Mostrando postagens com marcador pesquisadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pesquisadores. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Pesquisadores identificam gene que dá ao café tolerância para crescer na seca

Um grupo de pesquisadores brasileiros identificou um gene que confere à planta do café alta resistência para crescer em áreas afetadas pela seca e com escassez de água.

O gene, já usado para desenvolver uma variedade geneticamente modificada de café que permite o cultivo do grão em terras secas, foi identificado por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), informou esta última em comunicado.

"O gene já foi patenteado e será introduzido em outras plantas de interesse agronômico, como soja, cana-de-açúcar e algodão", indica a Embrapa.

Trata-se de um importante avanço para o Brasil, que já é o maior produtor e exportador mundial de café, assim como o segundo maior consumidor da bebida - atrás somente dos Estados Unidos.

O gene foi identificado graças a um estudo coordenado por Eduardo Romano de Campos Pinto, pesquisador da subsidiária da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Márcio Alves Ferreira, pesquisador da UFRJ.

Segundo a Embrapa, o gene se encontra naturalmente presente em plantas de café e o estudo permitiu demonstrar que, se introduzido em outras plantas, pode ajudar a elevar a tolerância das mesmas à seca.

A Embrapa já tinha decifrado em 2004 a sequência genética do café, o que o permitiu criar um banco de dados com cerca de 200 mil genes, dos quais 30 mil já foram identificados.

Para identificar o gene que confere ao café tolerância à seca, os pesquisadores submeteram a plantas do grão a períodos de até dez dias sem água. As análises moleculares permitiram identificar um gene cuja expressão aumentava cada vez mais nas condições de seca.

"É o que caracteriza a defesa natural da planta para sobreviver em condições de estresse", explicou Romano em declarações citadas no comunicado da Embrapa.

Uma vez identificado este gene, os pesquisadores o transferiram mediante técnicas de engenharia genética a outras plantas e verificaram que as mesmas desenvolviam uma maior tolerância à seca e que transmitiam essa condição a seus descendentes.

Segundo os pesquisadores, as plantas geneticamente modificadas e suas descendentes permaneceram saudáveis até 40 dias, apesar de não contar com água nesse período.

Os estudos foram realizados com variedades do café arábico, que é o mais cultivado no Brasil.

A próxima ação dos pesquisadores é tentar transferir o mesmo gene a outras plantas de importância econômica para o Brasil, como soja e cana-de-açúcar.
Fonte: Terra

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Café Transgênico está sendo estudado por pesquisadores brasileiros

Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Café (Brasília, DF), Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp) e Instituto Agronômico (IAC), instituições integrantes do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, isolou dois promotores de plantas de café que permitem direcionar e controlar a expressão de genes a eles associados – o Promotor CalsoR, que atua nas folhas, e o Promotor Caperox, que age nas raízes.

Essa é uma das tecnologias que estão sendo mostradas durante a VII Exposição de Tecnologia Agropecuária – Ciência para a Vida, que está sendo realizada na Embrapa Sede, em Brasília, até o próximo dia 2.

O objetivo da pesquisa é desenvolver plantas geneticamente modificadas de forma segura e eficiente. Segundo Miriam Maluf, pesquisadora da Embrapa Café, o diferencial desse estudo, que o torna inédito no universo dos transgênicos, é que os promotores atuam de forma específica na região da planta que necessita de proteção. No caso desse estudo, as folhas e as raízes, e sempre em resposta a um estímulo externo, oferecendo um controle do tipo de Organismo Geneticamente Modificado (OGM). Outra vantagem, é que, além disso, há o controle da intensidade da expressão do gene durante o desenvolvimento da planta, ao longo de sua vida.

Específico
"Ao promotor é acoplado um gene determinado para o que se pretende melhorar na planta não afetando as demais partes, muito menos o fruto do café. Mas esse mecanismo só é ativado em caso de necessidade, ou seja, em resposta a um estímulo externo, o que representa mais segurança para os consumidores", explica a pesquisadora.

Isso significa que o gene só será ativado se ocorrer algum ataque de um agente biótico, que no caso do café é o nematóide da raiz e o fungo das folhas. Outra vantagem é que a técnica também pode ser usada para o melhoramento de várias espécies vegetais de interesse econômico, além do café.

Atualmente, a engenharia genética é uma grande ferramenta usada pela ciência para o melhoramento de plantas perenes, como o café. No entanto, somente são utilizados promotores constitutivos, que agem em toda a planta, inclusive no fruto, e também, ao longo do desenvolvimento da planta, mesmo que a necessidade exija proteção contra um único agente externo e em um determinado momento.

"Essa técnica é a mais convencional, por ser economicamente mais viável, apesar de haverem tentativas de identificar promotores específicos em várias culturas. Mas na concretização prática da pesquisa somos pioneiros", orgulha-se a pesquisadora Miriam Maluf.
Fonte: Revista Cafeicultura