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terça-feira, 13 de julho de 2010

Investimento na cadeia produtiva valorizará o café conilon

No último levantamento de safra, a Conab estimou a produção de café no Espírito Santo em 11 milhões de sacas. Ou seja, 8 milhões a mais do que o total produzido no início dos anos 90.

O café representa quase a metade do PIB agrícola do Estado e é a principal atividade em 80% dos municípios capixabas.

No entanto, a principal variedade produzida na região -conhecida como conilon- é vista como inferior, destinada principalmente a fazer volume nos "blends" (misturas) das empresas de solúvel e torrado e moído.

O conilon distingue-se do café arábica por ter alta concentração de cafeína e não possuir um aroma e sabor valorizados pelo mercado.

Devido a essa reputação negativa, chegou-se a pensar em proibir seu cultivo em solo brasileiro.
Nos anos 70, entretanto, uma política deliberada de desenvolvimento da agricultura do Espírito Santo foi decisiva para a formação do parque cafeeiro de conilon no Brasil.

A topografia acidentada, aliada às altas temperaturas e umidade, tinha no conilon uma das poucas alternativas rentáveis para os produtores rurais.

Mas não foi apenas a falta de opção dos produtores que levou o conilon a despontar no Espírito Santo. Destaca-se, em primeiro lugar, a forma de organização da produção rural. A maior parte dos cafés capixabas é oriunda de propriedades familiares com menos de 50 hectares.

Ela utilizam principalmente a meação como mão de obra. Os meeiros moram nas propriedades e dividem o trabalho, assim como o risco da atividade.

Dado o crescimento do salário dos trabalhadores no campo, a meação tornou-se um importante ganho competitivo para ambos -proprietário e meeiro-, que adotam também a diversificação como forma de maximizar seus ganhos.

Em segundo lugar, esse desempenho se deve à pesquisa e aos investimentos feitos pelos produtores.

Pesquisa

Nos últimos 15 anos, a produção foi acompanhada por um aumento de mais de 200% na produtividade, que passou da média de 9 para 28 sacas por hectare.

O Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) tem um papel importante nesse desempenho.

Destacam-se o desenvolvimento e a multiplicação de clones de variedades geneticamente superiores, a implantação de jardins clonais nos municípios cafeeiros, a renovação do parque cafeeiro e a disseminação da tecnologia de fertirrigação nas propriedades. Tamanho investimento, porém, não atinge o restante da cadeia produtiva. O fato de o conilon ser considerado um produto de qualidade inferior ao arábica leva pesquisadores e compradores a darem pouca atenção à qualidade. Resultado: pouco cuidado no beneficiamento e secagem dos grãos.

Ao que parece, essa história não vai ficar assim. No mercado internacional, já há quem valorize o café conilon, cujos cuidados e apresentação vêm progressivamente acompanhando o padrão dos mais nobres cafés arábica.

Exemplo é o café da região de Karnatka, na Índia, apreciado e valorizado pelos consumidores. Para que o café capixaba aproveite essas oportunidades, investimentos no restante da cadeia são necessários.
Fonte: Folha de São Paulo

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Operação Broca leva mais dois para a cadeia

A Polícia Federal prendeu mais dois empresários do ramo cafeeiro do Estado nesta quarta-feira (02) que estariam envolvidos no esquema de obtenção ilícita de vantagens tributárias. As prisões aconteceram na Grande Vitória. Dos 32 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal de Colatina, 27 já foram cumpridos. Entre os detidos estão emrpesários, diretores e funcionários de empresas e corretores.

Nesta terça-feira (01), dia em que a Operação Broca foi desencadeada no Estado, o procurador da República, Vinícius Cabeleira, disse que as investigações sobre o esquema ainda estão em curso e que o Ministério Público também está investigando a possível participação de auditores do Estado envolvidos na fraude, facilitando a atuação irregular de empresas fictícias que eram utilizadas como intermediárias da venda do café.

A Secretaria de Estado da Fazenda informou, por meio de nota, que a Corregedoria Fazendária vai encaminhar um ofício ao Ministério Público Federal ainda nesta quarta-feira (02) com o objetivo de solicitar informações a respeito do fato para abrir sindicância interna.
Fonte: GazetaOnline