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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nestlé investirá US$ 72 milhões na cidade mexicana Toluca

Planta será a maior para café solúvel no mundo

A multinacional suíça Nestlé recorrerá a produtores mexicanos de café para cobrir a necessidade de grãos naquela que será a maior planta de café solúvel do mundo, informou o vice-presidente da empresa no México, Antonio Núñez.

A Nestlé finalizará a ampliação de sua fábrica na cidade mexicana de Toluca, com um investimento de US$ 72 milhões, até o segundo semestre do ano de 2011, disse ele. Esse projeto é parte do plano de investimentos de US$ 390 milhões da empresa para o México nos próximos três anos.

Após a expansão, a planta terá capacidade de produção de 42.000 toneladas de Nescafé Clássico e precisará de cerca de 24.000 toneladas a mais de café verde. Mais de 70% do café que essa planta usará será de produtores locais que, além disso, se beneficiarão de um programa patrocinado pela companhia para o cultivo de 5 milhões de novos cafezais no país entre 2011 e 2015.

Esta medida impulsionará o setor cafeeiro mexicano, que tem visto um declive constante em sua produção desde o início da década, quando um colapso dos preços globais do café levou muitos produtores a abandonar a atividade.

"Manteremos nossa estratégia de compra atual. Hoje compramos no México aproximadamente 70% do café usado em Toluca e os 30% restantes são importados".

Apesar da volatilidade atual do mercado cafeeiro e do recente aumento no preço da variedade arábica pela baixa na produção na Colômbia, a Nestlé não planeja mudar sua mistura ou usar grãos mais baratos, disse ele. Os consumidores que tomam as 4.600 xícaras de Nescafé a cada segundo no mundo são fieis a seu sabor atual, disse Núñez.

"Nossa estratégia sempre tem sido elevar a eficiência operacional nas fábricas, para reduzir custos e não passar a conta aos consumidores", disse ele.

O México, atualmente, produz cerca de 4,6 milhões de toneladas de café por ano.
Fonte: Reuters

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Guerra ao Café

O que o aumento da produção de café de Minas Gerais tem a ver com o consumo mundial de drogas? Para a Colômbia e o México, tem tudo a ver. O jornal britânico Financial Times publicou hoje uma reportagem sobre a ofensiva de produtores colombianos e mexicanos contra o café brasileiro. Isso porque a bolsa de commodities de Nova York, a Ice Futures US, cogita incluir o grão brasileiro no contrato futuro de café arábica, do tipo despolpado. O contrato determina o padrão de qualidade do café negociado.

Hoje, a produção de 19 países é referendada pela Ice, entre eles, Quênia, Nova Guiné e, obviamente, Colômbia. O Brasil, maior produtor mundial, não está nesse grupo de elite. Mas como a produção brasileira de café de qualidade está em franca expansão, a Ice estuda a inclusão do país na lista - o que valorizaria o grão nacional. A gritaria da concorrência foi imediata. O argumento dos colombianos é obtuso: o contrato da Ice estimularia os produtores brasileiros a cultivar uma quantidade muito maior de café de qualidade, roubando participação de mercado de países como Colômbia e México.

Sem opção, os cafeicultores desses países deixariam de cultivar o grão para produzir coca - a matéria-prima da cocaína. "Eles apelam sistematicamente a esse tipo de argumento", diz Guilherme Braga, diretor do Conselho de Exportadores de Café. "Qualquer movimento que favoreça a cafeicultura brasileira é contra-atacado com ameaças de expansão da produção de drogas".

Em 2004, uma discussão semelhante rondou a Ice - que tem total interesse em colocar o grão brasileiro no contrato comercializado (afinal, o mercado futuro tem de espelhar o mercado físico). Na época, o lobby colombiano convenceu vários congressistas americanos, que fizeram pressão para a proposta ser engavetada. Afinal, os Estados Unidos gastam fábulas com o programa de combate ao narcotráfico na Colômbia - em 2009, foram nada menos que 720 milhões de dólares.

Com ou sem o aval da Ice, o café brasileiro de qualidade continua ganhando o mercado externo. No ano passado, foram exportadas 3,5 milhões de sacas (pouco mais que 10% do total comercializado pelo país), dez vezes mais que o volume do ano 2000. Outro sinal do reconhecimento é de quem realmente entende da xicrinha. Em maio, Dub Hay, vice-presidente da rede Starbucks, esteve no Brasil e disse que mais de 50% do café que será importado pela rede em 2010 deverá vir do país.
Fonte: Portal Exame

Café: Colômbia e México dizem que inclusão do Brasil na Bolsa de NY pode estimular a produção de cocaína

O que o aumento da produção de café de Minas Gerais tem a ver com o consumo mundial de drogas? Para a Colômbia e o México, tem tudo a ver. O jornal britânico Financial Times publicou hoje uma reportagem sobre a ofensiva de produtores colombianos e mexicanos contra o café brasileiro. Isso porque a bolsa de commodities de Nova York, a Ice Futures US, cogita incluir o grão brasileiro no contrato futuro de café arábica, do tipo despolpado. O contrato determina o padrão de qualidade do café negociado. Hoje, a produção de 19 países é referendada pela Ice, entre eles, Quênia, Nova Guiné e, obviamente, Colômbia. O Brasil, maior produtor mundial, não está nesse grupo de elite. Mas como a produção brasileira de café de qualidade está em franca expansão, a Ice estuda a inclusão do país na lista – o que valorizaria o grão nacional. A gritaria da concorrência foi imediata. O argumento dos colombianos é obtuso: o contrato da Ice estimularia os produtores brasileiros a cultivar uma quantidade muito maior de café de qualidade, roubando participação de mercado de países como Colômbia e México. Sem opção, os cafeicultores desses países deixariam de cultivar o grão para produzir coca – a matéria-prima da cocaína. “Eles apelam sistematicamente a esse tipo de argumento”, diz Guilherme Braga, diretor do Conselho de Exportadores de Café. “Qualquer movimento que favoreça a cafeicultura brasileira é contra-atacado com ameaças de expansão da produção de drogas”.

Em 2004, uma discussão semelhante rondou a Ice – que tem total interesse em colocar o grão brasileiro no contrato comercializado (afinal, o mercado futuro tem de espelhar o mercado físico). Na época, o lobby colombiano convenceu vários congressistas americanos, que fizeram pressão para a proposta ser engavetada. Afinal, os Estados Unidos gastam fábulas com o programa de combate ao narcotráfico na Colômbia – em 2009, foram nada menos que 720 milhões de dólares.

Com ou sem o aval da Ice, o café brasileiro de qualidade continua ganhando o mercado externo. No ano passado, foram exportadas 3,5 milhões de sacas (pouco mais que 10% do total comercializado pelo país), dez vezes mais que o volume do ano 2000. Outro sinal do reconhecimento é de quem realmente entende da xicrinha. Em maio, Dub Hay, vice-presidente da rede Starbucks, esteve no Brasil e disse que mais de 50% do café que será importado pela rede em 2010 deverá vir do país.
Fonte: Exame