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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Redução de área do café no PR preocupa o setor

A redução do café no Paraná preocupa o setor. Líder nacional nos anos 1960, o Estado cultivava 1,6 milhão de hectares, área reduzida para 600 mil nos anos 1980 e para apenas 170 mil em 2000.

Com a possibilidade de a área cair para um patamar inferior a 100 mil hectares, os órgãos relacionados ao setor montaram um programa de recuperação de área. A meta era atingir 140 mil hectares em cinco anos.

A baixa adesão ao programa, que era destinado à agricultura familiar, não impediu a continuidade da queda de área, que é atualmente de 94 mil hectares.

O problema dessa redução de área é um desestruturamento da cadeia produtiva em algumas regiões do Estado, diz Francisco Barbosa Lima, da SFA (Superintendência Federal de Agricultura) no Paraná. Grandes exportadores estão desativando escritórios e pequenas torrefações podem ter problemas de abastecimento.

Armando Androcioli Filho, do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), diz que essa desestruturação vai afetar o pequeno produtor, principalmente os que estão em áreas mais distantes das principais áreas produtoras.

Sem estrutura de comercialização no município, o produtor perde contato com o comprador, principalmente pelo pequeno volume que comercializa.

A cafeicultura está em 200 municípios paranaenses -ou seja, em metade do Estado-, mas em apenas um quarto deles a atividade é importante, diz Paulo Sérgio Franzini, do Deral (Departamento de Economia Rural).

Segundo ele, a cafeicultura poderia crescer no Estado se houvesse incentivos aos pequenos e médios produtores. "Hoje, 85% dos produtores são pequenos, mas basta o produtor ter um funcionário para ficar fora do Pronaf (programa que financia os produtores familiares).

Apesar da redução de área no Estado, a produção cresce. "Há um foco de resistência no Estado, de um grupo entusiasmado", diz Barbosa.

Em 1994, a cafeicultura ocupava 190 mil hectares, com produção de 2 milhões de sacas. Neste ano, apesar de a área estar em apenas 94 mil hectares, a produção chegou a 2,1 milhões de sacas.

Líder - O Brasil já é o líder na produção e exportação de café produzido com certificação, rastreabilidade e conforme as boas práticas, afirma Eduardo Sampaio, da certificadora UTZ do Brasil.

Quanto é - As vendas externas de café com certificação somam 1,3 milhão de sacas, mas o país já produz 3,5 milhões, o que representa 7% da produção nacional, segundo Sampaio.

Perigo Brasil e Vietnã detêm 24% da área mundial de café e 52% da produção. A produtividade média nos dois países é de 22 e 28 sacas por hectare, respectivamente. Nos demais, essa média cai para 8 sacas por hectare. Qualquer problema sério nos lideres de produção afeta seriamente o abastecimento, segundo Sampaio.

Leilões Ainda neste mês o governo voltará a colocar café em leilão. O custo será à taxa de 6,75% ao ano via FAC (Financiamento para Aquisição de Café). Os recursos vêm do Funcafé.

Incentivos A Apex (agência do governo para a promoção das exportações) e a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) vão desenvolver novo programa de incentivo às exportações. A linha de financiamento será de R$ 5 milhões para dois anos, com foco em pequenas empresas. O consórcio assume os problemas da parte comercial da operação.

Lavazza O presidente da Abic, Almir José da Silva Filho, diz que a entrada da multinacional Lavazza na produção de café torrado e moído é importante para o mercado. Ela atua em escritórios, bares e restaurantes onde a qualidade do café precisa ser melhorada.

Novos tempos Nos anos 1970, a produção média de cafés com defeito representava apenas 8% da produção total. Atualmente, são 25%. Esse aumento se deve ao elevado custo de produção, que obriga à utilização de máquinas e a um número menor de colheita seletiva, segundo Silva Filho.
Fonte: Folha de São Paulo

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Volume de café exportado em maio teve uma pequena redução de 0,6%

O volume de café exportado em maio teve uma pequena redução de 0,6%, em relação ao mesmo mês de 2009. Foram embarcadas 2,483 milhões de sacas, ante 2,498 milhões de sacas em maio de 2009, conforme levantamento divulgado hoje pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). Apesar da queda em volume, o Cecafé informa que a receita cambial total teve elevação de 19,3% em maio passado em relação ao mesmo mês de 2009. Os exportadores faturaram US$ 391,848 milhões, em comparação com US$ 328,413 milhões em maio do ano passado.

O balanço do Cecafé mostra, ainda, que na participação porcentual por qualidade, o arábica representou 84% do total, seguido do solúvel, com 11%, e robusta (conillon), com 5%. Em relação aos mercados compradores, a Europa representa 55% das importações do produto brasileiro no período janeiro a maio, enquanto América do Norte responde por 20%, a Ásia por 17%, e a América do Sul por 5%.

Na avaliação por países, Alemanha mantém a liderança, com a aquisição de 2.286.130 sacas entre janeiro e maio, seguida pelos Estados Unidos, com 2.224.213, e a Itália, com 1.082.711. No quarto lugar está o Japão, com 866.059 sacas. Nos principais portos de embarque o resultado foi o seguinte: Santos, com 9.427.926 sacas no período janeiro/maio (77,4% do total), seguido de Vitória, com 1.330.327 sacas, (10,9%), e o Rio de Janeiro, com 1.059.480 sacas (8,7%).

Levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado hoje, mostra que a receita cambial com exportação de café (verde, solúvel e torrado e moído) nos primeiros cinco meses aumentou 13%, em relação ao mesmo período do ano passado. O faturamento é de US$ 1,912 bilhão, ante US$ 1,685 bilhão em 2009. O volume da exportação brasileira de café no período totaliza 12,188 milhões de sacas, com diminuição de 3% em relação ao ano anterior (12,544 milhões de sacas).

Desse total, o volume de café verde exportado pelo Brasil no período caiu 4%. Foram embarcadas 10,897 milhões de sacas, em comparação com 11,379 milhões de sacas em 2009. Do total de grão verde exportado no período, o embarque de arábica teve queda de 3%, de 11,005 milhões de sacas para 10,637 milhões de sacas. Já o volume de café conillon teve redução de 30% no período, de 373.314 sacas para 260.262 sacas nos primeiros cinco meses deste ano. Quanto ao desempenho das exportações de café solúvel, o levantamento do CeCafé mostra aumento de 11% no período, em volume.

Foram embarcadas 1,291 milhão de sacas em equivalente de café solúvel, em comparação com 1,165 milhão de sacas em 2009. Conforme o levantamento, no acumulado dos últimos 12 meses o Brasil exportou um total de 27,584 milhões de sacas do produto, resultado 5% menor ante período anterior (29,092 milhões de sacas). A receita acumulada é de US$ 4,172 bilhões, menos 4% ante julho de 2008 a maio de 2009 (US$ 4,334 bilhões).
Fonte: Revista Cafeicultura

terça-feira, 11 de maio de 2010

Conab aponta redução de 3% na safra de café em Mato Grosso

Menos de 1% de toda produção de café no Brasil sai de Mato Grosso. Os números desta unidade federativa mostram que no Estado (onde o destaque é a soja, milho e algodão, por exemplo) é produzido 0,3% de tudo aquilo que se planta no país. Minas Gerais, com 50,9% de participação, detém o título de principal produtora de café nesta safra 2010. Espírito Santo (23,4%) e São Paulo (9,3%) aparecem em seguida.

A área destinada ao complexo cafeeiro sofreu recuo neste ciclo no território matogrossense. Ao todo, destinaram-se à cultura equivalente a 13,8 mil hectares, enquanto em 2009 haviam sido 15,2 mil ha. Em 2010, o número de covas deve chegar a 33,4 mil, responsável pela produção de 136 mil sacas beneficiadas.

De café conilon deve-se produzir 125 mil sacas enquanto de arábica outras 10,9 mil. As projeções são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e constam no segundo levantamento da safra cafeeira no Brasil. A estatal indica produtividade média de 9,85 sacas por hectare.
Em 2009, os números consolidados da produção mato-grossense fecharam em 141 mil sacas, com produtividade de 9,23 por hectare. A queda na produção estadual de café, entre os dois ciclos, deve ser de 3,5%.

No Brasil, a previsão atual para a produção nacional de café beneficiado indica 47,04 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado. O resultado representa um acréscimo de 19,2%, ou de 7,57 milhões de sacas, quando comparado com a produção de 39,47 milhões de sacas obtidas na safra 2009. Tal crescimento é justificado pelo ano de bienalidade positiva, aliado às condições climáticas favoráveis até o mês de dezembro/2009.

O maior acréscimo se dará na produção de café arábica, estimada em 35,31 milhões de sacas, o que representa um ganho sobre a safra anterior de 22,3%, (6.440,9 mil sacas). Para a produção do robusta (conilon) a previsão aponta produção de 11,73 milhões de sacas, ou seja, crescimento de10, 7% (1.130 mil sacas).
Fonte: Notícias Agrícolas

terça-feira, 20 de abril de 2010

Estudo aponta redução no custo da mão de obra do café

O aumento da rentabilidade da cafeicultura no Brasil e no mundo e o futuro da atividade passam necessariamente por mudanças no sistema de colheita do café. Por ser uma cultura perene, o processo de colheita representa pelo menos 50% dos custos de produção do café. A outra metade do custo fica dividida entre fertilizantes (30%) e demais despesas como água, energia, entre outros custos.

A conclusão de que a colheita é a peça-chave para a rentabilidade da cafeicultura é de um estudo elaborado pela P&A Consultoria, especializada no setor cafeeiro. Segundo o levantamento, a colheita seletiva dos grãos - processo em que os trabalhadores retiram dos pés apenas os grãos maduros - permite um elevado grau de seleção. Esse, porém, é o sistema de maior custo para os cafeicultores.

Levando-se em consideração uma mesma área, com a mesma quantidade de cafeeiros e dentro de um mesmo período de tempo, o sistema de derriça manual - em que o trabalhador retira todos os grãos de café do pé com as mãos - permite a colheita de um volume de três a cinco vezes maior do que no processo seletivo dos grãos.

"Diferentemente do que foi colocado historicamente pelos colombianos, a colheita seletiva do café não interfere na qualidade do produto final. Para se ter um café de alta qualidade na xícara você precisa de grãos 100% maduros, mas não que tenham sido 100% colhidos de forma seletiva", afirma Carlos Brando, diretor-presidente da P&A.

Há outras desvantagens no sistema de colheita seletiva, segundo ele. Quando se leva em consideração a chamada derriça mecânica - sistema que utiliza um instrumento em forma de garras para realizar a colheita - , além de haver uma substituição da mão humana pela "mão" mecânica, os volumes colhidos superam em 20 vezes o sistema seletivo e em até quatro vezes a derriça manual.

Quando a avaliação da consultoria leva em conta a colheita feita com colheitadeiras mecânicas as diferenças são maiores. Além de ser um trabalho menos desgastante para o agricultor, permitir uma colheita seletiva e ter um baixo custo, a máquina colhe um volume 500 vezes maior que o sistema seletivo, 100 vezes superior à derriça manual e 25 vezes maior que a derriça mecânica.

Hoje, no Brasil, apenas 1% da colheita do café é feita de forma seletiva. Na maior parte dos casos, o processo é feito por meio da derriça, seja ela mecânica (15%) ou manual (61%), sendo que aproximadamente 18% é feito por meio de colheitadeiras. "Essa sempre foi a vantagem competitiva que o Brasil teve. O café chegava mais barato porque o sistema de colheita utilizado era mais eficiente, só que isso está mudando", afirma Brando.

O consultor avalia que a vantagem brasileira está sendo consumida pelo desvalorização do real em comparação com o dólar. Por esse motivo, Brando defende que haja uma migração da colheita por derriça manual para a derriça mecânica e, quando possível, para a colheita mecanizada com um sistema de irrigação.

As alterações no sistema de colheita podem fazer bastante diferença. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que na Bahia, onde predomina a colheita mecanizada e o uso de irrigação, os custos de mão de obra representam apenas 9%, enquanto defensivos e fertilizantes somam 41%. Já em Guaxupé, no sul de Minas Gerais, onde as colheitadeiras são raras, o gasto com mão de obra, fixa e temporária, representa quase 50% do custo de produção.

Na Colômbia, praticamente toda a colheita do café é feita de forma seletiva, o que consequentemente exige um elevado volume de mão de obra. Apesar disso, Brando afirma que é possível identificar cerca de 3% de grãos verdes no café colombiano, quando não deveria existir nenhum. "O que é preciso ficar claro é que existe mercado para todos os tipos de café, tanto para os grãos maduros quanto para os verdes", afirma o consultor.

Geralmente, os grãos maduros são utilizados para a produção dos cafés finos e especiais, consumidos nos expressos. Já os grãos verdes, que não atingiram o ponto ideal de maturação e, por isso, não absorveram as melhores características da planta, são utilizados para a produção de bebidas tradicionais, consumidas em casa, com coador e também para café solúvel.

Especialistas consideram que mudanças são realmente necessárias. Dados da Conab mencionados em um estudo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Banco Brasdesco mostram que o setor, especialmente o de café arábica, enfrenta problemas de rentabilidade. Em Guaxupé, por exemplo, o setor fechou 2009 com um prejuízo operacional de 9%, considerando um custo médio de R$ 281,10 por saca e um valor médio recebido pelo produtor de R$ 256,18 por saca.
Fonte: Sincafé