Mostrando postagens com marcador rural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rural. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Governo Dilma manterá divisão do setor rural

Agricultura familiar e reforma agrária ficam com a esquerda e o agronegócio com a centro-direita

O desenho do setor rural, no governo Dilma Rousseff, terá a mesma configuração que teve nos oito anos de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - ou seja, a esquerda da base de sustentação do governo no Congresso comanda a área social, incluindo agricultura familiar e reforma agrária, e os setores de centro-direita mantêm o controle do chamado agronegócio.

No momento, Dilma negocia o comando da área social, inclusive o Ministério da Integração Nacional, com os governadores do PT e do PSB do Nordeste, região nas qual ela bateu recordes de votos nas eleições de outubro. Eles devem indicar os ministros do Desenvolvimento Social (MDS) e do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Até ontem, o nome mais cotado para o Ministério da Agricultura era o de Wagner Rossi, afilhado político do vice-presidente eleito e presidente do PMDB, Michel Temer. Rossi, que já dirige o ministério, só não será nomeado no caso de o PMDB ter de reformular suas indicações de modo a assegurar mais apoio da bancada da Câmara dos Deputados.

Para o MDS, pasta que abriga o Bolsa Família, o carro-chefe dos programas sociais do governo Lula, está cotada a prefeita de Lauro de Freitas (BA), Moema Gramacho, indicação do governador baiano Jaques Wagner.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) é reivindicado pelo ex-governador e senador eleito pelo Piauí, Wellington Dias (PT), mas também está cotado o pernambucano Pedro Eugênio, da cota do governador Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco.

Ontem, os governadores Marcelo Déda (SE), Jaques Wagner (BA) e Eduardo Campos (PE), além do senador eleito Wellington Dias reuniram-se em Brasília para discutir a indicação de nomes do Nordeste para o ministério de Dilma Rousseff. Déda e Campos viajaram com Dilma e Lula a Tucuruí, no Pará, e cobraram da presidente eleita uma resposta à expressiva votação que ela teve na região.

Escaldados com a experiência do governador Sérgio Cabral (RJ), que indicou seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e na saída declarou sua nomeação como fato consumado, os governadores nordestinos têm evitado discutir nomes. Na reunião, os três disseram que não pretendem pretendem brigar por ministérios. Mas Dias deixou claro que faz questão de ficar com o MDA, território hoje da tendência petista Mensagem ao Partido.

A tendência indicou para o cargo o nome do gaúcho Joaquim Soriano que trabalhou com Dilma no governo de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul. Dilma, no entanto, está disposta a entregar a Pasta a um nordestino. O argumento já está engatilhado: a Mensagem ao Partido terá dois ministros fortes na Esplanada dos Ministérios - José Eduardo Cardozo (Justiça) e Fernando Haddad (Educação).

Além do senador eleito pelo Piauí, dois outros nomes do Nordeste podem ocupar o MDA: o deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE), que foi secretário da Agricultura de Miguel Arraes, em Pernambuco, e diretor do Banco do Nordeste, ou o secretário da Agricultura da Bahia, Geraldo Simões, ex-prefeito de Itabuna.

Nem mesmo o nome da prefeita Moema Gramacho está confirmado no MDS. Em encontros do PT, Moema emocionou Dilma puxando canções em homenagem a presidente eleita. Moema, a exemplo de Dilma, também venceu um câncer.

Aliado de primeira hora de Lula e Dilma, o senador eleito Blairo Maggi (PR-MT) tem sido apontado como nome forte ao Ministério da Agricultura. Ele rejeitou: "Meus negócios são todos na agricultura. Se fosse convidado, o que não aconteceu, não poderia aceitar. Ficaria sob ataques e não ajudaria a presidente Dilma".

Em conversa com a presidente eleita, Maggi preferiu fazer gestões para manter o Ministério dos Transportes sob controle do PR. "Viajei com ela [a Tucuruí, no Pará] para falar sobre a posição do partido. Queremos manter os Transportes. E o Alfredo Nascimento é o nosso candidato. Não tem oposição nem objeção contra ele", disse.

Maggi considera o Dnit mais importante. "Temos muitas obras em andamento. Precisamos concluir e avançar. Há uma boa gestão que tem agradado a todos". Maggi fez um movimento tático ao defender o PR nos Transportes, já que o PMDB pode apresentar o senador eleito Eduardo Braga (AM) como candidato à vaga.

A região Sul perderá um ministro com a substituição de Guilherme Cassel por um nordestino, mas em compensação deve ganhar com a provável indicação da deputada Maria do Rosário para a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Há outros dois nomes de mulheres do Sul cotadas para o ministério da presidente eleita Dilma Rousseff, ambas catarinenses: Iriny Lopes, que pode ficar com a Secretaria da Mulher, e a senadora Ideli Salvatti, virtualmente convidada mas com cargo ainda em aberto.
Fonte: Revista Cafeicultura

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Subsídio rural proposto por Melles é aprovado em Comissão da Câmara

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou hoje (1 de dezembro) o projeto de lei (5424/2009), de autoria do deputado federal Carls Melles (DEM/MG) que prevê subsídio de R$ 500,00 por hectare com atividade agropecuária.

O objetivo do projeto, de acordo com o deputado Carlos Melles, é garantir renda mínima para o produtor rural, principalmente em tempos de crise, como os últimos anos que vem assolando diversas atividades rurais, como o café e o leite. Também é amenizar efeitos negativos do clima, cambiais, de mercado e de crédito.

O projeto prevê também atualização de valores a cada dois anos, até o limite de R$ 750 e o produtor continuaria a receber outros subsídios, como os aplicados ao seguro rural e ao escoamento da safra.

Segundo o deputado Carlos Melles, “o subsídio é necessário para colocar o produtor rural brasileiro em igualdade de condições com os produtores do restante do mundo, já que estes recebem subsídios de seus países, garantindo, inclusive, o comércio a preços mais justos de seus produtos”.

O deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS) disse na audiência que essa proteção se faz necessária. “No Brasil o produtor é quem subsidia o consumidor e no restante do mundo, os governos subsidiam seus produtores”, disse ele citando um estudo da Embrapa e Fundação Getúlio Vargas que concluiu que cerca de três milhões de produtores rurais sobrevivem com uma renda bruta de até dois salários mínimos por mês. “Desta forma é justo que os produtores brasileiros tenham uma subvenção”, concluiu o deputado Heinze.

“Cumprimento mais esta iniciativa pioneira do deputado Carlos Melles em favor do agricultor. Concordo plenamente com sua aprovação porque visa dar renda a quem alimenta e gera divisas para o país”, disse o deputado Zonta.

O projeto segue agora para análise na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Fonte: Coffee Break

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

La Niña deixa o meio rural atento aos fenômenos climáticos

Com a semeadura e floração das lavouras de verão, agricultores esperam uma melhora no volume de chuvas

O clima seco provocado pelo fenômeno La Niña aumentou a atenção dos produtores do Rio Grande do Sul. Ainda não há estimativas consolidadas de quebra de safra, mas enquanto algumas cooperativas seguem confiando em uma boa safra, outras já admitem riscos de perdas nas plantações de milho e arroz. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio (Seappa) acompanha atentamente os acontecimentos climáticos neste período de plantio e florescimento das lavouras da safra de verão.

– Nós não podemos dizer, pelo menos não ainda, que vamos ter perdas nas lavouras. As previsões de poucas chuvas neste mês de dezembro, mas de chuvas regulares (se comparadas com anos anteriores) em janeiro, de acordo com os prognósticos do Conselho de Agrometeorologia do Estado indicam que podemos esperar para dizer se efetivamente vamos ter perdas. Estamos atentos, claro, mas ainda é cedo para previsões – disse o secretário da Agricultura, Gilmar Tietböhl.

O Secretário lembrou dos programas de irrigação que o governo do Estado vem desenvolvendo para auxiliar em períodos de estiagem, como a construção de mais de 5 mil microaçudes no interior gaúcho e a perfuração de 390 poços artesianos.

Até a semana passada, segundo a Emater-RS, o volume de chuva acumulado no mês estava 72% abaixo da média histórica no Estado, e a situação ameaçava ampliar a quebra prevista inicialmente pela instituição em relação ao ciclo 2009/10, quando o clima favorável ajudou na safra recorde do RS, totalizada em 24,3 milhões de toneladas de grãos.

O boletim climático do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Seappa, indica precipitações abaixo do padrão climatológico para o próximo trimestre. Para dezembro, estão confirmadas chuvas abaixo do padrão, especialmente na metade sul e oeste do Estado. Para janeiro, a escassez de chuvas persistirá apenas na região sudoeste, aproximando-se mais de média normal nas demais regiões.

Novos prognósticos para os próximos meses serão discutidos na reunião do Copaaergs, que ocorre no dia 2 de dezembro, na sede da Seappa.
Fonte: Canal Rural

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dólar baixo ameaça renda do produtor rural, diz Faeg

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, fez um apelo ao governo federal para que adote medidas que estanque a valorização do real frente ao dólar. Segundo ele, o desequilíbrio cambial reduz drasticamente a competitividade da agricultura brasileira nos mercados internacionais e traz de volta a expectativa de nova queda na renda do produtor.

José Mário admite que a valorização do real tem importante impacto nos custos de produção, com redução significativa dos preços dos insumos importados, principalmente fertilizantes. Ele pondera, entretanto, que em condições normais de mercado, toda essa redução nos custos de produção é anulada com folga pelos efeitos da sobrevalorização da moeda nacional nos preços das commodities agrícolas nacionais.

Para o presidente da Faeg, o setor agrícola vive um momento de preços relativamente bons, graças a uma conjuntura internacional favorável. Entre outros fatores, ele cita os baixos estoques mundiais das principais commodities, aumento da demanda em países com a China e problemas climáticos, com estiagens ou excesso de chuvas em diversos países.

"Mas não temos dúvidas de que tudo isso é uma bolha de mercado e mais cedo ou mais tarde o equilíbrio terá de ser restabelecido", diz José Mário. E segundo ele, se essa normalização das cotações internacionais ocorrer sem que a relação cambial no Brasil também se ajuste, o cenário para o produtor nacional será dos mais preocupantes.

Custos

Estudo técnico da Faeg não deixa dúvida de que os custos de produção caem significativamente em função do desarranjo cambial. De janeiro a dezembro de 2009, por exemplo, quando o real valorizou-se 26,24% frente ao dólar, os preços médios dos fertilizantes formulados caíram 30,54%, passando de R$ 1.035,57 a tonelada para R$ 719,29.

No mesmo período, as matéria-primas para fertilizantes registraram redução de preços de 28,68%, caindo de R$ 999,00 a tonelada para R$ 707,63. Mas de janeiro a dezembro de 2009 os custos totais de produção caíram apenas 8,81%, o que demonstra que as reduções foram mais acentuadas nos insumos importados, como resultado da desvalorização do dólar.

Merece destacar que os principais insumos, como sementes, fertilizantes, herbicidas, fungicidas e inseticidas chegam a representar 53% dos custos de produção, no caso do milho, 48% no da soja e 44% no do feijão. O estudo da Faeg conclui que para cada 10% de valorização do real, reduziu-se em 11,64% os custos dos fertilizantes formulados e em 11,12% as matérias-primas para produção dos fertilizantes.

Impacto

Para se ter uma idéia do impacto da desvalorização do dólar nos custos da produção agrícola, basta dizer que os preços médios da tonelada de fertilizante formulado que em 2009 foi de R$ 848,61, sem os efeitos da valorização do real teria chegado a R$ 947,39 a tonelada, ou 11,64% a mais.

Da mesma forma, sem o impacto da valorização do real, o custo médio de produção do arroz de R$ 43,67 a saca em 2010, teria chegado a R$ 45,97; o do algodão, de R$ 46,18 a arroba teria ficado em R$ 81,57e apenas o da soja teria caído de R$ 31,19 a saca para R$ 30,48.

Impacto anula menor custo de produção

Para o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, as consequências da desvalorização do dólar sobre os custos da produção agrícola não podem ser consideradas isoladamente. "Do contrário, seremos tentados a considerar o desequilíbrio cambial como um benefício, quando na verdade é fenômeno que trás grandes preocupações para o setor."

Com base em estudo técnico da Faeg, ele cita que em 2009, quando a desvalorização do dólar chegou a 26,24%, os preços dos principais produtos agrícolas caíram acentuadamente em Goiás. O milho caiu 15,03%; soja, 10,75%; arroz, 19,11%; algodão, 2,94%; e feijão, 42,67%. Este ano, até setembro, como o dólar desvalorizou-se em apenas 3,06%, os preços ao produtor reagiram de forma acentuada, com aumento de 24,64% para o milho; 4,43% a soja; algodão 88,79%; arroz 17,49%; e feijão 120,87%.

Variação

Sem o impacto da variação cambial, o preço médio do arroz, que foi de R$ 36,64 em 2009, teria chegado a R$ 39,31; a soja, de R$ 40,44 teria ido para R$ 42,09; o do milho, de R$ 16,05 para R$ 16,94 e a arroba do algodão, de R$ 38,16 para R$ 39,07.

Considerado em cinco principais produtos da agricultura goiana, o Valor Bruto da Produção (VBP) de 2009, que foi de R$ 15,07 bilhões, sem o impacto da desvalorização do dólar poderia ter chegado a R$ 15,39 bilhões, ou mais 2,12%.

O estudo da Faeg explicita, também, as consequências do desequilíbrio cambial sobre as exportações do agronegócio goiano. O economista Edson Novaes, gerente de Estudos Técnicos e Econômicos da entidade, explica que, entre setembro de 2009 e setembro passado, o dólar caiu 5,08%, passando de R$ 1,8087 para R$ 1,7169, período em que também as exportações goianas caíram 8,48%, passando de US$ 272,53 milhões para US$ 249,43 milhões.

Perdas

Conclui o estudo da Faeg que, como para cada 10% de valorização do real observa-se uma queda de 16,7% nas exportações do agronegócio, o valor acumulado das vendas goianas para o exterior de janeiro a setembro de 2009 poderia ter sido US$ 39,6 milhões a mais que os US$ 2,37 bilhões efetivamente faturados.

Em síntese, consideradas as vantagens da desvalorização do dólar sobre os custos de produção e as desvantagens com a redução dos preços dos produtos, apenas o algodão apresenta uma relação favorável ao produtor em 2009. A queda nos custos médios da cotonicultura foi de 4,57%, enquanto a redução de preços ficou em 1,12%. No arroz, a queda dos custos de produção foi de 2,90%, enquanto a dos preços chegou a 7,28%. No feijão, a disparidade foi maior ainda, com redução de 2,03% no custo de produção e queda de 16,26% nos preços ao produtor.
Fonte: O Popular/ Edmilson Souza Lima

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TRF derruba argumento da União para manter cobrança do Funrural

Os contribuintes conseguiram derrubar no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região o principal argumento da Fazenda Nacional para a manutenção da cobrança da contribuição ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), baseado na Lei nº 10.256, de 2001, que não foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corte Especial do TRF considerou que o fato gerador e a base de cálculo que constam da norma continuaram com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997, declarada inconstitucional pelo tribunal superior.

Em fevereiro, o Supremo julgou um recurso do Frigorífico Mataboi, de Minas Gerais, e considerou inconstitucional o artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992 - alterada pela Lei nº 9.528 -, que determina o recolhimento de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização de produtos agropecuários.

As leis são anteriores à Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que permitiu a cobrança de contribuições sociais sobre a receita bruta dos contribuintes. A partir de 2001, o Funrural passou a ser disciplinado pela Lei nº 10.256, que não foi julgada pelos ministros.

Para a Fazenda Nacional, a decisão da Corte abrange apenas o período de 1992 a 2001. Portanto, apenas o que foi pago nesses anos poderia ser devolvido.

Os contribuintes defendem, no entanto, que a decisão do Supremo derrubou a cobrança, que só poderia ser instituída por outra lei. Há também precedentes favoráveis - decisões monocráticas ou de turmas - nos TRFs da 1ª e da 3ª Região.

Recentemente, no entanto, a Fazenda Nacional conseguiu suspender uma liminar no TRF da 1ª Região, que havia sido concedida à Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), que representa dois mil produtores.

O desembargador Olindo Menezes, presidente da Corte, aceitou os argumentos da União de que a norma de 2001 não foi atingida pela recente decisão do Supremo.

Desde o posicionamento do tribunal superior, produtores rurais e as empresas que adquirem a produção agrícola - especialmente os frigoríficos - iniciaram uma corrida à Justiça e uma disputa pelos bilhões de reais que foram pagos de contribuição ao Funrural.

Os produtores alegam que o tributo foi descontado deles, sobre a receita bruta obtida com a venda da produção. Já os frigoríficos, que conseguiram levar o assunto ao Supremo, argumentam que são os responsáveis - como substitutos tributários- pelo recolhimento da contribuição e devem receber o que foi pago indevidamente.

A decisão proferida pelo TRF da 4ª Região beneficia as cooperativas paranaenses Batavo, Capal e Castrolanda, que haviam obtido sentença favorável da 2ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR). Por meio de recurso, a Fazenda Nacional conseguiu, em um primeiro momento, suspender a decisão, sob o argumento de grave lesão à ordem pública, "à medida que subtrai substancial parcela de receita da seguridade social".

Também alegou que haveria risco de se gerar um efeito multiplicador de demandas e que há "pronunciamentos jurisprudenciais relevantes em favor da tese defendida pela União".

Ao levar o assunto à Corte Especial, no entanto, o desembargador Vilson Darós, que havia concedido o efeito suspensivo, alterou seu entendimento, que beneficia diretamente mais de dois mil produtores rurais vinculados às cooperativas. Seu voto foi seguido pela maioria. O único posicionamento divergente foi da desembargadora Maria de Fátima Freitas Labarrère.

Ao analisar agravo contra sua decisão, o ministro Vilson Darós, relator do caso, considerou que a Lei nº 10.256, de 2001, apenas alterou o caput das leis anteriores. "O fato gerador e a base de cálculo continuaram com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, anterior à EC nº 20/1998. Nessas circunstâncias, a alteração superveniente na Constituição não tem o condão de dar suporte de validade à lei já maculada por inconstitucionalidade", diz o desembargador.

"Portanto, não há como exigir a contribuição apenas com base no caput do mencionado artigo, ou seja, sem a definição de uma alíquota ou base de cálculo". A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), informou, por meio de nota, que, como não cabe mais recurso no TRF da 4ª Região, "seria possível renovar o pedido de suspensão no STF".

A decisão do TRF da 4ª Região é um importante precedente para os contribuintes, que aguardam ainda julgamentos relevantes no Supremo. "Os desembargadores entenderam que a inconstitucionalidade não ficou superada pela Lei 10.256", diz o advogado Carlos Eduardo Dutra, do Marins Bertoldi Advogados Associados, que defende as cooperativas paranaenses.

O escritório, segundo ele, acompanha ainda mais de 400 ações de produtores rurais, que buscam derrubar a cobrança e recuperar o que foi pago indevidamente. "As cooperativas têm legitimidade para discutir o futuro. Mas apenas os produtores rurais podem pleitear o que foi recolhido indevidamente."
Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Reivindicações do agronegócio ao futuro governo incluem renda do produtor rural

O agronegócio é responsável por 25% do PIB

O agronegócio, um dos principais setores da economia e essencial para o equilíbrio da balança comercial brasileira, tem vários pleitos para cobrar da presidente eleita Dilma Rousseff. Segundo o coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o primeiro deles é a questão da renda dos produtores rurais.

Rodrigues considera que a renda está condicionada a uma política eficaz de crédito rural e preços mínimos e ao fortalecimento do agricultor por meio do cooperativismo. Outro ponto fundamental é a questão da infraestrutura logística, com a priorização das obras que influenciam o escoamento da produção. A melhoria das estradas em algumas regiões produtoras e o uso dos modais ferroviário e hidroviário, como alternativa ao rodoviário, barateiam o transporte e podem proporcionar mais renda ao produtor.

Segundo dados divulgados pelo governo, o agronegócio é responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e um terço dos empregos. Em 2009, representou 42% das exportações, com US$ 64,7 bilhões dos US$ 152,2 bilhões exportados pelo Brasil. Para este ano, a estimativa do Ministério da Agricultura é que as remessas de produtos e mercadorias para outros países rendam US$ 73 bilhões ao setor.

“Queremos uma estratégia de governo para o agronegócio. É preciso uma coordenação para a agricultura, com os vários ministérios trabalhando nesse plano de governo”, defende Rodrigues. Ele explica, no entanto, que todas as questões devem estar “empacotadas sob o tema da responsabilidade ambiental”, bastante discutido no Congresso e também dentro do governo.
Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Produtor rural deve recuperar renda em 2011, estima setor de insumos

Crescimento da receita ao agricultor está previsto em 8%

A Câmara Temática de Insumos Agropecuários, órgão consultivo vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizou reunião nesta segunda, dia 27, e concluiu que o ano agrícola 2010/2011 será um período de recuperação da renda para o produtor rural.

– Teremos um crescimento na produção de grãos de 2% na comparação com a safra passada, chegando a 152 milhões de toneladas, mas com um crescimento de 8% da receita ao agricultor, que deverá alcançar R$ 85,3 bilhões para grãos. Se agregarmos as culturas perenes, como café, cana-de-açúcar e citricultura, chegaremos a R$ 183 bilhões – afirmou o presidente da Câmara, Cristiano Walter Simon.

Os números citados por Simon referem-se a estudo realizado pela RC Consultores para a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). O trabalho aponta que em 2010 a renda total do setor agrícola, envolvendo as culturas temporárias de algodão, arroz, feijão, milho, soja e trigo, e as lavouras perenes como as de café, cana-de-açúcar, fumo, laranja, além de outras culturas, alcançará R$ 174,7 bilhões. O setor de grãos, sozinho, registrará renda de R$ 78,8 bilhões este ano, indica a projeção apresentada na Câmara Setorial. A Andef projeta crescimento de 3% na produção de soja e de 10% para o algodão.

A perspectiva de recuperação da renda do produtor leva em consideração dois fatores, alertou Simon.

– O aumento dos preços das commodities tem ajudado o produtor, evidentemente. Há também redução ou pelo menos o equilíbrio dos preços dos insumos em relação à safra passada, o que também ajudou na relação de troca do produtor – disse Simon, que também é diretor executivo da Andef.

A Câmara divulgou alguns números referentes ao desempenho do setor de fertilizantes e de insumos deste ano. Entre janeiro e agosto, a produção de fertilizantes no país alcançou 6,4 milhões de toneladas, o que representa um crescimento acima de 20% na comparação com os 5,3 milhões de toneladas de igual período do ano passado. As importações somaram 8,9 milhões de toneladas entre janeiro e agosto deste ano, mais de 40% frente os 6,3 milhões de toneladas em igual período do ano passado.

Já o total de entregas ao consumidor final – o produtor rural – somou 13,6 milhões de toneladas no acumulado dos oito primeiros meses deste ano, representando crescimento de 3% em relação ao total de 13,2 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado. Os dados foram apresentados pela Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA).

No segmento de defensivos, a Câmara Setorial divulgou dados de faturamento calculados pela Andef, indicando US$ 539 milhões de vendas em julho deste ano frente a US$ 534 milhões em julho de 2009. Não foram divulgados dados referentes ao resultado parcial acumulado desde o início do ano. Há projeção de que o setor de defensivos encerre 2010 com faturamento de US$ 2,447 bilhões, em ligeiro crescimento frente aos US$ 2,426 bilhões do ano passado.

As operações com herbicidas devem atingir US$ 927 milhões este ano, o segmento de inseticidas deve movimentar US$ 690 milhões e o de fungicidas, US$ 675 milhões. Segundo Simon, os números comprovam que não há "euforia em relação aos resultados", mas uma "questão de sustentabilidade nesse crescimento".
Fonte: Agência Estado

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Alta no preço do café não chega ao produtor rural

Consumidor deve enfrentar aumento de 12% no café. O valor não é repassado aos cafeicultores, que amargam prejuízos

A escassez de chuvas no Espírito Santo no início de 2010 ainda se reflete no setor cafeeiro capixaba. Como o grão não se desenvolveu suficientemente, a produção perdeu tanto em quantidade e como em qualidade. O reflexo será sentido pelo consumidor, que deve enfrentar alta de 12% no preço da bebida, como tem anunciado o Sindicato das Indústrias de Torrefação e Moagem de Café do Estado do Espírito Santo – Sincafé, valor que não é repassado ao produtor rural.

“Perdemos cerca de 30% de nossa colheita da última safra por conta da falta de chuva. O preço da saca de café hoje, não cobre nem o custo da produção, que cresceu aproximadamente 30% em relação a 2009. Valor decorrente da elevação do preço da mão de obra, dos insumos e dos investimentos em tecnologias para a melhoria da produção. A situação é realmente preocupante”, comenta o presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo - Faes, José Umbelino de Castro.

Um agravante para os cafeicultores é a falta de incentivo do Governo Federal que ainda não liberou o financiamento para colheita do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Os capixabas já colheram cerca de 60% do café das lavouras, e ainda não tiveram acesso ao dinheiro, que ajudaria nessa fase. Prejuízo para os cerca de 60 mil produtores de café do Espírito Santo.

Entre agosto e setembro, 47 milhões sacas de café vão entrar no mercado, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab. “Se o Governo não lançar um programa de sustentação de preços, a tendência é que o produtor receba bem menos e amargue prejuízos ainda maiores”, enfatiza José Umbelino.

Dados do café capixaba

* O preço da saca de café Conilon no Espírito Santo gira em torno de R$ 243.
* A média de preços do café tipo 6 Bebida Dura é de R$ 207, para o tipo 7 Bebida Rio, R$ 167.
* O preço da saca de café Arábica no Estado está cotado em R$ 160 para o tipo 7 e R$ 168 para o tipo 8.
* O custo da produção subiu 30% em relação ao ano passado.
* A perda foi de 30% na colheita e no beneficiamento do café, decorrente da falta de chuvas.
* O Espírito Santo possui 60 mil propriedades rurais cafeicultoras.
* A área de cafeicultura capixaba é de aproximadamente 500 mil hectares.
Fonte: Portal do Agronegócio

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Crédito rural: aumento de 26% confirma incentivo ao médio produtor e a agricultura sustentável

Faltando dois meses para o fim da safra 2009/2010, a concessão de crédito para o setor rural é quase 26% superior ao que foi aplicado no mesmo período da safra anterior, passando de R$ 57,6 bilhões para R$ 72,4 bilhões, entre julho e abril. Apenas para a agricultura comercial foram aplicados R$ 62,9 bilhões de julho a abril de 2009/2010 – 27% a mais do que no mesmo período do ciclo 2008/2009. Para investimento, os recursos passam de R$ 8 bilhões.

Produção sustentável – Entre julho de 2009 e abril de 2010, o crédito concedido pelo Programa de Incentivo à Produção Sustentável do Agronegócio (Produsa) foi de R$ 380 milhões, quase cinco vezes mais do que o volume liberado no mesmo período do ciclo anterior. “Esses resultados indicam que o produtor rural está cada vez mais preparado para adaptar-se ao desenvolvimento sustentável que incluirá, a partir da próxima safra, um novo programa de investimento para a agricultura de baixo carbono”, observa o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Entre julho de 2009 e abril de 2010, a aplicação de recursos do Programa de Geração de Emprego e Renda Rural (Proger Rural), destinado ao produtor de médio porte, é cinco vezes maior ao que investido no mesmo período da safra 2008/2009. Os dados consolidados da concessão de crédito até abril indicam quase R$ 2,5 bilhões, incluindo custeio e investimento.

Custeio e comercialização - Os 49,8 bilhões liberados para custeio e comercialização beneficiaram também os produtores que utilizaram os recursos para estocagem. Para a comercialização, neste ano, mais de R$ 17 bilhões foram aplicados até agora - representando um crescimento de 39,7% em relação ao mesmo período de 2009. Desse total, R$ 7,4bilhões foram destinados a Empréstimo do Governo Federal (EGF) e R$ 4,7 bilhões em crédito agroindustrial.

Outros R$ 643 milhões foram direcionados para Linha de Crédito Especial (LEC) com a finalidade de apoiar a comercialização de café, leite e derivados, milho, lã, mel, carne suína e frutas. Destaque para a cadeia produtiva de maçã, pêssego, abacaxi, maracujá, pêssego e goiaba que já recebeu R$ 108 milhões nesta safra por meio da LEC. A linha é um instrumento para incentivar, especialmente, a agroindústria de sucos de frutas e outros derivados.
Fonte: Revista Cafeicultura