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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Regras do mercado futuro preocupam produtor de café

Não há dúvida de que, em parte, os fundamentos do mercado explicam a alta nos preços do café.

No entanto, a fuga dos investidores de ativos de risco -particularmente aqueles atrelados ao dólar- para as commodities agrícolas também contribui para o atual comportamento das cotações.

Esse movimento crescente se baseia na liquidez do mercado financeiro e na concentração de capital em um punhado de investidores.

Sua existência, porém, pouco tem a ver com os motivos que levaram à criação dos mercados futuros agrícolas. Na verdade, estamos diante de uma distorção na lógica de funcionamento desses mercados.

As Bolsas de commodities surgem a fim de mitigar os altos riscos incorridos por produtores e consumidores.

Devido à instabilidade sazonal da produção e à inelasticidade da demanda e da oferta no curto prazo, fez-se necessária a criação de mecanismos de proteção aos produtores.

Por meio da negociação de contratos futuros, os produtores fixam, no tempo presente, o preço do ativo para uma data futura. Com isso, reduzem sua exposição às oscilações não desejadas, assegurando maior previsibilidade à atividade.

Para os consumidores, os benefícios são óbvios: maior estabilidade no mercado e a criação de um instrumento incentivador da produção.

Entre as duas pontas da cadeia, milhões de interessados nesses contratos os negociam diariamente. Admite-se que, quanto maior o número de especuladores, maior a liquidez. Em outras palavras, mercados em que muitas pessoas participam seriam também mais eficientes.

Essa hipótese tem sido incansavelmente testada, com resultados parecidos: a volatilidade dos preços das commodities diminui conforme aumentam os negócios dessas commodities no mercado de futuros.

Nos últimos tempos, porém, dois aspectos têm modificado essa lógica: a exagerada liquidez no mercado internacional e a forte presença de especuladores nos mercados de derivativos.

ALTAS À VISTA
Atualmente, cerca de 80% das posições compradas no mercado futuro de café arábica da BM&FBovespa são de pessoas jurídicas não financeiras, com destaque para os fundos.

Parte desses agentes é classificada como "noise traders": detentores de limitada informação sobre o mercado, negociam em resposta a boatos ou a pequenas alterações na oferta ou no clima.

Em consequência, nota-se aumento na volatilidade dos preços futuros, algo transmitido aos preços à vista.

Os contratos futuros, outrora um instrumento de proteção, tornam-se determinantes para desestabilizar o mercado spot. Ou seja, o mercado do café vem deixando os fundamentos de lado, operando segundo o ritmo do mercado financeiro.

Como ficam, então, os supostos beneficiados pela criação da Bolsa, os produtores e os consumidores?

Para os consumidores, as notícias não são boas. As altas atuais devem levar a aumento de 10% a 15% nos preços do café.

Entre os produtores, também existem motivos para preocupação. Pesquisa recente realizada pela Unicamp/USP/Ufscar e Fapesp mostra que 50% dos produtores consideram o mercado de futuros uma alternativa arriscada.

Da mesma forma, quase 50% dos que o conhecem não utilizam as Bolsas devido à necessidade de depósito de margem de garantia e do pagamento dos ajustes diários.

Resultado: boa parte dos produtores está exposta ao risco, algo que pode levá-los a abandonar a atividade.

Para o produtor, portanto, valem as palavras do economista John Maynard Keynes: "A longo prazo, estaremos todos mortos".

SYLVIA SAES é professora do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

terça-feira, 25 de maio de 2010

Regras de qualidade do café reforçam liderança do Brasil no setor, diz Rossi

No Dia Nacional do Café, comemorado nesta segunda-feira (24), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, assinou a instrução normativa que vai garantir a qualidade da segunda bebida mais consumida no Brasil, atrás apenas da água. Na ocasião, Rossi destacou o ineditismo da medida em nível internacional. “No mundo inteiro, não há uma exigência real de qualidade do café em grão e do café torrado e moído. Portanto, é o primeiro regulamento desta natureza, o que mantém o Brasil na liderança do setor cafeeiro”, avaliou. As normas serão publicadas no Diário Oficial da União de amanhã (25).

O ministro disse, ainda, que a medida é um ato de respeito ao consumidor e que o marketing de outros países alterou a visão mundial sobre o café produzido no País, inclusive a da população brasileira. “Precisamos mostrar que produzimos com profissionalismo e dedicação. Quem tem o melhor café do mundo não pode ter o mito de que o bom produto só vai para o exterior”, enfatizou.

As novas regras de qualidade começarão a vigorar em fevereiro de 2011. O prazo servirá para que os torrefadores se adaptem à novidade e os técnicos do Ministério da Agricultura (Mapa) se preparem para a fiscalização do produto. Equipes coletarão amostras de diversas marcas presentes no comércio varejista ou na indústria para análise de impurezas em laboratório oficial ou credenciado. Haverá, ainda, a prova da xícara, feita a partir da degustação da bebida.

O secretário de Produção e Agroenergia do Mapa, Manoel Bertone, explicou que as empresas que não atenderem os critérios impostos poderão sofrer punições. “Serão inibidas as marcas que não respeitam o consumidor e concorrem de forma desleal com a indústria de torrefação brasileira, com misturas impróprias. Permanecerão aqueles torrefadores que cumprem as regras, têm produto honesto e alcançarão esse nível de qualidade sem grande dificuldade”. Isso, na opinião do secretário, terá como resultado maior consumo interno, melhores preços ao produtor e valor justo ao comprador.
Fonte: Notícias Agrícolas

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Governo vai passar a testar e a avaliar café

Novas regras estabelecem padrões de pureza e qualidade mínimos.

As marcas de café comercializadas no país terão de passar no teste de qualidade com um provador profissional da bebida. O Ministério da Agricultura publica nesta semana instrução normativa que prevê padrões de pureza e qualidade mínimos.

O teste será feito aleatoriamente com amostras retiradas das prateleiras do comércio. O governo vai checar ainda se o fabricante obedece ao teto de 1% para as impurezas, que passará a ser exigido na norma.

Provadores vão avaliar as características sensoriais do café. Os testes servem para apurar desde aroma e acidez até a finalização para apontar o gosto predominante na boca. A metodologia é inédita no mundo e se assemelha àquela usada pelos sommeliers na avaliação de vinhos.

A pureza do café é medida hoje pela Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), que atesta o cumprimento do teto com um selo. Segundo a instituição, 1.040 das 2.300 marcas nacionais são certificadas.

Nos casos em que a auditoria da Abic encontrou irregularidades, as impurezas variaram de 5% a 25%.

Além de oficializar e expandir a auditoria de pureza, o governo vai incorporar a metodologia para checagem de qualidade do café. Cerca de 180 técnicos que fazem a classificação dos grãos serão treinados para monitorar o produto industrializado.

Os fiscais vão inspecionar as linhas de produção das fábricas e as amostras coletadas no comércio serão enviadas para um laboratório.

Autuação

A gradação do teste varia de 0 a 10 pontos. A escala classifica os produtos como tradicional, superior e gourmet. O governo exigirá um mínimo de 4 pontos (tradicional). Os fabricantes que não atenderem aos critérios terão os lotes recolhidos e serão autuados. Em caso de reincidência, o ministério poderá fechar a indústria.
Fonte: Folha de São Paulo