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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MG: Assembleia debate fortalecimento da política para o café

As audiências públicas que discutirão a proposta de criação do Fundo Estadual do Café e do Projeto Minas Leite e do Polo de Excelência de Leite e Derivados já têm data marcada para acontecer: 13 de dezembro. Ambas acontecerão no auditório da Assembleia nos turnos da manhã e tarde, respectivamente e foram propostas do presidente da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado estadual Antônio Carlos Arantes.

O parlamentar é conhecido por ter inúmeras ações em prol dos interesses do homem do campo. Durante uma reunião com o governador Antônio Anastasia, por exemplo, que aconteceu recentemente, o deputado Antônio Carlos e o deputado federal Carlos Melles pediram apoio ao Governo do Estado no sentido de fortalecer o café e o leite em Minas Gerais.

Para participar da audiência que envolve o café, serão convidados o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gilman Viana Rodrigues; o presidente da Frente Parlamentar do Café, deputado federal Carlos Melles; a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais, Vilson Luiz da Silva; o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Roberto Simões; o presidente da Comissão Nacional do Café (CNA), Breno Pereira de Mesquita; e o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), Antônio Lima Bandeira.

Já para a audiência que discutirá o projeto Minas Leite, serão chamados também o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Supeior, Alberto Portugal; o gerente geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Duarte Vilela; o gerente executivo do Polo de Excelência do Leite e Derivados, Geraldo Alvim Dusi; e o diretor do Departamento de Agronegócios do Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Fernando Lage.

O deputado está otimista com a realização das duas audiências. “Um dos nossos compromissos de campanha era provocar estas discussões em torno do café e do leite, precisamos dar a condição de o produtor trabalhar com capacidade de lucro, gerando, assim, emprego e renda e proporcionar a ele e sua família uma condição digna e estímulo para continuar no campo”, finalizou.

Fonte: Asscom deputado estadual Antônio Carlos Arantes/ Ricardo Gandra

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Falta estratégia e sobra ideologia na política agrária

Ruralista é otimista com Presidente Lula, fala que agronegócio votou contra o PT, mas diz que Serra errou ao excluir aliados.

Otimista com Dilma Rousseff, mas firme na oposição.

Assim se descreve a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

"Dilma passou por dissabores por não conseguir unir a burocracia ambiental à realização das obras do PAC", afirma Abreu, 48.

Em entrevista, ela diz que o PT perdeu em várias regiões onde o agronegócio é forte "porque tivemos a maior insegurança jurídica nesses oito anos" e reclama que falta estratégia para deixar o campo mais produtivo, mas "sobra ideologia". E afirma que a CNA não é contraponto ao MST. "O contraponto ao MST é a Constituição."

Dissabores de Dilma

A presidente eleita Dilma Rousseff teve dissabores imensos com relação à questão ambiental na execução das obras do PAC. Por essa experiência negativa de não conseguir compatibilizar a preservação com a execução das obras, ela poderá trazer à luz um debate com mais bom senso e racionalidade e buscar a ciência. Tanto eu como Dilma e todos os brasileiros se preocupam com o meio ambiente. Isso não é reserva de mercado nem patrimônio exclusivo da ex-ministra Marina Silva.

IBGE aparelhado

Podemos discutir porque os assentamentos são tão pouco produtivos. O menor não é o melhor. Você precisa ter renda alta, você não transfere renda só com patrimônio.

Fizemos um estudo com a FGV que demonstra que 70% do valor bruto da produção no país está em 4,5% das propriedades rurais.

Só que o Censo Agropecuário de 2006 demorou quatro anos para ser divulgado e, como o IBGE foi aparelhado, querem fazer crer que é a pequena propriedade a mais produtiva. A grande massa das propriedades rurais, 1,5 milhão delas no país, não tem renda nenhuma.

Comida de rico

Uma propriedade grande vai vender uma caixa de laranjas a US$ 3 porque teve acesso aos melhores defensivos, adubos, técnicas; a propriedade menor, no mesmo espaço, só vai conseguir vender essa caixa a US$ 5.

O Brasil precisa importar 80% do gergelim que consome, produto de nicho, com margem alta de lucro. A pequena propriedade deveria se dedicar a esses nichos. Se você produz soja em 50 hectares, não tem lucro. Comida de pobre tem que ser produzida por quem tem muita terra; o pobre, se produzir comida de rico, lucra.

Freio à gastança

Espero que Dilma implemente uma política econômica de diminuição de gastos públicos. A saúde não tem qualidade. Os rankings internacionais mostram os resultados terríveis da educação do Brasil. O "Tropa de Elite 2" mostra a realidade da segurança. A gastança não melhorou os serviços.

Arrocho popular

Não tenho dificuldade em estar ao lado de Dilma numa votação que faça um arrocho fiscal saudável, assim como não terei dificuldade para votar contra a CPMF.

BNDES

Não é crédito para grandes conglomerados de carnes que deixará a economia mais competitiva [o banco injetou recursos em frigoríficos como Marfrig e JBS para financiar aquisições]. É investimento em pesquisa, tecnologia, que dá mais produtividade. Sempre há preferidos e excluídos na concessão do crédito. Quando comparamos investimentos em educação e pesquisa de China e Coreia com os do Brasil, vemos o quanto estamos atrás.

Oposição firme

O político tem o risco de ganhar e perder. Adoro ser política e a oposição precisa aguentar firme, fazer o seu papel. O [José] Serra [do PSDB] excluiu aliados, tentou tudo sozinho. E como você cria ilusões sozinho? O DEM precisa ter candidato próprio em 2014.

Voto rural

O Serra venceu em vários Estados e regiões onde o agronegócio é mais forte. Vivemos na maior insegurança jurídica da história do país nos últimos oito anos.

A CNA não é contraponto ao MST [Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra]. O contraponto ao MST é a Constituição que nos guia. Não debato crime, que é a invasão.

Pragas e erosão

Não conheço ninguém que produza sem água. A erosão baixa a produtividade. Se não tiver o equilíbrio na biodiversidade, as pragas vêm arrasadoramente tanto na produção de grãos como nas doenças dos animais. Não dá para colocar o produtor contra o meio ambiente, porque vivemos dele em primeiro lugar e dói no bolso.

Chefe de torcida

Ministro de Estado não pode ser chefe de torcida, nem dos ruralistas, nem dos ambientalistas. Ele precisa pensar no país, no Estado e fazer com que as coisas possam ocorrer de forma republicana. Tivemos ótima relação com os ministros de Lula, [Roberto] Rodrigues [da Agricultura] e [Reinhold] Stephanes [ex-ministro da pasta].

Clareza de Marina

Não acredito que a votação de Marina tenha sido por uma questão ambiental. Ela teve maior clareza nas ideias.

Não ficou discutindo esquerda e direita. A população brasileira é religiosa e conservadora. Pode mudar com a evolução da humanidade, da ciência. Mas Marina, apesar de dita de esquerda, se mostrou com princípios conservadores e isso agradou a população. Não tentou desmentir o que disse no passado nem evitou polêmicas.

Terra para estrangeiro

Não dá para barrar chinês que quiser comprar terras no Brasil. Tem contrato de gaveta, laranjas, a lei pode ser burlada. O que precisamos saber é o que farão aqui e se podemos competir com eles. Geramos empregos na China porque aqui cobramos 40% de carga tributária. Se o brasileiro fizer um produto pior ou não conseguir competir, tudo bem, mas as condições têm de similares.

Rural vs. urbano

Não pode persistir um direito à prioridade urbana, mas um não direito à propriedade rural. O direito à propriedade é um só, está na Constituição e tem de ser respeitado. Há concentração no setor de supermercados, de bancos, mas parece que só a grande propriedade rural é vilã.
Fonte: FOLHA DE S. PAULO

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ENTREVISTA - Carlos Melles: o setor cafeeiro precisa de uma política concreta

Presidente da Frente Parlamentar do Café, o deputado Carlos Melles (DEM-MG) espera que os futuros governantes do Brasil assumam compromissos para a construção de uma política pública concreta para o setor cafeeiro, que, segundo informou, é o que mais gera empregos no País. Melles aponta, nesta entrevista ao Jornal da Câmara, os quatro pilares para a política cafeeira que o setor espera do próximo presidente e dos governos estaduais - entre eles, a fixação de preço mínimo para o grão. No quarto mandato de deputado federal, Melles foi ministro do Esporte e Turismo entre 2000 e 2002.

Qual o principal objetivo da Frente Parlamentar do Café?
A Frente Parlamentar do Café é composta por 314 deputados federais e senadores de diversos partidos. Foi instalada há cinco anos, sendo por mim presidida nos últimos três. Nosso objetivo é apontar soluções para uma política pública efetiva para a cafeicultura, que é o setor que mais emprega no Brasil.

O que seria necessário hoje para o Brasil fortalecer o setor cafeeiro?
Recentemente, a frente apontou quatro pilares para a política cafeeira, que o setor quer como compromissos do próximo presidente da República e governadores na busca de soluções mais concretas para os produtores de café. O governo de qualquer país que tem o status de ser o maior produtor de café - e logo será o maior consumidor - deve buscar manter a renda de seus produtores, para garantir a eficiência na lavoura e uma boa produtividade. O governo que entender que a cafeicultura gera emprego, estabiliza o campo, que o produto vale a pena para o país, pois é de alto consumo e de alto valor para exportação, tem que subsidiar a atividade.

Quais são os quatro pilares?
O primeiro é fixar um preço mínimo, comparando-se com outros países, para não estimular que eles produzam mais. O segundo é criar uma política de custeio, que determine recursos suficientes para cobrir de 25% a 30% do custo por hectare, calculados hoje entre R$ 7 e R$ 8 mil. A terceira ação sugerida pela frente é a criação de uma política de comercialização que contemple toda a cadeia do agronegócio do café e, por fim, a implantação de uma política de seguro de renda. A diferença entre custo de produção e valor de venda tem que ser presumível, e o governo tem que completar para aqueles que estiverem na média ou acima da média em produtividade.

Quais os números da cafeicultura no Brasil?
Não há nenhuma cultura no Brasil que empregue tanto quanto o café. Também não há nenhuma outra cadeia tão complementar quanto a do café. Hoje, o número de pessoas que dependem dessa cadeia para sobreviver é enorme. No Brasil, dos 50 milhões de hectares plantados, a cafeicultura ocupa 2 milhões, e dos 5,5 mil municípios brasileiros, 1,8 mil plantam café em 12 estados produtores. Minas Gerais é o maior produtor, com 50% da produção. Resumindo, se o Brasil tirar a bola de campo, o mundo do café não joga bola. O que não está sendo feito pelo atual governo trouxe um grande endividamento para o setor produtivo de café.
Fonte: Revista Cafeicultura