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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Presidente da Sociedade Rural Brasileira diz que desafio de Dilma é solucionar problemas do agronegócio

A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) não pode tratar o agronegócio brasileiro do mesmo modo que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, sob risco de o Brasil perder oportunidades no mercado internacional e ficar refém de gargalos logísticos. A cobrança foi feita pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva, que reclama de mais atenção do Governo Federal ao setor.

“Nós temos que colocar a agricultura num patamar político semelhante ao patamar econômico que ela tem. Somos responsáveis por um terço do Produto Interno Bruto (PIB), por um terço dos empregos gerados no Brasil e não podemos perder tempo com os mesmos problemas de sempre. Ao longo do Governo Lula, praticamente a gente não teve avanços em nossas reivindicações.”

As reclamações do presidente da SRB são as mesmas de líderes do agronegócio e de produtores em geral: o fim das estradas esburacadas, maior investimento em ferrovias e rodovias, fortalecimento dos portos e um cuidado especial com a mão de obra. Ele citou o problema já mostrado pelo Porto Gente e que envolve a falta de portuários para lidar com açúcar no Porto de Santos.

“O presidente Lula deixou de defender o campo, não nos deu atenção. Parlamento é apenas um pedaço da solução. Não adianta nada, e eu sempre digo isso, termos 50 ou 100 deputados da bancada ruralista. Ampliamos, isso é verdade, mas faz-se necessário ter a aprovação da sociedade. Se o governo não valorizar politicamente a agricultura do País, vamos continuar com esses problemas a vida inteira.”

Cesário Ramalho pede o fim das políticas baseadas nos resultados de curto prazo. Ele espera que Dilma Rousseff pense no agronegócio com planejamentos de longo prazo e que as questões políticas fiquem de lado. Ao menos na formação da equipe ministerial, a futura presidente já declarou se favorável à nomeação de ministros técnicos, que saibam lidar com os problemas do dia a dia.
Fonte: Porto Gente

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Estados de forte produção agrícola preferiram Serra

Tolerância com MST e falta de incentivo ao setor no governo Lula explicariam vitória do tucano em 7 dos 8 principais exportadores

O candidato derrotado José Serra (PSDB) teve melhor desempenho que a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) nas regiões com tradição no agronegócio brasileiro. O tucano superou a petista em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que respondem juntos por mais de 70% da produção brasileira de cana-de-açúcar, carnes, suco de laranja, fibras têxteis e grãos.

No Sul, a vitória de Serra foi completa no segundo turno, com a conquista da maioria dos eleitores no Rio Grande do Sul. Os três Estados da região respondem por 18,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Conforme dados do IBGE, o Rio Grande do Sul tem o quarto PIB brasileiro - atrás de São Paulo, Minas e Rio -, o Paraná está em quinto lugar e Santa Catarina, em sétimo. O Sul vive um intenso processo de industrialização, mas parte significativa da economia ainda depende do campo. A produção da agricultura passa por um processo de agregação de valor através da indústria de transformação e da agroindústria. Considerada toda a cadeia gerada pelos produtos que saem do campo, o agronegócio representa quase 50% do PIB regional.

Os três Estados do Centro-Oeste que deram vitória a Serra - Dilma venceu no Distrito Federal - são considerados o celeiro do Brasil. Juntos, produzem 14,1% da produção mundial de soja, 5,9% de todo o algodão e 3,5% do milho produzido no mundo. Impulsionada pelo agronegócio, a economia da região cresceu quase o dobro da brasileira nos últimos dez anos. A região detém ainda o maior rebanho bovino nacional, com 70 milhões de cabeças (34% do total) e se transforma na fronteira de expansão da cana-de-açúcar para a produção de etanol. Os principais investimentos do setor estão previstos para essa região.

No Sudeste, Serra venceu no Espírito Santo e em São Paulo, Estado que produz 68% da cana colhida no Brasil e 29% da produção mundial. A safra de laranja dos pomares paulistas representa 79% do volume brasileiro - o País supre metade do consumo mundial de suco. O tucano conseguiu as maiores diferenças em regiões de intensa produção rural, como Ribeirão Preto (cana), São José do Rio Preto (laranja), Presidente Prudente (pecuária) e Sorocaba (grãos).

O Estado de São Paulo abriga a parte mais expressiva do parque industrial sucroalcooleiro e das indústrias de processamento da laranja. Em Minas, localizam-se as indústrias de torrefação de café e de processamento do leite.

Invasões. Em parte, a hegemonia tucana nas regiões do agronegócio pode ser explicada pelo temor dos produtores rurais quanto a uma possível política de tolerância da presidente eleita com as invasões de terra pelos movimentos de luta pela reforma agrária, especialmente o Movimento dos Sem-Terra (MST).

Líderes ruralistas também consideram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deu prioridade ao setor, deixando de adotar uma política de preços mínimos e de incentivo às exportações, prejudicadas pela valorização do real. A exportação dessas commodities agrícolas tem garantido o equilíbrio da balança comercial.
Fonte: O Estado de São Paulo

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Café confia em compromisso de Dilma

Presidente eleita afirmou durante campanha que dará prioridade aos cafeicultores

“Darei toda a prioridade para garantir aos cafeicultores, pequenos, médios e grandes da região, todo o apoio necessário para que resolvam seus problemas de pagamentos de dívidas e de preços mínimos”, declarou a então candidata à presidência da República, Dilma Rousseff, em Varginha, no dia 15 de setembro. Dilma foi eleita com 58,45% dos votos, e as lideranças do setor cafeeiro repercutem o compromisso assumido, acreditando que serão atendidos em suas reivindicações.

Para o presidente do Conselho Nacional do Café - CNC, Gilson Ximenes, o momento é de confiança em relação às ações da gestão Dilma a partir de 2011. “Além do compromisso firmado pela presidente eleita, o CNC está trabalhando junto ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que também tem garantido que o novo governo vai criar ações para o café e os produtores”, contou Gilson.

Embora a expectativa do CNC seja positiva, a futura presidente, que integra a linha de frente do atual governo federal, terá que mudar radicalmente de postura, uma vez que o setor cafeeiro não conseguiu ver atendidas suas necessidades de forma concreta, com uma política agrícola efetiva e de respaldo ao café.

Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação da vitória, Dilma disse que “passada a eleição agora é hora do trabalho. Passado o debate dos projetos agora é hora de união”, destacou a presidente eleita, que abordou em sua fala uma diversidade de temas, mas não citou, especificamente, a palavra agricultura e pecuária em nenhum momento. Dilma disse também que “o Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro”.

Gilson Ximenes citou que a presidente disse, após saber da vitória nas urnas, que “irá honrar todos os compromissos de campanha”. “É por isso que estou confiante, e olhando um futuro próximo com mais otimismo para a cafeicultura”, disse o dirigente nacional do setor produtor de café.

Já o presidente da Comissão de Café da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, disse que ainda é cedo para avaliar, mas que é preciso uma ação conjunta das instituições do setor para cobrar o compromisso da presidente eleita. “Para esse compromisso ter sucesso é preciso que a CNA, o CNC e a bancada do agronegócio, representada pelo deputado federal Carlos Melles, cobrem o que foi prometido”, disse Breno.

Segundo o presidente da Comissão, será necessário que essas instituições se reúnam para traçar novas diretrizes e discutir estratégias. “Só depois disso, poderemos discutir com o governo. Por causa do endividamento dos produtores, sem resolver o passado, não há como agir no futuro”, ponderou Breno.

Breno disse que ambos os candidatos à presidência, José Serra e Dilma Rousseff, firmaram esse compromisso com o café. “Isso quer dizer que, finalmente, reconheceram a situação de dificuldades que o produtor atravessa há décadas e se mostraram sensibilizados”, disse.

Breno Mesquita acredita que o compromisso da presidente Dilma pode levar à valorização do produtor. “Se o produtor for efetivamente valorizado, finalmente o Brasil exercerá, na prática, a sua liderança no mundo e isso trará excelentes resultados para o setor”, finalizou.
Fonte: Coffee Break