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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Estudo da Embrapa aponta contribuição das florestas para a produtividade do café, em região produtora de Rondônia

Pesquisa sobre serviços ambientais mostra que o microclima gerado pela mata beneficiou a produção

Que o verde das matas traz benefícios para o equilíbrio ambiental do planeta, todo mundo já sabe. Mais do que isso, a sociedade cobra a manutenção dessa condição, especialmente do setor produtivo. O que talvez nem todos tenham conhecimento é que áreas de florestas também podem contribuir de maneira direta para a produtividade agrícola. Um exemplo é o café produzido em uma região de Rondônia. , objeto de estudo da Embrapa, concluído neste ano. O trabalho mostrou que o café cultivado no entorno das reservas florestais teve um aumento de produtividade de até 20% em relação ao café cultivado em áreas mais distantes das reservas. Um exemplo claro do benefício gerado pela mata em termos de produtividade do café.

O trabalho foi realizado pelo pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, João Mangabeira, e culminou na defesa de tese de doutorado no Instituto de Economia da Unicamp, sob orientação do professor Ademar Ribeiro Romeiro. O trabalho inédito analisa a trajetória de acumulação de capital pelos produtores rurais familiares de Machadinho D’Oeste, RO, por intermédio dos serviços ambientais prestados pelas matas nativas - serviços que envolveram principalmente o trabalho de polinização das abelhas nativas e a geração de um microclima que reduziu o abortamento das flores do café em períodos críticos.

O aumento de 20% na produtividade tem muito peso para um município onde os agricultores familiares são dependentes da renda proveniente da cultura do café. Nos últimos dez anos, eles vêm enfrentando um grande problema na região com a ocorrência de sucessivos “veranicos”. Esse fenômeno, caracterizado por dias de calor intenso e insolação no início da estação chuvosa, em agosto e setembro, vem afetando justamente a fase de floração do café e prejudicando o crescimento dos frutos. “O cafeicultor sabe bem que a falta de chuvas na época da floração é prejuízo certo porque vai provocar uma redução drástica na produção da sua lavoura”, explica João Mangabeira. O estudo mostrou que os produtores de café que estão localizados perto das reservas florestais sofreram menos com o impacto dos “veranicos”. “O microclima gerado pela mata ajudou a lavoura de café a enfrentar o período de estiagem, reduzindo o abortamento das flores e garantindo a produtividade dos frutos”, ressalta o pesquisador.

O trabalho, que analisou a trajetória de acumulação de capital dos agricultores ao longo de 22 anos, utilizou imagens de satélite de alta resolução para identificar as propriedades rurais e as reservas florestais na área de estudo. Os agricultores foram divididos em cinco tipos quanto ao seu nível de capitalização e, por meio de geoestatística, foi realizada a correlação dessa radiografia da área com os dados socioeconômicos. Tomando como referência a distância em relação às reservas de mata nativa, o estudo analisou a localização tanto das propriedades mais capitalizadas ao longo do tempo quanto das lavouras de café mais produtivas. Os resultados mostram que as propriedades com café plantado próximo às matas, em média, apresentam maior produtividade e melhor desempenho. Observou-se também que, em maior quantidade, propriedades com melhor nível de capitalização situam-se próximas às reservas, evidenciando a existência de prestação de serviços ambientais pelas matas.

Para o pesquisador João Mangabeira, é essencial esse esforço de quantificar, do ponto de vista econômico, a importância e os benefícios dos serviços ambientais em nossas vidas. “Quando orientados para a agricultura, esses serviços ambientais podem ser traduzidos ainda em redução dos desmatamentos, absorção do carbono atmosférico, conservação de água, conservação do solo, preservação da biodiversidade, redução do risco de fogo, entre outros”, completa o pesquisador.

Machadinho D’Oeste

O município de Machadinho D’Oeste, onde foi realizada a pesquisa, nasceu a partir de um projeto diferenciado de reforma agrária do Incra, estabelecido na década de 80. Diferente da maioria dos projetos de assentamento na Amazônia, em Machadinho D’Oeste foram planejados um traçado e uma divisão de lotes que não obedeceram ao tradicional padrão do tipo “espinha de peixe”. Ali, procurou-se combinar lotes privados com reservas florestais coletivas, que vêm se mantendo em boas condições, mesmo com a evolução da atividade agropecuária no município. A rede viária respeitou o relevo e a hidrografia do local, permitindo também o acesso mais fácil aos lotes mais remotos e diminuindo os custos de manutenção. Os atores locais acabaram sendo contemplados com um modelo institucional diferenciado de assentamento, com repercussão em vários aspectos ligados à sustentabilidade econômica e ambiental da região.
Fonte: Revista Cafeicultura

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Café de Rondônia tem safra recorde

Maior produtor de café da região norte o Estado de Rondônia deve fechar o ano de 2010 com a maior safra da história.

Maior produtor de café da região norte o Estado de Rondônia deve fechar o ano de 2010 com a maior safra da história. No mês de agosto foram colhidos 2.338.028 sacas de café beneficiados, batendo o recorde conquistado há sete anos. Com essa nova marca o café de Rondônia se consolida na quarta posição do ranking nacional em produção de café, ficando atrás somente dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

Segundo o engenheiro agrônomo José Edny de Lima Ramos, da Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater), o café “é a cultura de maior expressão econômica e social” e conta com a participação de 35 mil agricultores de base familiar. A variedade conilon (Coffea canephora), a mais cultivada por melhor se adaptar às condições ecológicas de Rondônia foi a que “elevou o Estado à categoria de segundo maior produtor dessa variedade no País”.

A produtividade dos cafezais ainda é baixa e o motivo, segundo técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Emater é, entre outros fatores, as altas temperaturas registradas no período de floração, acrescidos à baixa fertilidade de solo e pouca utilização de tecnologias e insumos. Para chegar a essa marca de quarto maior produtor brasileiro de café os cafeicultores contam com incentivo governamental e assistência técnica constante. Alguns agricultores já estão até adotando tecnologias e práticas culturais possibilitando o aumento da produtividade, com qualidade e a custo compatível com a exploração da lavoura.

Dados da 3.ª estimativa da safra colhida em 2010, coletados em agosto deste ano mostram que o parque cafeeiro de Rondônia tem hoje, 267,67 milhões de covas, incluindo cafezais em produção (154.783ha) e em formação (6.923ha), totalizando uma produção de 140.281,60 toneladas, o que resulta em 2.338.028 sacas de 60 quilos. Essa é a maior produção dos últimos sete anos. Até então a maior safra era de 2.259.783 sacas, conquistadas em 2003.

No Estado as maiores produções estão nos municípios de Cacoal, São Miguel do Guaporé, Alta Floresta do Oeste, Nova Brasilândia do Oeste, Alto Paraíso e Ministro Andreazza que, juntos, respondem por metade da produção estadual.
Fonte: Revista Cafeicultura

terça-feira, 11 de maio de 2010

Especialistas estudam irrigação para lavouras de café em Rondônia

Profissionais da Embrapa Café, da Embrapa Cerrados e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) participam esta semana de uma expedição pelo interior de Rondônia para avaliar a viabilidade de ações de pesquisa e fomento para irrigação de lavouras de café no Estado. Os especilistas visitam propriedades em diferentes municípios e trocam informaçõs com pesquisadores da Embrapa Rondônia e da Secretaria de Estado de Estado da Agricultura, Pecuária e Regularização Fundiária de Rondônia (Seagri).

Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Rondônia, o engenheiro agrônomo Samuel Magalhães Oliveira explica que a visita é o pontapé inicial para o estabelecimento de parâmetros técnicos para a irrigação de lavouras de café no Estado. “Não existem estudos sobre irrigação de café em Rondônia. A Embrapa quer avançar nesse conhecimento para poder fazer recomendações seguras”, afirma o pesquisador.

A irrigação em lavouras de café tem reflexo direto na produtividade, explicam os especialistas. O problema é que muitas vezes a florada do café é induzida por um curto período chuvoso durante a estiagem. Quando a seca volta, a planta não encontra água suficiente no solo para o desenvolvimento das flores, que murcham e caem antes de produzir frutos de café. A irrigação é uma forma de fornecer água suficiente para que a planta mantenha a florada e consequentemente atinja os níveis ideais de produtividade.

Mas o que parece simples na teoria não é tão fácil de ser colocado em prática. Os cientistas precisam realizar testes para descobrir qual o volume de água ideal, qual a tecnologia de irrigação mais adequada, o período em que se deve iniciar a irrigação e por quanto tempo ela é necessária. É preciso levar em conta características do clima, do solo e da própria planta.

Por isso, foram convidados a conhecer a realidade de Rondônia profissionais altamente especializados no assunto. Elza Jacqueline Leite Meireles é pesquisadora da Embrapa Café, possui mestrado em meteorologia agrícola e doutorado em irrigação e drenagem. Aymbiré Francisco Almeida da Fonseca, pesquisador da Embrapa lotado no Incaper, é autoridade em melhoramento genético de café conilon e foi chefe geral da Embrapa Café durante os últimos dois anos. Antônio Fernando Guerra, da Embrapa Cerrados, possui doutorado em Engenharia de Irrigação pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

O grupo visita propriedades nos municípios de Cacoal, Rolim de Moura, Nova Brasilândia e Mirante da Serra. Em Ouro Preto do Oeste, os especialistas conhecem o Campo Experimental de Ouro Preto do Oeste, área que a Embrapa Rondônia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desenvolve trabalhos de melhoramento genético de café. O encontro termina na quinta-feira, em Porto Velho, onde será apresentado um parecer técnico dos especialistas e elaborada uma proposta de trabalho para pesquisa e apoio à irrigação na cafeicultura.
Fonte: Revista Cafeicultura