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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mercado de café não apresentou mudanças esta semana

O mercado de café não apresentou mudanças esta semana. As bolsas de futuro oscilaram bastante e o mercado físico manteve seus preços estáveis, com bastante interesse pelos arábicas de boa qualidade. A esta altura do ano-safra 2010/2011, os operadores começam a se perguntar sobre o volume de café arábica de boa qualidade que ainda existe em mãos dos produtores. Os embarques mensais estão batendo recorde mês após mês e nos cinco primeiros meses do ano-safra (julho a novembro) devemos ter embarcado 15,3 milhões de sacas de café (os números de novembro ainda não estão fechados, mas os registros indicavam 2, 996 milhões de sacas até o último dia 30, sendo provável que os números finais de novembro fiquem próximos dos de outubro, que chegaram ao recorde de 3, 404 milhões de sacas).

Boa parte desses embarques foi de café arábica de boa qualidade. Chama a atenção o fato dos estoques nos países consumidores não subirem apesar dos embarques recordes do Brasil. No consumo interno devemos ter usado oito milhões de sacas nestes primeiros cinco meses. Portanto já usamos, em cinco meses, 23,3 milhões de sacas de uma safra de ciclo alto. Não é difícil de perceber o aperto que teremos pela frente.

Com a safra de ciclo baixo no Brasil em 2011, quebra de safra na Colômbia e problemas climáticos no Vietnã e América Central, ficou impossível falar em abundância de oferta nos próximos dois anos, sobrando para os operadores especularem sobre a safra mundial de 2013.

Até o dia 30, os embarques de novembro estavam em 2.680.919 sacas de arábica e 83.364 sacas de conillon, somando 2.764.283 sacas de café verde, mais 232.049 sacas de solúvel, contra 2.747.027 sacas no mesmo dia do mês anterior. Até o dia 30, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em novembro totalizavam 3.245.373 sacas, contra 3.316.676 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 26, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 3, subiu nos contratos para entrega em março próximo, 210 pontos ou US$ 2,77 (R$ 4,66) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 26, a R$ 463,33/saca e hoje, dia 3, a R$ 456,48/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 110 pontos.
Fonte: Boletim semanal Escritório Carvalhaes

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ruralistas tentam aprovar mudanças no Código Florestal

Deputados ligados ao agronegócio mobilizam os líderes partidários para tentar aprovar as mudanças no Código Florestal ainda neste ano. O relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) já foi aprovado em comissão especial e aguarda inclusão na pauta do Plenário.

O texto prevê a ampliação da autonomia dos estados para legislar sobre meio ambiente, acaba com a obrigatoriedade de reserva legal por parte das pequenas propriedades e anistia quem cometeu crime ambiental até julho de 2008. O embate entre ambientalistas e ruralistas em torno do tema tem adiado a apreciação da matéria.

O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), que presidiu a Comissão Especial do Código Florestal, já conversou com o líder de seu partido, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), e está otimista quanto à estratégia adotada para concluir a votação da matéria no Plenário, em dezembro. Sua intenção é aprovar o texto como está, deixando possíveis emendas para o Senado, no ano que vem.

Micheletto reconhece que, antes, o Plenário precisa superar a polêmica em torno do projeto de lei que trata da exploração de petróleo na camada pré-sal. Os deputados da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural realizaram audiência pública nesta terça-feira e anunciaram que já mobilizaram seus líderes partidários em busca do acordo. O deputado Aldo Rebelo também participou da audiência e aproveitou para rebater críticas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência quanto à necessidade de ampliar o debate sobre o tema.

"O debate é sempre importante, mas acho que, ao mesmo tempo, a Câmara também precisa adotar providências principalmente sobre coisas imediatas: 90% dos proprietários rurais estão na ilegalidade, submetidos a sanções do Ministério Público, da Polícia Florestal. São pessoas que vivem dentro da lei, mas que, por uma legislação ambiental muito rigorosa, acabam sendo tratadas como criminosos", disse.

Estudo

Também nesta terça, o Observatório do Clima (rede que reúne 36 ONGs ambientalistas e movimentos sociais) divulgou um estudo sobre o impacto das mudanças do Código Florestal nas metas do Brasil de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa entre 36% e 38% até 2020.

O coordenador do observatório, André Ferretti, disse que a redução das áreas de proteção nas margens de rios e as mudanças nos atuais critérios de reserva legal, ambas medidas previstas no texto de Aldo Rebelo, comprometem as metas que o Brasil vem apresentando nas conferências da ONU sobre mudanças climáticas.

"Se a gente somar essas alterações, isso tudo junto teria um potencial de emissão de gases do efeito estufa de cerca de 25,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. Só para se ter uma referência, em 2007, o Brasil emitiu, no ano, 1,9 bilhão de tonelada. Então, a gente está falando que o substitutivo, no pior cenário, poderia abrir um potencial de emissão de cerca de 13 vezes todas as emissões do Brasil, tomando como base o ano de 2007".

Em defesa de seu relatório, Aldo Rebelo destacou que a atual legislação ambiental brasileira é inexequível e precisa de ajustes para adequá-la às desigualdades sociais, econômicas e geográficas do Brasil. Aldo disse que buscou superar o antagonismo entre meio ambiente e agricultura e voltou a rebater as insinuações de ter beneficiado apenas o agronegócio.

"A renda no campo é pequena. Nem todo mundo tem 200 mil hectares de soja; 90% é um a três salário mínimos. E fica muita gente dizendo que é tudo ruralista: esse tipo de coisa é um crime, ou é má-fé ou é uma indiferença grande".
Fonte: Campo Vivo

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cafeicultores querem mudar Funcafé para recuperar renda

Produtores reclamam que recursos são usados para rolagem de dívidas e para ajudar outros setores.

Os preços do café estão em alta, mas os produtores reclamam que não têm produto para vender. Eles alegam que tiveram que entregar a produção quando o mercado estava em baixa para quitar dívidas. Os cafeicultores querem que o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) seja melhor administrado para recuperar a renda do setor.

A florada do café na região do cerrado mineiro exala perfume e esperança de uma boa produção na próxima safra, considerada a melhor dos últimos 10 anos. A uniformidade dos cafezais leva otimismo para os cafeicultores como Sergio Dadona, que esta na atividade há 25 anos. Em 2005 ele conseguiu quitar as dividas quando os preços do café subiram durante três semanas. Estava com o produto pronto para vender na hora certa, mas fez novas dividas com investimentos em área e maquinário. Dadona esperava que o Funcafé pudesse ajudar mas nunca chegou quando deveria.

Levantamento feito pelo cafeicultor Silvio Altrão mostra que a divida da cafeicultura brasileira passa de R$ 12 bilhões - metade com o Banco do Brasil. Ainda de acordo com ele, o Funcafé teria em caixa mais de R$ 5 bilhões.

O governo administra o Funcafé, mas libera poucas linhas de crédito para custeios de colheita, de safra e de armazenamento. Os produtores denunciam que os recursos estão servindo apenas para rolagem de dívida e para ajudar outros setores da cadeia produtiva deixando o cafeicultor de lado. A ideia seria dar outro destino para os bilhões do fundo que possa garantir renda para o setor.

Nerso Chihara já chegou produzir 15 mil sacas de café, depois de enfrentar várias crises reduziu a área pela metade. O cafeicultor já encaminhou para lideranças do setor um a proposta de fazer funcionar de fato um estoque regulador e estimular a renovação do parque cafeeiro, erradicando os cafezais de baixa produtividade.
Fonte: Canal Rural

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lucro na agricultura pode cair até 26% por causa das mudanças no clima, diz Ipea

Até 2100, o lucro da agricultura no Brasil pode ter queda de 26% devido às mudanças no clima. As projeções foram divulgadas nesta quarta, dia 22, em Brasília, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Baseado em simulações de clima para os próximos 100 anos, o estudo afirma que de 2040 a 2070 a queda nos lucros do setor agrícola no Brasil será de 3,7%. Os números consideram que as emissões de gases do efeito estufa se mantenham nos níveis atuais.

— Em termos gerais, as mudanças climáticas vão acarretar mudanças na economia brasileira como um todo. Do ponto de vista da agricultura, vai ter mudanças de produtividade em diversas regiões e com efeitos distributivos e regionais — disse o coordenador do estudo, Jorge Hargrave.

Os dados, no entanto, indicam que cada região do país sofrerá diferentes impactos. No Centro-oeste o aumento das temperaturas pode tornar inviáveis determinados cultivos. No Sul, onde as médias são mais amenas, a mudança pode trazer benefícios e aumentar as opções para os agricultores.

O Centro-oeste deve ter queda de 161% na produtividade até 2100. No Norte, a redução deve ser de 124%, e no Nordeste, de 51%. Para o Sudeste, a previsão é de poucas alterações, com queda de apenas 0,5%. A região Sul tem as melhores perspectivas: alta de 17% no mesmo período.

O técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea Gustavo Luedemann pondera as estimativas. Ele explica que as previsões climáticas para o futuro são relativas.

— Estamos hoje em uma fase em que é muito difícil, com a disponibilidade de dado, fazer previsões concretas sobre o aumento ou a diminuição de produtividade na agricultura — diz o pesquisador.

Segundo o instituto, a redução do desmatamento e uso de tecnologia podem amenizar os impactos negativos das mudanças no clima.

— O estudo sugere diversas outras medidas, como o investimento em novas tecnologias, tecnologias de adaptação da agricultura, fortalecendo o papel da Embrapa nessa adaptação. São medidas que eu consigo lembrar e que são prioritárias e muito importantes para o país — disse o coordenador do estudo, Jorge Hargrave.
Fonte: Campo Vivo

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mudanças na colheita podem elevar a rentabilidade no café

O aumento da rentabilidade da cafeicultura no Brasil e no mundo e o futuro da atividade passam necessariamente por mudanças no sistema de colheita do café. Por ser uma cultura perene, o processo de colheita representa pelo menos 50% dos custos de produção do café. A outra metade do custo fica dividida entre fertilizantes (30%) e demais despesas como água, energia, entre outros custos.

A conclusão de que a colheita é a peça-chave para a rentabilidade da cafeicultura é de um estudo elaborado pela P&A Consultoria, especializada no setor cafeeiro. Segundo o levantamento, a colheita seletiva dos grãos - processo em que os trabalhadores retiram dos pés apenas os grãos maduros - permite um elevado grau de seleção. Esse, porém, é o sistema de maior custo para os cafeicultores.

Levando-se em consideração uma mesma área, com a mesma quantidade de cafeeiros e dentro de um mesmo período de tempo, o sistema de derriça manual - em que o trabalhador retira todos os grãos de café do pé com as mãos - permite a colheita de um volume de três a cinco vezes maior do que no processo seletivo dos grãos.

"Diferentemente do que foi colocado historicamente pelos colombianos, a colheita seletiva do café não interfere na qualidade do produto final. Para se ter um café de alta qualidade na xícara você precisa de grãos 100% maduros, mas não que tenham sido 100% colhidos de forma seletiva", afirma Carlos Brando, diretor-presidente da P&A.

Há outras desvantagens no sistema de colheita seletiva, segundo ele. Quando se leva em consideração a chamada derriça mecânica - sistema que utiliza um instrumento em forma de garras para realizar a colheita - , além de haver uma substituição da mão humana pela "mão" mecânica, os volumes colhidos superam em 20 vezes o sistema seletivo e em até quatro vezes a derriça manual.

Quando a avaliação da consultoria leva em conta a colheita feita com colheitadeiras mecânicas as diferenças são maiores. Além de ser um trabalho menos desgastante para o agricultor, permitir uma colheita seletiva e ter um baixo custo, a máquina colhe um volume 500 vezes maior que o sistema seletivo, 100 vezes superior à derriça manual e 25 vezes maior que a derriça mecânica.

Hoje, no Brasil, apenas 1% da colheita do café é feita de forma seletiva. Na maior parte dos casos, o processo é feito por meio da derriça, seja ela mecânica (15%) ou manual (61%), sendo que aproximadamente 18% é feito por meio de colheitadeiras. "Essa sempre foi a vantagem competitiva que o Brasil teve. O café chegava mais barato porque o sistema de colheita utilizado era mais eficiente, só que isso está mudando", afirma Brando.

O consultor avalia que a vantagem brasileira está sendo consumida pelo desvalorização do real em comparação com o dólar. Por esse motivo, Brando defende que haja uma migração da colheita por derriça manual para a derriça mecânica e, quando possível, para a colheita mecanizada com um sistema de irrigação.

As alterações no sistema de colheita podem fazer bastante diferença. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que na Bahia, onde predomina a colheita mecanizada e o uso de irrigação, os custos de mão de obra representam apenas 9%, enquanto defensivos e fertilizantes somam 41%. Já em Guaxupé, no sul de Minas Gerais, onde as colheitadeiras são raras, o gasto com mão de obra, fixa e temporária, representa quase 50% do custo de produção.

Na Colômbia, praticamente toda a colheita do café é feita de forma seletiva, o que consequentemente exige um elevado volume de mão de obra. Apesar disso, Brando afirma que é possível identificar cerca de 3% de grãos verdes no café colombiano, quando não deveria existir nenhum. "O que é preciso ficar claro é que existe mercado para todos os tipos de café, tanto para os grãos maduros quanto para os verdes", afirma o consultor.

Geralmente, os grãos maduros são utilizados para a produção dos cafés finos e especiais, consumidos nos expressos. Já os grãos verdes, que não atingiram o ponto ideal de maturação e, por isso, não absorveram as melhores características da planta, são utilizados para a produção de bebidas tradicionais, consumidas em casa, com coador e também para café solúvel.

Especialistas consideram que mudanças são realmente necessárias. Dados da Conab mencionados em um estudo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Banco Brasdesco mostram que o setor, especialmente o de café arábica, enfrenta problemas de rentabilidade. Em Guaxupé, por exemplo, o setor fechou 2009 com um prejuízo operacional de 9%, considerando um custo médio de R$ 281,10 por saca e um valor médio recebido pelo produtor de R$ 256,18 por saca.
Fonte: Faes (Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo)