 2,03% no custo de produção e queda de 16,26% nos preços ao produtor.
Fonte: O Popular/ Edmilson Souza Lima

terça-feira, 8 de junho de 2010

Baixo estoque de café dá esperança aos produtores capixabas

A declaração do secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, de que os estoques de café estão caindo em todo o mundo, animou os produtores rurais capixabas. Os estoques brasileiros nunca estiveram tão baixos. O governo tem em mãos cerca de 1,7 milhão de sacas, referentes ao exercício dos contratos de opção, lançados no ano passado, e mais cerca de 400 mil sacas de grãos de safras velhas.

“A notícia é boa para os cafeicultores capixabas, porque como estamos num período de safra baixa os preços tendem a subir, pelo menos um pouco”, destaca o presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), José Umbelino de Castro.

Bertone disse também que países concorrentes do Brasil enfrentam problemas na produção, principalmente de natureza climática. A Colômbia, por exemplo, perdeu a posição de segundo maior produtor mundial, para agora ficar atrás do Brasil, Vietnã e Indonésia.
Fonte: Iá! Comunicação

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Baixos estoques e crescimento da demanda podem elevar preços do café

Os preços do café devem aumentar este ano. Segundo especialistas, os estoques estão baixos aqui e no Exterior e a demanda vem crescendo. Entre os principais produtores, apenas o Brasil deve colher uma grande safra, conforme as previsões do governo.

2010 é um ano estratégico para a cafeicultura brasileira. De acordo com a Companhia Naconal de Abastecimento (Conab), o Brasil vai colher a maior safra dos últimos oito anos, 47 milhões de sacas. Ao mesmo tempo, a produção está caindo nos principais concorrentes, como Colômbia e América Central. Com isso, deve aumentar a procura pelo café do Brasil. E os produtores vão poder negociar a preços melhores, acima de R$ 300 a saca. Esta previsão é do diretor do Departamento de Café da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Luiz Hafers:

– Eu tenho até medo de um exagero nos preços. Há muito pouco café no mundo, pouquíssimo café no Brasil e, mesmo com uma safra grande este ano, a médio e curto prazo podemos imaginar que uma demanda maior de café.

No entanto, ele lembra que, para garantir bons preços, o governo tem alguns desafios.

– Nós precisaríamos de uma política de financiamento para que agente pudesse vender por opinião e não por precisão.

Estas medidas devem ser discutidas entre governo e lideranças do setor em reunião na próxima semana. O analista de mercado do café, Fernando Barros Jr., explica que o café brasileiro perdeu competitividade no Exterior por falta de políticas para o setor. Segundo ele, o produto é vendido no mercado internacional a preços abaixo do dos concorrentes há 13 anos. E o Brasil teria deixado de ganhar R$ 28 bilhões nesse período.

– O Brasil tem 50% do mercado mundial de café arábica e não consegue estabelecer um preço que dê uma renda boa para o produtor. Ocorre que não há política, não há gestão, não há planejamento para que o produtor tenha uma renda melhor.
Fonte: Revista Cafeicultura

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Preço do Conilon está baixo e pode cair ainda mais

Nesta semana, o preço do café Conilon tipo 7 no Espírito Santo atingiu o menor índice desde agosto de 2006: R$ 143. A cotação do produto está sofrendo queda desde março de 2009. Até fevereiro a saca do café Conilon tipo 7 custava em média R$ 215. Já a saca do tipo 8, que era vendida a R$ 200, hoje custa cerca de R$ 175.

Como se não bastasse, a Associação Brasileira da Indústria do Café – Abic está pressionando o Governo para que seja permitido o Drawback do café, ou seja, a importação do produto de outros países para atender o mercado interno. Mais uma vez o principal prejudicado será o produtor de Conilon, que não conseguirá concorrer com café produzido no Vietnã, por exemplo. O país não possui leis de amparo trabalhista, o que influencia na queda do preço de mão de obra, e consequentemente nos custos de produção e no preço final do produto.

Já está tramitando no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a solicitação sobre o Drawback do café. Cerca de 40 mil propriedades rurais capixabas estão sendo afetadas pela queda no preço do Conilon. O que incita a indignação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo – Faes, Júlio Rocha.

“Ao invés de se fazer tanto esforço para sepultar vivos os nossos produtores, deveriam devolver um pouco do muito que têm feito para a nossa sociedade e nossa economia, oferecendo-lhes um realinhamento para quitarem suas dívidas, por exemplo”, destaca Júlio.

No próximo dia 30, a Faes reunirá seus representantes, presidentes de sindicatos rurais e autoridades do estado em uma reunião para tratar sobre os a importação do café e a queda nos preços, às 10h30.
Fonte: Faes (Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo)